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Ex-fazendeiros de carne e produtos lácteos que se tornaram ativistas veganos

Por Ashley Capps / Tradução de Alice Wehrle Gomide

O romancista e jornalista de matadouros, Upton Siclair, uma vez escreveu: “É difícil fazer um homem entender algo, quando seu salário depende do seu não entendimento”. Mas mesmo que isso possa ser difícil, não é impossível. Os perfis a seguir são provas cheias de esperanças de que até mesmo aqueles que tinham muito a perder ao renunciar à exploração animal são frequentemente corajosos o suficiente, e se importam o suficiente, para tomar essa decisão.

1. Jan Gerdes, antigo fazendeiro de laticínios

Hof Butenland é um santuário de animais de fazenda no norte da Alemanha fundado por Jan Gerdes e Karin Mück. Jan era um fazendeiro de laticínios por muitos anos, mas após uma mudança de sentimentos, que incluiu a decisão de se tornar vegano, ele converteu sua fazenda em um santuário e jurou devotar o resto de sua vida a cuidar dos animais de fazenda e trabalhar para acabar sua exploração. Falando sobre os animais que ele uma vez usou, comeu e rotineiramente enviava ao abate, Jan diz:

“Antes, eu negava que gostava deles. Não havia outro jeito. Eu queria uma forma de ganhar a vida. E agora eles são mais como companheiros. Você está feliz, você conversa com eles. Você conversa com uma vaca assim como com um porco, um gato ou um cão; eu não vejo nenhuma diferença. Todos eles têm suas qualidades e eles ficam felizes quando eu converso com eles – e eles sempre me contam algo. É realmente um ótimo jeito de viver juntos”.

Você pode saber mais sobre Hof Butenland em seu website e no filme, Live and Let Live, um poderoso novo documentário que explora nosso relacionamento com animais de fazenda, a história do veganismo e as razões éticas, ambientais e de saúde que motivam as pessoas a se tornarem veganas. (Você também pode se lembrar de Hof Butenland como o lar do bezerro mais feliz do mundo).

2. Harold Brown, ex-fazendeiro de laticínios e carnes

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Harold Brown é um ex-fazendeiro de laticínios e carnes. Ele nasceu em uma fazenda de gado em Michigan e passou mais da metade de sua vida na agricultura. Após uma crise pessoal de saúde tê-lo forçado a confrontar a incidência de doenças cardíacas em sua família, ele se tornou vegano. Viver com ótima saúde com uma dieta vegana o levou a reexaminar todas suas antigas suposições sobre comer animais, e ele logo sentiu uma profunda convicção que explorar e matar animais por comida é imoral. Agora um ativista vegano, ele é o fundador do Farm Kind e um dos temas do documentário Peaceable Kingdom (Reino Pacífico).

Quando perguntado sobre sua fazenda teoricamente humana, Harold escreve:

“Eu frequentemente ouvia a palavra “humana” usada em relação à carne, laticínios, ovos e outros produtos… Eu sempre achei isso curioso, porque meu entendimento é que humano significa agir com bondade, ternura, e misericórdia. Eu posso te dizer como um antigo fazendeiro que, ainda que possa ser verdade que você pode tratar um animal de fazenda com bondade e demonstrar ter ternura para com eles, misericórdia é algo completamente diferente.

Eu dificilmente pensava duas vezes sobre as coisas que eu tinha que fazer na fazenda: juntar o gado, castrações, retirar chifres, e eu fiz minha parte de abate também.

Hoje em dia, eu me pergunto tanto pela perspectiva do meu eu antigo e do meu eu novo, o que a palavra humana significa da forma que está sendo usada? O antigo eu diz, ‘Essa é uma palavra estranha para ser associada com carne, laticínios e ovos, mas ei, se vende mais produtos, por que não?’. O novo eu pergunta, ‘Naqueles dias, eu podia, e sim, criei animais com ternura e bondade, mas como eu mostrei misericórdia para eles’?. Misericórdia – uma característica unicamente humana de se abster de fazer mal”.

— Leia mais sobre Harold Brown aqui, e confira sua história no filme Peaceable Kingdom: The Journey Home.

3. Cheri Ezell, antiga fazendeira de laticínios

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Cheri Ezell estava trabalhando em uma fazenda de leite de cabra quando ela conheceu seu marido, Jim Vandersluis, um fazendeiro de laticínios.

Ela escreve:

“Um dia eu entrei no celeiro enquanto ele estava ordenhando e percebi uma bezerra obviamente doente. Quando eu questionei o que iria acontecer com ela, ele me disse que, independente da doença da bezerra, ela seria enviada para um negociante de gado para ser vendida pela carne. Eu aprendi que as vacas da indústria de laticínios tem que procriar todo ano para continuar a produzir leite, e como seus bezerros são tirados delas logo depois do nascimento – eles tem sorte se receberem o colostro de sua mãe, o primeiro leite que é importante para sua sobrevivência. Enquanto alguns bezerros são mantidos como novilhos de reposição, a maioria deles é enviada para o abate  ou para as operações de vitela, que é uma vida muito curta, e nem um pouco feliz.

As verbalizações feitas pela mãe e pelo bebê conforme o laço se cria são somente um pequeno aspecto de suas vidas emocionais que nós humanos destruímos. A mãe chama pelo seu bebê por muitos dias após eles serem separados. Como algo desse tipo pode ser chamado de “humano”?

Com o tempo, nossas consciências não nos permitiriam continuar ordenhando nossas vacas para fins de produzir produtos lácteos. Ao invés disso, nós aumentamos o rebanho de cabras e começamos a vender leite de cabra. Eu pensei, talvez isso seja uma alternativa – eu podia ter os animais e podia ter o leite, e os bebês virariam animais de estimação… Mas nós ainda temos que ganhar a vida, e eu logo percebi que não poderia ganhar dinheiro suficiente com a quantidade de leite que eu estava produzindo e então mandar os bebês para serem animais de estimação. Eram tantos bebês, cada ano você tem que ter bebês. E não são muitas pessoas que estão interessadas em comprar cabras como animais de estimação.

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Em certas comunidades, é uma tradição ter carne de cabrito durante o feriado de Páscoa. Então nossa fazenda ficava lotada de gente procurando por cabritinhos. Nós íamos pesar os filhotes, e os clientes pagavam. Eles eram então amarrados e literalmente jogados dentro de um porta-malas ou na traseira de uma picape como se fossem uma mala. Jim logo estava dizendo “Deixe que eu carregue o cabrito”, e ele gentilmente colocava o bebê no veículo dos clientes. Um dia nós estávamos ao lado do portão do celeiro das cabras, escutando um dos nossos cabritos ser levado embora, chorando dentro do porta-malas de um carro. Foi naquele momento horrível que Jim e eu olhamos um no outro com lágrimas nos nossos olhos e começamos uma jornada por uma vida sem matança.

Jim e eu desde então deixamos a indústria de laticínios e convertemos nossa fazenda em um santuário para animais de fazenda, selvagens ou de companhia… para Jim e eu, agora há uma distinção muito clara entre agricultura humana e não humana. Agricultura humana é cultivar uma dieta baseada em plantas. Agricultura não humana é criar qualquer ser senciente para produção e consumo”.

— Leia o depoimento completo de Cheri sobre sua transição e de seu marido ao veganismo e ao ativismo animal aqui. Você também pode ver sua história no documentário Peaceable Kingdom: The Journey Home.

4. Howard Lyman, ex-fazendeiro de carnes e laticínios

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As pessoas que eu conhecia envolvidas na produção animal eram pessoas boas tentando fazer o melhor que elas sabiam pelo que elas viam como as razões certas – alimentar uma América faminta. Elas acreditavam que estavam fornecendo uma necessidade absoluta: proteína de primeira classe. Estava arraigado dentro delas desde quando elas eram crianças: ‘Coma sua carne’.

Howard Lyman é um fazendeiro de gado de quarta geração, que converteu uma pequena fazenda de laticínios orgânicos em uma massiva operação industrial de laticínios e carne com 7.000 cabeças de gado. Ele também criava galinhas, porcos e perus, usando animais por mais de 20 anos. Em 1990, extremamente acima do peso e enfrentando problemas de saúde relacionados à pressão arterial e níveis de colesterol que estavam nas alturas, ele decidiu se tornar um vegetariano. Experimentando uma completa reviravolta em sua saúde, Lyman se tornou vegano um ano depois e logo teve uma profunda mudança de sentimento sobre a ética de comer animais. Ele converteu seu rancho em um santuário de vida selvagem e desde 1991 está viajando pelo mundo dando discursos e falando em prol do veganismo, fazendas orgânicas e direito dos animais.

Em uma entrevista, Lyman relembra o difícil momento em que ele descobriu que não poderia mais virar as costas para a questão de matar animais sem a menor necessidade:

“Não era só ‘Eu sou gentil com meus animais?’, ou, ‘Eu os alimento bem?’, mas, ‘Meu Deus, nós deveríamos estar comendo-os?’… Eu estava no banheiro e estava olhando no espelho: foi tão traumático para mim que eu quase arranquei a pia da parede.

Era uma porta da minha alma que eu nunca tinha aberto antes. E uma vez que eu a abri, eu jamais poderia fechá-la novamente porque eu sabia como aqueles animais ficavam quando eles iam para o matadouro. Eu sabia o que aparecia nos olhos deles, e eu era a pessoa que os estava colocando lá. Foi como se tudo que você acredita ser justo e sagrado de repente estivesse em risco. Poderia eu realmente permitir que minha mente navegasse por isso tudo?

E teria eu fortaleza e coragem para saber a diferença e fazer uma mudança? Você vai até sua esposa quando você tem uma operação multimilionária e diz, ‘Espere um pouco: Eu acho que o que estamos fazendo é errado’? Eu percebi que meu meio de vida foi construído sobre areia. Tudo em que eu tinha acreditado toda minha vida estava em risco porque lá estava eu com um negócio construído sobre matar animais”.

Lyman já escreveu dois livros, Mad Cowboy: Plain Truth from the Cattle Rancher Who Won’t Eat Meat (Caubói louco: A simples verdade sobre o fazendeiro de gado que não come carne) e No More Bull! The Mad Cowboy Targets America’s Worst Enemy: Our Diet (Sem mais boi! O caubói louco almeja o pior inimigo da América: Nossa dieta). Ele também mantém um website educacional, madcowboy.com. A vida e o trabalho de Howard Lyman também são tema do Mad Cowboy: The Documentary, e sua história é mostrada no Peaceable Kingdom: The Journey Home.

5. Bob Comis, antigo fazendeiro de ovelhas e porcos

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No fim de abril de 2011, no blog de sua fazenda com animais criados em pastos e alimentados com grama – um blog com o objetivo de se comunicar com sua base de clientes – o fazendeiro de ovelhas e porcos, Bob Comis, postou uma séria reflexão pessoal de uma frase, intitulada de “It Might Be Wrong to Eat Meat” (Poderia ser errado comer carne):

“Esta manhã, conforme eu olhava pela janela para o pasto que rapidamente se enchia de cordeiros brincando, eu sentia muito fortemente que poderia ser errado comer carne, e que eu talvez seja realmente uma pessoa ruim por matar animais para meu sustento”.

Quinze meses depois, ele postou um registro igualmente angustiante, mas mais substancial com o título “The Grapple of Ethics” (A garra da ética):

“Quando eu penso sobre o debate acerca da ética de comer carne, eu frequentemente me pergunto por que é tão difícil para os comedores de carne admitir que matar animais (para comer seu músculo) é antiético? De verdade, eu não consigo pensar em um bom argumento ético em favor de matar animais pela carne.

O jeito mais fácil de dizer isso é que matar animais pela carne é uma transgressão ética permitida socialmente. Permissão social não a torna ética, não a torna aceitável. Escravidão foi socialmente permitida por séculos (apesar do fato de que sempre havia uma minoria que era firmemente contra). Isso a tornava menos antiética? Eu duvido que alguém hoje diria que sim.

Como um fazendeiro de porcos, eu vivo uma vida antiética, encoberta de armadilhas justificatórias de aceitação social. Há até mais do que simples aceitação. Há na realidade uma celebração sobre a forma com a qual eu crio os porcos. Pelo fato de que eu dou a eles vidas que são tão próximas das naturais quanto possível em um sistema não natural, eu sou honrável, eu sou justo, eu sou humano, enquanto que por trás disso, eu sou um proprietário de escravos e um assassino. Olhando de frente, você não consegue ver isso. Criar e matar porcos humanamente parece perfeitamente normal. Para conseguir ver a verdade, você deve olhar de soslaio, exatamente da forma que um porco faz quando sabe que você está fazendo algo ruim. Quando você vê pelo canto do seu olho, na periferia borrada de sua visão, você vê que carne é sim assassinato.

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O que eu faço é errado, apesar da sua aceitação por cerca de 95% da população americana. Eu sei disso dentro de mim, mesmo se eu ainda não posso fazer nada. Algum dia isso deve acabar. De alguma forma nós precisamos nos tornar o tipo de seres que podem ver o que estamos fazendo quando olhamos de frente, o tipo de seres que não utilizam armadilhas obscuras para manter, com aceitação e celebração, algo horrivelmente antiético. Mas lá no fundo, muito mais no fundo, nós temos uma obrigação de comer outras coisas”.

Comis recentemente se tornou vegano, está no processo de converter sua fazenda em uma fazenda de vegetais, e agora publica amplamente sobre a questão de comer animais. Um documentário sobre sua transição, The Last Pig (O último porco), está sendo feito pelo renomado cineasta Allison Argo. Você pode ler as críticas de Comis sobre o abate teoricamente humano aqui.

6. Renée King-Sonnen

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Seis anos atrás, Renée King-Sonnen se apaixonou e se casou com um fazendeiro de gado de quarta geração. Ela se mudou de um subúrbio para uma fazenda de 96 acres no Texas, onde ela logo descobriu que tinha se apaixonado pelo rebanho de gado que morava lá também. Fascinada pelos animais, Renée começou a passar muito tempo no campo com eles, conhecendo cada personalidade, e observando os laços profundos entre as vacas e seus filhotes, assim como a amizade e afeição entre os membros do rebanho. Seu coração partia toda vez que os bezerros eram levados para leilão e seu iminente abate.

“A experiência de vê-los indo embora, as mães chorando por uma semana, e a ausência de suas almas no pasto me perseguia. Eu chorei tantas vezes por causa disso que ele tentou esconder quando fazia isso, mas eu sempre soube por causa do choro que as mães fazem quando elas perdem seus bebês e não conseguem encontrá-los”.

Renée comprou a vaca que ela chama de Rowdy Girl ainda bezerra de seu marido por $300. Ela a alimentou com mamadeira e deu todo seu amor, cuidado e proteção que ela gostaria de dar a todos os bezerros nascidos no rancho. Alguns anos depois, Rowdy Girl deu à luz sua própria bezerrinha, Houdini, chamada assim pela sua habilidade de escapar da propriedade e sair andando por aí. Na realidade, ela escapou tantas vezes que o marido de Renée disse que eles teriam que vender Houdini. Renée se recusou. Ela já tinha se tornado vegana nessa época, e pensou sobre encontrar um novo lar para Rowdy e Houdini em um santuário. Mas seu coração continuava dizendo que o que ela realmente queria era converter o rancho em seu próprio santuário de animais de fazenda, e salvar todos os bezerros do rebanho de seu marido, assim como os porcos, galinhas e outros animais de fazenda necessitados. Ela o chamaria de Rowdy Girl Sanctuary.

Apesar de ser algo praticamente impossível, Renée recentemente persuadiu seu marido a deixá-la comprar seu rebanho por $30.000. Ele concordou que se ela conseguir levantar o dinheiro para comprar o rebanho, ele iria parar de ser fazendeiro e a ajudaria com o santuário. Com esse final promissor, Renée lançou uma campanha de arrecadação de fundos para construir o Rowdy Girl Sanctuary. Ela tem mais 3 meses para conseguir $25.000 e está confiante que conseguirá se sua história atingir pessoas suficientes. Para ajudá-la com sua causa e saber mais, visite e compartilhe a campanha indiegogo da Renée. Você também pode receber atualizações na sua página do Facebook, Vegan Journal of a Rancher’s Wife.

As duas próximas pessoas nunca foram fazendeiras, mas como filhos de fazendeiros elas cresceram em fazendas de carnes ou de laticínios.

7. T. Colin Campbell

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Dr. T. Colin Campbell é um bioquímico americano cuja pesquisa é focada nos efeitos da nutrição humana na saúde em longo prazo. Pelo fato de sua ênfase ser a ciência da nutrição, ele não usa o termo vegano, mas defende uma dieta baseada 100% em plantas, ressaltando a base empírica para sua posição. Entretanto, seus livros, artigos e palestras têm sido muito influentes na condução de milhares de pessoas pelo caminho vegano, e solidificando o caso que humanos podem facilmente prosperar sem o consumo de qualquer produto animal.

Com seu filho, Dr. Campbell é coautor do best-seller internacional The China Study, baseado nas suas descobertas de um projeto de pesquisa de 20 anos conduzido sob patrocínio da Universidade Cornell, da Universidade Oxford e a da Academia Chinesa de Medicina Preventiva, e descrito pelo The New York Times como “O Grande Prêmio da epidemiologia”. The China Study examina a relação entre o consumo de produtos de origem animal (carne, ovos e laticínios) e doenças crônicas incluindo doenças cardíacas, diabetes, câncer de mama, câncer de próstata, e câncer de cólon. Com base em uma meta-análise da dieta e taxas de doenças em milhares de pessoas nas populações rurais de Taiwan e China, Dr. Campbell conclui que as pessoas que tem uma dieta baseada em comidas integrais e plantas – excluindo todos os produtos de origem animal – podem evitar, reduzir e, em muitos casos, reverter o desenvolvimento de numerosas doenças, incluindo a maioria das doenças ocidentais fatais.

Talvez a coisa mais surpreendente sobre seu estudo e seu subsequente trabalho de vida é que Dr. Campbell passou toda sua infância e adolescência vivendo e trabalhando na fazenda de laticínios de sua família, e desenvolveu o estudo com a crença de que a proteína animal era uma parte essencial de uma dieta saudável. Ele agora ensina que a caseína, a principal proteína do leite e derivados, é o carcinógeno mais significante que consumimos. Aqui está o trecho de um texto que ele apresentou ao Comitê Médico pela Medicina Responsável:

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“Eu cresci em uma fazenda de laticínios, ordenhando vacas até minha graduação dos dias de estudante em nutrição na Universidade Cornell. Para minha pesquisa de doutorado eu investiguei como fazer a produção de leite, carne e especialmente proteína animal mais eficiente. Mais tarde, essa pesquisa estava no Departamento de Bioquímica e Nutrição da Virginia Tech, e eu coordenando um projeto financiado pelo departamento estadual, designado a organizar um programa nacional para melhorar a saúde das crianças desnutridas nas Filipinas, especialmente para garantir uma boa fonte de proteína, preferencialmente uma proteína animal de ‘alta qualidade’.

Mas eu tive uma surpresa. As poucas pessoas que estavam consumindo dietas ricas em proteínas eram mais suscetíveis ao câncer primário de fígado… Meus associados e eu então embarcamos em um programa de pesquisa básica para investigar este surpreendente efeito da proteína no aumento do desenvolvimento de câncer. Financiados inteiramente com dinheiro público – a maioria pelo NIH (Instituto Nacional de Saúde) – nós exploramos em profundidade nos próximos 27 anos várias características desta associação. Nós precisávamos confirmar esta observação, e então determinar como funcionava. Nós fizemos os dois. Os resultados foram profundamente convincentes e, ao longo do caminho, eles ilustravam vários princípios fundamentais da nutrição e câncer.

  • Crescimento tumoral pode ser alternadamente ligado e desligado com dietas alimentares contendo altos e baixos níveis de proteína, respectivamente.

  • A proteína promoveu o crescimento tumoral, mas somente em níveis acima do necessário para uma boa saúde (10% da energia total).

  • Apesar da dieta proteína não ter iniciado o câncer, ela ajudou no início e, mais importante, promoveu o crescimento tumoral.

  • O efeito da proteína podia ser explicado pelos múltiplos mecanismos bioquímicos, parecendo agir em sinergia.

  • A proteína que promoveu este efeito no tumor foi a caseína, a principal proteína do leite de vaca. Duas proteínas obtidas de plantas, soja e trigo, não promoveram o crescimento tumoral – até mesmo em nível bem mais alto.

  • O efeito da caseína no crescimento tumoral muito provavelmente se estende a outras proteínas animais também.

  • Com base no critério usado pelo programa do governo para determinar se as substâncias são cancerígenas, a caseína é muito provavelmente a mais relevante que nós consumimos.

Entretanto, eu questiono estudos que são focados em agentes singulares e eventos singulares porque normalmente eles não possuem um contexto mais amplo. Assim, nós buscamos o contexto mais amplo dentro do qual a caseína, talvez proteína animal em geral, está relacionada à saúde humana. Uma oportunidade apareceu para nós conduzirmos tal estudo entre indivívuos humanos na China rural, onde vários tipos de câncer eram geograficamente localizados e onde as dietas continham quantidade relativamente pequena, mas variada de alimentos de origem animal. Para buscar este contexto mais amplo neste estudo nacional, nós descobrimos – a partir de perspectivas múltiplas – que quantidades relativamente pequenas de alimentos de origem animal (e/ou a falta de alimentos de origem vegetal) nutricionalmente conspiram para causar doenças degenerativas como câncer, doenças cardiovasculares e outras doenças comumente encontradas nos EUA e outros países altamente industrializados.

Estas experiências eventualmente me levaram a uma visão sobre dieta e nutrição que é substancialmente diferente daquela quando comecei minha carreira de pesquisador, especialmente com respeito ao meu caso pessoal e profissional de amor pelo o leite de vaca e seus derivados”.

Para saber mais, confira o livro The China Study, ou visite thechinastudy.com. Você também pode verificar o documentário inovador sobre saúde Forks Over Knives (Garfos ao invés de facas), inspirado pelo trabalho do Dr. Campbell.

8. Helen Peppe

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Helen Peppe cresceu como a mais nova de nove crianças em uma fazenda em Maine, onde ela viveu até a faculdade. Em seu recente livro de memórias, Pigs Can’t Swim (Porcos não podem nadar), ela reconta como as antigas conexões que ela fez com os animais criados e mortos na fazenda de sua família a levaram a decidir a se tornar uma vegetariana quando criança (e vegana quando adulta), e o mundo frequentemente solitário que ela habitava como resultado dessa decisão.

Trecho do Pigs Can’t Swim:

“Eu olhei para aquela pilha de corpos decapitados e pensei no tronco lá na floresta e as cabeças ao redor dele, as expressões não de surpresa, mas medo, olhos bem abertos. Qual foi a última coisa que eles viram, uma parte de uma árvore, grama, o machado, a próxima galinha na fila? Será que dois deles se lembraram de sua curta infância como pintinhos quando eles eram amados? Seus cérebros mostraram a eles imagens de um momento em particular, imagens do passado e do presente? Um futuro? Eu via cães, cavalos e porcos sonhando, suas pernas mexendo durante o sono, suas pálpebras mexendo conforme eles choramingavam ou grunhiam. As galinhas sonhavam também? Eu olhei para aquela pilha de corpos decapitados e sabia que não iria comer nenhum deles, sabia que eu nunca iria comer um animal de novo porque como eu podia comer qualquer coisa que gostava de atenção ou que tinha seus próprios sonhos?

Observando as mortes de tantos animais, animais que adoravam brincar nos pastos e celeiros com seus cordeiros, bezerros e porquinhos, eu queria protegê-los, salvar suas vidas”.

Você pode ler uma entrevista com Helen Peppe no Vegan Publishers. Confira seu trabalho fotográfico e saiba mais sobre sua obra em helenpeppe.com.

Eu vou acabar este artigo com uma “citação” de um dos residentes resgatados no Santuário Hof Butenland, um bezerro chamado Fiete. Eu não falo alemão, mas eu acho que ele está dizendo algo sobre amizade, e a luz do sol, e felicidade. Eu acho que ele provavelmente está dizendo obrigado.

Fonte: Free From Harm

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