EUA: Conselho de Encinitas vota para proibir a venda de animais das “fábricas de filhotes”

Conselho de Encinitas vota para proibir a venda de animais das “fábricas de filhotes”.

Por Barbara Henry / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Encinitas, uma cidade dos EUA que está começando a se construir como a “cidade mais amiga dos animais” dentro de todas as cidades amigas dos animais do Condado de San Diego, se tornará a mais recente comunidade a banir a venda de cães e gatos produzidos por criadores comerciais – um comércio referido pelos críticos como “fábricas de filhotes”.

Na última quarta-feira (24), o Conselho da Cidade de Encinitas votou por 4 a 0, com o deputado Mark Muir ausente, para adotar um decreto tornando ilegal a venda ou exibição de cães e gatos em pet-shops, a não ser que esses animais venham de um abrigo ou de alguma ONG protetora de animais.

Isso torna Encinitas a quarta cidade do Condado de San Diego a apoiar uma proibição às vendas. Chula Vista, Oceanside e San Diego já tomaram essa atitude, como cerca de 80 outras cidades ao redor dos EUA. San Marcos recentemente adotou uma moratória temporária sobre novos pet-shops que vendem filhotes, até que possam estudar o assunto mais a fundo.

Felizes, os apoiadores do decreto de Encinitas, e até mesmo alguns de seus cães, celebraram após o voto do Conselho. Eles exigiram que a cidade tomasse uma atitude, argumentando que, embora Encinitas não tenha nenhuma loja vendendo filhotes no momento, sempre há a possibilidade que uma abra.

Encinitas definitivamente não quer uma, disse Steve MacKinnon, chefe da polícia animal para a Sociedade Protetora dos Animais de San Diego. Estas operações comerciais de criação são “nada menos do que crueldade animal permitida comercialmente”, ele disse.

Ele e outros apoiadores do decreto disseram que criadores comerciais – a maioria localizada muito longe na região Centro-Oeste dos EUA – mantêm seus cães em canis minúsculos, provendo pouco ou nenhum cuidado veterinário, e nunca os permitem saírem para rolar na grama ou sentar sob o sol. Eles então colocam esses animais em caminhões e viajam milhares de quilômetros para vendê-los em pet shops na Califórnia.

“Você não quer que nenhuma dessas lojas venha à sua cidade – você certamente terá manifestantes”, disse Sydney Cicourel, um apoiador do decreto, enquanto outros manifestantes indicaram a vontade de realizar um protesto se necessário.

Os três pet-shops existentes na cidade – Petco, PetSmart e Pet Haus – exibem animais resgatados e realizam eventos de adoção, ao invés de venderem cães e gatos criados comercialmente.

Todos com exceção de um dos 11 oradores públicos na última quarta-feira pediram para que o conselho aprove a proibição.

A exceção foi o residente de Encinitas, Greg Lafevre, um antigo proprietário de cães que disse que concordava que as fábricas de filhotes são um “problema”, mas que os funcionários públicos da cidade não deveriam se envolver com este assunto já que Encinitas não possui nenhuma loja vendendo estes animais.

Ele disse que os funcionários deveriam se focar em outros três problemas – “pavimentar nossas ruas, manter-nos seguros e nos deixarem viver nossas vidas”.

“É fácil fazer algo, mas é preciso ter coragem para deixar algo de lado”, Lafevre disse.

Apoiadores do decreto, entretanto, disseram que o conselho deveria garantir que nenhum pet-shop que vende animais de criação abra em Encinitas. Os membros do Conselho disseram que este argumento fazia sentido.

“Isto é uma forma de ser proativo ao contrário de reativo, como um dos oradores disse hoje”, a prefeita Kristin Gaspar disse.

O deputado Tony Kranz, que solicitou que o conselho considere a proibição, disse que ele já teve uma enorme quantidade de informações “chocantes” sobre as condições nas “fábricas de filhotes”, e é justamente por isso que ele apoiou esse decreto. Tentar educar os criadores comerciais e pet-shops que vendem animais não dará certo, ele disse, adicionando que um dono de um pet-shop de fora da cidade recentemente contou a ele que ele simplesmente vê os manifestantes de direitos animais em frente a sua loja como uma parte regular do seu negócio.

Os membros do Conselho de Encinita disseram que receberam centenas de e-mails apoiando a proibição.

“Vocês explodiram minha caixa de entrada, na realidade”, Gaspar disse à multidão que lotou a reunião do dia 24.

A Assessora do Conselho Laurie Winter também sugeriu que o decreto fosse barrado, dizendo que um processo jurídico federal envolvendo um pet-shop em Phoenix está correndo dentro do sistema jurídico, e que esse caso pode decidir a legalidade desses decretos. Uma decisão nesse caso pode envolver Encinitas, já que a Califórnia faz parte da jurisdição do Nono Tribunal.

Os membros do Conselho disseram que eles preferiam ter a proibição e mais tarde serem obrigados a rescindi-la, do que não ter uma e ter uma loja de vendas da “fábrica de filhotes” abrindo nos próximos meses em sua cidade.

Fonte: The San Diego Union-Tribune 

Nota do Olhar Animal: O texto diz que que o conselho pela adoção de “…um decreto tornando ilegal a venda ou exibição de cães e gatos em pet-shops, a não ser que esses animais venham de um abrigo ou de alguma ONG protetora de animais.”. Supomos que os animais vindos de abrigos na verdade seriam então para adoção, não para venda. Caso contrário, seria uma aberração, que reforçaria a ideia de animais como objetos, que é o problema do qual decorrem todos os outros. 

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