EUA: Advogado acusa ativistas de infringir lei que impede investigação em matadouros

EUA: Advogado acusa ativistas de infringir lei que impede investigação em matadouros

Norma classifica como crime a realização de investigações sigilosas de matadouros e fazendas industriais.

Por Lindsay Whitehurst / Tradução de Renata Cardamoni

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Promotores do estado de Utah estão acusando quatro ativistas dos direitos animais de infringir uma lei controversa conhecida como “ag-gag”. 

Ativistas dos estados da Califórnia e Maryland, EUA, enfrentarão, cada um, um delito de invasão criminal, disse Scott Garrett, advogado do Iron County (distrito de Utah), nesta segunda-feira (12/01). Os promotores receberam o caso após os quatro ativistas serem declarados inocentes na semana passada. Eles decidiram retirar as acusações de interferência agrícola porque os ativistas não quiseram perseguir os funcionários da Circle Four Farms, disse Garrett.

A Circle Four Farms é parte de Murphy-Brown LLC, subsidiária de produção de gado do maior produtor de carne suína do mundo, Smithfield Foods Inc. A fazenda de Utah cria e comercializa cerca de 1,2 milhão de suínos por ano e emprega cerca de 450 pessoas. 

Essas acusações vieram sob a lei “ag-gag” – que torna crime a realização de investigações sigilosas de matadouros e fazendas industriais. Ela vem sendo contestada judicialmente por ativistas que dizem que ela foi projetada para evitar a exposição de práticas inseguras. Seis outros estados têm medidas semelhantes, mas a única pessoa que também enfrentou acusações era de Utah, disse Matthew Liebman, advogado do Animal Legal Defense Fund (Fundo de Defesa Legal Animal, em tradução livre), grupo que está aplicando processos para derrubar a lei. 

Segundo a polícia, os quatro ativistas do Farm Animal Rights Movement (Movimento dos Direitos Animais de Fazenda) se dirigiram à propriedade privada de fazenda de porcos em setembro do ano passado e tiraram fotos. O advogado alegou que eles estavam em via pública e só capturaram imagens de edifícios agrícolas, e não trabalhadores ou animais. 

O procurador T. Matthew Phillips disse que seus clientes queriam refazer o caminho dos suínos para um matadouro da Califórnia, não provocar uma prisão. Eles são: Sarah Jane Gage, 43, de Los Angeles; Robert Penney, 64 anos, de Laguna Beach, Califórnia; Harold Weiss, 34 anos, de Pasadena, Califórnia; e Bryan Monell, 50, de Mount Rainier, Maryland, de acordo com registros do tribunal. 

Procurado pela imprensa, Phillips se manteve em silêncio e não deu nenhuma declaração. 

Membros do Farm Animal Rights Movement, em Bethesda, Maryland, querem acabar com o uso de animais para alimentação e promover um estilo de vida vegano.

Fonte: The Spectrum 

Nota do Olhar Animal: Espera-se que a Justiça estadunidense derrube esta lei imoral o mais brevemente, ela que impede que as atrocidades cometidas em matadouros sejam investigadas, ferindo dispositivos constitucionais.

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