EUA pretendem aprovar a importação do rinoceronte negro morto em caçada

EUA pretendem aprovar a importação do rinoceronte negro morto em caçada
Foto: Getty Images

O Serviço de Vida Selvagem e Pesca dos EUA (FWS) planeja aprovar, dentro de dez dias, um pedido de um caçador para importar o troféu de um rinoceronte negro morto em uma caçada controversa no ano passado, de acordo com um e-mail oficial revisado pelo site The Hill.

Lacy Harber, o dono de um museu de taxidermia (animais empalhados) no Texas, atirou e matou o rinoceronte negro durante uma caçada em fevereiro de 2017 na Namíbia. Os rinocerontes negros são considerados uma espécie criticamente ameaçada, mas a Namíbia permite que até cinco dos animais sejam mortos em caçadas a cada ano, de acordo com o FWS.

Harber, que as reportagens dizem ter 80 ou 81 anos, ganhou a chance de caçar o rinoceronte depois de dar um lance de US$ $275,000 em um evento do Dallas Safari Club em 2016. Ele disse que viu a caça como uma maneira de levantar dinheiro para proteger o rinoceronte negro. A Fundação World Wildlife estima que atualmente restam menos de 5.500 rinocerontes negros selvagens.

“Eu não queria aquela permissão. Eu sabia que haveria muita controvérsia sobre isso, mas eu fiz isso para salvar o rinoceronte negro”, Harber contou ao jornal Herald Diplomat em janeiro.

Embora a caçada de Harber fosse legal e sua solicitação de importação subsequente fosse autorizada pela lei dos EUA, ambas foram desafiadas por grupos de vida selvagem que se opunham à ideia de caça para conservação.

A Humane Society dos Estados Unidos e o Centro para a Diversidade Biológica (CBD) lutaram para restringir a importação do rinoceronte negro que Harber matou, já que ele apresentou um pedido de licença em janeiro passado.

O FWS alertou a CDB, na última quinta-feira, sobre seus planos de aprovar o pedido de permissão de Harber dentro de dez dias.

“É desagradável ver funcionários federais da vida selvagem darem a um bilionário do Texas um tapinha nas costas por jogar fora este rinoceronte incrivelmente raro”, disse Tanya Sanerib, diretora jurídica internacional da CBD, na sua declaração.

“Nós não deveríamos sancionar a morte desse animal majestoso, ao permitir este troféu nos Estados Unidos. A crueldade da caça ao troféu simplesmente não é compatível com os esforços parar salvar a vida selvagem da África.”

Ambos os grupos escreveram uma carta no mês passado para o secretário do interior Ryan Zinke e para o diretor do FWS em exercício Jim Kurth, argumentando que essa licença não deveria ser concedida.

“Nós contestamos que as licenças podem ser emitidas sob o Ato de Espécies Ameaçadas (“ESA”) para troféus de espécies em extinção ou ameaçadas de extinção. A seção 10 da ESA autoriza a permissão de ações que aumentem a sobrevivência de uma espécie, e a morte de um rinoceronte criticamente ameaçado e a importação do troféu com certeza não beneficiam a espécie”, escreveram em sua carta.

O pedido de permissão de Harber para o troféu do rinoceronte negro será apenas o quarto que o FWS outorgou da Namíbia. Dois foram concedidos em 2015 e um em 2013, disse o FWS ao Hill. O FWS nunca negou uma solicitação de permissão para o rinoceronte.

Funcionários do FWS defenderam a prática de conceder aos caçadores a capacidade de importar seus troféus em nome da conservação de espécies.

“A caça legal e bem regulamentada, como parte de um programa de gerenciamento sólido, pode beneficiar a conservação de certas espécies ao oferecer incentivos às comunidades locais para conservar as espécies ao devolver a receita necessária à conservação”, disse um porta-voz do FWS.

O porta-voz acrescentou que, pela lei, a agência não permite a importação de troféus de certas espécies protegidas que foram caçadas em nações cujos programas de conservação não “cumprem altos padrões de transparência, gestão científica e eficácia”.

Um método frequente dos EUA para restringir a caça excessiva internacional é limitar ou impedir que as importações das carcaças ou de outras partes de animais sejam transportadas de volta para o país para serem usadas em troféus.

Poucos caçadores estão interessados em gastar milhares de dólares para caçar um animal e não conseguir trazer o troféu para casa. Os EUA implementaram tais restrições nas importações de troféus de elefantes de vários países africanos considerados como não estarem em conformidade com as medidas do FWS de conservação de caça.

A administração Trump no ano passado derrubou uma proibição da era Obama sobre as importações de elefantes da Zâmbia e do Zimbábue, um movimento desprezado por grupos de direitos dos animais e outros.

Mais recentemente, grupos defensores dos direitos dos animais pediram a proibição das importações de girafas, que alguns acreditam que também devam ser listadas como uma espécie em extinção. A CBD, a Human Society e o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais ameaçaram formalmente processar a administração no mês passado.

Harber possui e opera o Harber Wildlife Museum em Sherman, Texas, descrito em seu site como “o que poder ser a maior e mais completa coleção de animais de grande caça em qualquer lugar do mundo”.

As fotos exibem vários animais, incluindo leões e uma girafa, que foram taxidermizados.

Por Miranda Green / Tradução de Débora C. T. Barros

Fonte: The Hill

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