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Estudo mostra que matadouro em Illinois é a maior fonte de poluição de nitrogênio nos Estados Unidos

Como se fosse necessário mais alguma outra evidência de que a agropecuária tem um impacto enorme e devastador no meio ambiente, o relatório produzido recentemente pelo Environmental Integrity Project (EIP) revelou ainda outra estatística deplorável e alarmante sobre a indústria: a gigante JBS, proprietária da fábrica de processamento de carne suína em Beardstown, Illinois, é a responsável por colocar mais nitrogênio nas hidrovias norte-americanas que qualquer outro poluidor.

Conforme a análise do EIP, baseada nos dados levantados pelo EPA, a gigantesca operadora de processamento de carne libera, em média, cerca de 839 quilos de nitrogênio por dia em um afluente do Rio Illinois. Para se ter uma perspectiva do que é isto em números, é algo próximo à mesma quantidade de nitrogênio encontrada no esgoto gerado diariamente em uma cidade com 79 mil habitantes, segundo mostra o relatório.

Esta imagem aterradora levanta a questão: por que, neste mundo, a fábrica de carne suína não é responsabilizada pela enorme quantidade de resíduos animais perigosos despejados nas hidrovias norte-americanas? Bem, acredite ou não, a poluição das águas residuais da operação supostamente está dentro do limite permitido desde 2016. Este fato preocupante expressa a necessidade urgente de limites nacionais para os resíduos dos abatedouros, que não foram alterados desde 2004, a serem redefinidos e aplicados com rigor.

Como declarou o diretor do EIP, Eric Schaeffer, a respeito destas “regulamentações” extremamente ineficazes, “Em alguns casos, o limite é tão alto que é difícil violá-lo. Os limites de nitrogênio para fábricas de carne suína ou bovina são muito elevados. São muito mais altos que aqueles que se estabelece para uma estação municipal de tratamento de esgoto.”

A falta profunda de regulamentação neste aspecto da indústria mostra uma triste verdade: os funcionários do governo fazem vista grossa para a enorme destruição do meio ambiente causada pela indústria lucrativa da carne e do leite com a finalidade de rechear seus próprios bolsos. Enquanto isso, o cidadão comum norte-americano e a vida selvagem sofrem os graves impactos da poluição das hidrovias proveniente de resíduos animais.

A investigação realizada pelo Chicago Tribune revelou que, entre 2005 e 2014, os incidentes de poluição relacionados às operações de confinamento de suínos em Illinois mataram pelo menos 492 mil peixes e afetaram 107,8 quilômetros de rios, riachos e hidrovias no estado.

Você está com dificuldade para entender como estas fábricas podem provocar tamanha destruição? Isto torna-se muito mais fácil de compreender quando se vê como eles armazenam de modo descuidado milhões de litros de excrementos de porcos em lagoas que transbordam quando chove, espalhando-os com rapidez das fazendas de porcos para as hidrovias locais. Além disso, soma-se a isto o volume enorme de resíduo animal jogado diretamente do matadouro nas hidrovias por meio de descargas de oleodutos, uma prática que é, de forma irritante, completamente legal.

É evidente que muitos dos líderes nacionais têm ainda que despertar e considerar as verdadeiras implicações de permitir que as grandes indústrias de agricultura e pecuária poluam como bem entendem. Por sorte, enquanto esperamos que isto aconteça, continuamos a ganhar força! Todos nós podemos ajudar na luta para mudar e desmantelar esta indústria destruidora da Terra ao limitarmos ou eliminarmos completamente o consumo pessoal diário de carne e laticínios e adotarmos uma alimentação à base de vegetais sustentável.

Para saber tudo sobre porque os vegetais são o alimento do futuro, e como você pode fazer uma enorme diferença ao optar por abastecer o seu corpo com eles, confira o livro Eat For The Planet.

Por  Estelle Rayburn  / Tradução de Katia Buffolo

Fonte: One Green Planet


Nota do Olhar Animal: A matança de animais para consumo não vitima apenas os animais explorados para este fim, mas desencadeia uma onda de mortes de outros animais, em especial os silvestres, provocada pela poluição.

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