Ex-marido mata o cachorro para ameaçar companheira em Cardoso, SP

Há uma semana, a estudante C.B.L, 27 anos, e sua família sofrem ameaças do seu ex-marido D.T.N.P., com quem foi casada durante três anos. “Saí de casa há 3 meses, mas foi na noite de Natal que começaram as ameaças. Primeiro, ele ligou para minha mãe dizendo que iria me matar. Depois, mandou mensagem por celular dizendo a mesma coisa e, por último, colocou fogo no carro do meu irmão. Graças a Deus deu tempo de apagar e ninguém saiu ferido”, conta.

Os episódios aconteceram na cidade de Cardoso, onde a família da vítima mora. “Minha mãe e meu irmão fizeram alguns boletins de ocorrência por lá. Eu não fiz porque fui orientada por um advogado que, como não tinha provas contra ele, não poderia fazer nada. Ele me ligou no Natal e me ameaçou, mas era só uma ligação, não estava gravada”, relembra.

Foi na quinta-feira, dia 29, que o ex-marido reapareceu. “Ele me cercou no meu ambiente de trabalho e disse que precisava falar comigo. Ele não sabe onde eu estou morando e todos os dias alguém da minha família me leva para trabalhar. Como eu entro muito cedo no serviço, sinto medo dele estar escondido atrás de alguma árvore e fazer algo comigo”, diz.

Sexta-feira, dia 30, a vítima procurou a Central de Flagrantes de Rio Preto e fez um boletim de ocorrência. Pela primeira vez seu ex-marido não ficou só nas ameaças. Primeiro ele mandou uma mensagem no celular da estudante que dizia: “Volte para casa. Senão vou começar pelos cachorros”. Ao ser ignorado, passou a mandar mensagens para o celular do pai dela. A primeira mensagem dizia: “Começou o Apocalipse. Você sabe onde vai terminar”. E logo em seguida mandou: “Manda para sua filha. Um tiro na testa. Estou no aguardo” junto com fotos de um de seus cachorros mortos.

“Ele matou a paulada o nosso filhote de pitbull. O cachorro só tinha 4 meses. Ele sabia que, além da minha família, os cachorros são a minha paixão. Quis me ferir e conseguiu. Eu sinto medo de sair na rua. Não sei onde ele pode estar, quando pode aparecer e nem do que ele é capaz. Sinto medo por mim e por todos ao meu redor”, declara.

Após fazer o boletim de ocorrência, a vítima diz que a Polícia Militar a acompanhou até sua antiga casa. “Chegando lá, ele já tinha enterrado o cachorro, estava visivelmente drogado e embriagado. A polícia me autorizou a entrar na casa e a pegar algumas peças de roupa. Foi o que eu fiz. Só entrei porque estava em segurança. Porque ainda tenho muita coisa para tirar da casa, mas não posso voltar. Ainda não tenho onde deixar os outros cachorros. Estou morando de favor. Ele não sabe onde eu estou”, diz.

Na Central de Flagrantes, a estudante foi orientada a comparecer à Delegacia de Defesa da Mulher para tomar as providências cabíveis. “Ainda não compareci. Vou na segunda-feira acompanhada da minha mãe. Enquanto não tenho opção, vou rezando, pedindo para que a família dele consiga controlá-lo e que nada de ruim aconteça comigo ou com meus familiares. Não sei do que ele é capaz e isso me apavora. A família dele está ao meu lado. Pediram para eu me proteger”, conta.

A reportagem procurou o ex-marido, mas não conseguiu retorno.

Fonte: Diário da Região 

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