Cearenses criam grupo para difundir veganismo e lutam contra vaquejadas

Cearenses criam grupo para difundir veganismo e lutam contra vaquejadas

Uma das ações é contra vaquejadas. “Temos um abuso de animais que serve apenas para entretenimento”, critica integrante

Por Roberta Tavares

Cearenses criaram um grupo que se propõe a difundir o veganismo e lutar, na medida do possível, contra todas as formas de exploração e de crueldade de animais no estado. O “Ceará Vegano” reúne pessoas que se interessam pela temática e organizam ideias e ações para levar ao público.

“A maior parte das decisões é tomada em conversas pelas redes sociais. Estudamos, lemos bastante e organizamos ações para a abolição da escravidão animal”, explica Aline Erthal, membro do grupo, que iniciou as atividades no Facebook em 15 de janeiro. A fanpage conta com mais de 500 curtidas, e as publicações, segundo o grupo, têm a intenção de conscientizar a população sobre a urgência de acabar com a exploração dos animais.

As reuniões de estudo são abertas aos interessados e realizadas de forma presencial, quinzenalmente. “Para que os assuntos sejam discutidos com seriedade e para que todos acompanhem as discussões, disponibilizamos antecipadamente o tema e alguns materiais de apoio. As reuniões acontecem aos domingos, geralmente, às 16h, em um local definido pelo grupo e divulgado na página do Facebook”, afirma.

Além do grupo de estudos, que possui 10 integrantes, ainda é feito um piquenique vegano, intitulado “Veganic”, a cada dois meses. “É sempre ao ar livre, em alguma praça de Fortaleza, e contamos com a participação de pessoas veganas e não-veganas”. No encontro, cada participante leva um prato de comida sem ingrediente animal ou que não tenha sido testado em animais, estimulando que os integrantes se arrisquem na cozinha e aprendam receitas veganas. “Eles podem perceber que colocar a ‘mão na massa’ pode ser uma atividade divertida e livre de exploração animal”, comemora Aline.

O objetivo do grupo é lutar pelo fim das práticas alimentar, esportiva, de lazer ou de trabalho, que usem os animais. “No caso da alimentação, é um fato científico estabelecido que o ser humano não necessita de alimentos de origem animal para ter uma saúde perfeita. Pelo contrário, evidências fortes vêm se acumulando contra o consumo de alimentos de origem animal e a favor de uma dieta de origem vegetal. Entendemos que os animais existem por suas próprias razões e que não nos pertencem. Sendo assim, devem viver livres, sem a nossa interferência”.

Contrários às vaquejadas

Uma das ações do Ceará Vegano é lutar contra as vaquejadas realizadas no estado. A posição dos integrantes é contrária ao uso de qualquer animal para interesse humano. “No caso da vaquejada, temos um abuso de animais que serve apenas para entretenimento humano. Portanto, do ponto de vista moral, a vaquejada não é diferente da rinha de galos, do comportamento de alguém que agride gatos por considerar aquilo divertido, ou do consumo de animais como alimento”.

A campanha do grupo surgiu quando o Supremo Tribunal Federal (STF) retomou o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade referente à lei cearense 15.299/2013, que regulamenta as vaquejadas no Ceará.

A Ação foi apresentada pelo Procurador Geral da União, Rodrigo Janot, porque tenta autorizar algo que já é proibido por lei federal. Segundo o artigo 225, da Constituição Federal, o poder público “deve proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade”.

De acordo com o grupo, a lei promulgada no Ceará é uma tentativa de caracterizar a vaquejada como prática desportiva e cultural, na esperança de que tal classificação seja suficiente para ignorar seu caráter cruel que é proibido constitucionalmente. “Assim sendo, a campanha é para que seja declarada a inconstitucionalidade da lei”.

Petição online

O julgamento ainda não tem data para ser retomado. Enquanto isso, Eduardo Pacheco, sócio-fundador da Associação Brasileira das Advogadas e Advogados Animalistas (Abraa) e membro do Grupo de Estudos de Direitos Animais da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Geda), criou uma petição online, que já conta com mais de 4 mil assinaturas.

O grupo Ceará Vegano atua em conjunto, divulgando a petição online na fanpage. Para eles, tentar mudar a visão das pessoas em relação à vaquejada já é um grande passo. “Se é verdade que animais não podem fazer poesia ou construir prédios, também o é que, em relação à capacidade de sofrer, somos iguais”, conclui Eduardo Pacheco.

Fonte: Tribuna do Ceará

Mais notícias

{module [427]}

{module [425]}

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.