Ex-professora supera sério transtorno vendendo comida vegana

Ex-professora supera sério transtorno vendendo comida vegana

Por Fabiana Bertagnolli

SP ex professora supera serio transtorno vendendo comida vegana

As doenças e transtornos mentais afetam mais de 400 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). No Brasil, estima-se que cerca de 23 milhões sofram do mal, dos quais cinco milhões em níveis de moderado e grave.

Justamente por isso, desde 2014 existe o Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. Ao longo do mês, locais públicos e particulares foram identificados com a cor amarela e serviram de apoio a pacientes que ainda sofrem com o estigma e preconceito de ter uma doença mental.Nas redes sociais pipocam mensagens de apoio e ofertas de ajuda. E também histórias inspiradoras de renovação e mudança de vida em decorrência de situações abusivas na esfera pessoal ou profissional. Esse é o caso da empresária Camila Gregório, 22 anos, que após desenvolver um transtorno sério de ansiedade, decidiu investir em seu próprio negócio e hoje vende refeições veganas com valores acessíveis.

Professora por formação, Camila trabalhava em uma escola particular nos Jardins, região nobre de São Paulo e, apesar da baixa remuneração, gostava do que fazia. “Era professora há um ano mais ou menos, quando fui convidada para ser coordenadora. Aceitei porque considerei uma boa oportunidade e ainda ganharia mais por conta da responsabilidade”, conta.

A promessa de adequação salarial, de acordo com Camila, nunca se concretizou e o que aconteceu na sequência foi uma série de abusos e assédio moral, que desencadearam um sério transtorno de ansiedade na empresária. “Me sentia mal todos os dias, tinha crises de pânico no metrô e tonturas. Estava sofrendo de crises de ansiedade mesmo sem saber exatamente o que era isso”, afirma.

Falta de tato na relação com os funcionários, roubo de ideias e agressões psicológicas eram situações corriqueiras no ambiente de trabalho e funcionaram como estopim para o desequilíbrio emocional de Camila. “Somatizava e chorava muito. Me sentia totalmente insegura e foi aí que a ansiedade atacou, porque tudo que ela precisa é que você se sinta desamparado e sozinho para se desencadear”, avalia.

A reviravolta ocorreu quando Camila decidiu profissionalizar seu amor pela cozinha e sua filosofia de vida, dando origem à Navego Culinária Vegana. “Sou vegana há dois anos, acredito muito no princípio básico da ética: não vou fazer mal aos animais ou roubar seus recursos, como ovos e leite. As pessoas ligam o veganismo ao amor, mas para mim são valores morais. O que eu não faria ao ser humano eu não faço para um animal que não se defende”.

“Minha proposta é oferecer comida boa com ingredientes de qualidade. Uso produtos orgânicos e compro de pequenos produtores. Pela falta de informação nas grandes mídias, muitas pessoas acham que ser vegano é caro. Eu gasto menos com comida vegana do que com carne. Além disso, prefiro ter uma margem de lucro pequena e divulgar mais o veganismo do que deixar meu produto pouco acessível”, explica Camila.

A nova fase profissional, aliada à terapia, fizeram de Camila uma mulher muito mais confiante e hoje as crises constantes de ansiedade já fazem parte do passado. “Eu sempre tive muita dificuldade de socializar e hoje enfrento esse medo pelos meus clientes. Ainda tenho momentos de crise que são desencadeadas por situações pontuais. Ter saído da escola me ajudou, o ambiente corporativo pode ser muito opressor”, afirma.

Camila vê com bons olhos o Setembro Amarelo e toda a mobilização que tem ocorrido nas redes sociais. “Um elogio não vai fazer alguém desistir de pensamentos suicidas, mas pode ser uma ajuda. Transtorno mental não é frescura”.

Fonte: Yahoo

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