Estudo descobre que uma grande quantidade de peixes em estuários britânicos consumiu plástico. Como sempre, é culpa nossa

Estudo descobre que uma grande quantidade de peixes em estuários britânicos consumiu plástico.  Como sempre, é culpa nossa
Foto: Capri23auto/Pixabay

Uma pesquisa recente conduzida por um estudante de PhD do London NERC DTP, na Royal Holloway (Universidade de Londres) e do Museu de História Natural revelou que 28% dos peixes que vivem no Estuário do Tâmisa consumiram microplásticos. O mesmo aconteceu com mais peixes do Estuário de Clyde, na Escócia, onde a quantidade de peixes que consumiram plástico chega a 39%. Os microplásticos, peças de plástico com menos de cinco milímetros, poluem a maior parte da água de torneira e engarrafada do mundo. Agora, estamos aprendendo sobre seu impacto nos animais em corpos d’água que ainda não foram pesquisados em toda sua extensão.

O líder do estudo, Alex McGoran, examinou o aparelho digestivo de 876 peixes e camarões do Tâmisa e do Clyde, reporta o Museu de História Natural. Das 21 espécies que foram estudadas, 14 tinham microplásticos em seus intestinos. De acordo com os resultados, o plástico foi ingerido por 33% dos peixes-chato, 19% dos peixes de fundo, 14% dos peixes de meia-água e 6% dos camarões marrons.

“As pessoas começaram a realmente perceber a gravidade da poluição do plástico e nossa pesquisa demonstra ainda mais por que essa questão é tão urgente”, disse McGoran. “Ambos os rios são ecossistemas extremamente diversos, que abrigam centenas de espécies diferentes. Ver o grande número de espécies que nossos resíduos plásticos estão colocando em perigo é realmente bastante chocante. Nossos resultados mostram a necessidade de mais pesquisas sobre os ecossistemas de água doce e estuários para que possamos entender melhor os efeitos que os microplásticos estão tendo em seus habitantes”.

Os microplásticos são divididos em duas categorias: microplásticos primários que são fabricados como partículas pequenas e microplásticos secundários que são o resultado do processo de decomposição de peças maiores de plástico. Os tipos mais comuns de plástico recuperados das tripas dos peixes examinados eram o nylon e o poliéster. Ambos os polímeros são usados de maneira extensa na indústria têxtil. Além disso, materiais de pesca são comumente feitos de nylon e o poliéster constitui um grande componente de lenços umedecidos. Quando se trata de roupas, os tecidos sintéticos geralmente perdem pequenas fibras de plástico quando são lavados em uma máquina de lavar roupa. As fibras são tão pequenas que passam pelos sistemas de filtragem e entram facilmente nos rios.

“A poluição plástica tem a mesma magnitude calamitosa que a mudança climática e o desmatamento. Precisamos de uma mudança comportamental monumental nas atitudes humanas”, disse o Dr. Paul Clark, colaborador do estudo. “O que eu acho mais deprimente sobre a poluição plástica do nosso ambiente aquático é que agora é irreversível e sua presença persistirá por muitas gerações”.

Não há uma grande quantidade de pesquisas relacionadas aos efeitos dos microplásticos em estuários, embora a densidade de minúsculos pedaços de plástico acumulados possa ser muito alta nesses corpos d’água. Há 155 estuários na Grã-Bretanha e o estuário do Tamisa, assim como o de Clyde são ambos habitats muito importantes e berçários para peixes. Infelizmente, os rios também estão muito próximos das principais fontes de poluição plástica que são as grandes cidades e as rotas de navegação.

Embora essas descobertas sejam, sem dúvida, preocupantes, ainda há muito que nós podemos fazer como indivíduos para conter o impacto dos microplásticos. Em primeiro lugar, evite sacos plásticos, garrafas, canudos e outras formas de plásticos descartáveis comuns para reduzir a quantidade de plásticos grandes que entram no fluxo de resíduos. Em segundo lugar, dê uma olhada em seus produtos de beleza para ver se eles contêm microesferas de qualquer tipo, você pode conferir esta publicação para saber mais. E, em terceiro lugar, dê uma olhada nas etiquetas de roupas para evitar microfibras de plástico. Estima-se que 1.900 microfibras de plástico são liberadas toda vez que você lava uma peça de roupa sintética, isso é muita coisa! Há catadores de microfibras no mercado para ajudar a diminuir a quantidade de fibras liberadas no meio ambiente, mas é melhor ficar de olho nesse material e evitar quando você puder!

Para aprender a minimizar o uso de plásticos, confira a campanha #CrushPlastic do One Green Planet!

Por Aleksandra Pajda / Tradução de Ana Carolina Figueiredo

Fonte: One Green Planet

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