Expointer: a feira da coisificação humana e animal

Expointer: a feira da coisificação humana e animal

Por Ellen Augusta Valer de Freitas

Ellen expointer

A Expointer, evento que começa hoje em Esteio, é a menina dos olhos do Rio Grande do Sul, onde todos se voltam para festejar o sucesso do agronegócio, com a presença dos veículos de comunicação, a propaganda e a divulgação de diversos tipos de produtos. Todos aproveitam o espaço da feira para encantar as milhares de pessoas que por lá passam. O governo se faz presente e é um desfile de autoridades e atrações artísticas.

A Expointer é o maior exemplo de como o ser humano coisifica tudo em função do lucro. Os animais lá expostos valem milhões, boa parte deles recebe um tratamento exemplar, outra boa parte servirá de cadáver para os incontáveis churrascos e há também os que são obrigados a ser exibidos nas feiras,rodeios e outras modalidades de exibicionismo tanto dos que participam quanto dos animais que sofrem as mais diversas formas de agressão.

Ninguém se dá conta disso.Grande parte dos visitantes que pagam ingressos absurdos e lá dentro gastam até R$ 8,00 por um cachorro-quente, por exemplo, está lá apenas para passear, para achar o que fazer, para ver esta ou aquela atração, para exercitar a sua fantasia de “homem do campo”, para encontrar conhecidos e sair do normal. A grande maioria não sabe que está sendo manipulado, incentivado a participar de um jogo onde poucos saem ganhando.

Só para se ter uma ideia, este ano os porcos não estarão presentes na feira. O motivo parece claro, mas não é: para que os porcos não peguem a gripe suína dos humanos!

As notícias de que na grande feira haverá dispositivos de gel para que seus frequentadores façam a sua higiene parece piada, pois sabemos que, embora a higiene seja importante, o H1N1 é transmitido principalmente através do ar contaminado por aquele que tem a doença.

Evitamos boa parte do contágio tendo boa higiene (que é recomendada, afinal, para todo tipo de enfermidade), mas há outras formas de contágio e num ambiente com grande circulação de pessoas fica difícil confiar apenas no gel – que inclusive deve ter uma boa graduação para ser efetivo. Sabemos que a maioria dos desinfetantes com gel tem mais água do que álcool em sua composição.

Ilusões à parte, os animais não são nem lembrados, a menos que isso implique riscos econômicos, como foi o caso de retirar os porcos da feira.

O grande enfoque que se dá ao fato de que comer carne de porco não causa mal nenhum não contamina o consumidor com H1N1 (ou Gripe Suína, nome que não é nem um pouco agradável aos criadores de porcos!) é um bom exemplo de que as informações são passadas apenas pela metade. Mesmo que ao consumir a carne não se contraia a doença, deveríamos ser informados que a Gripe Suína surgiu numa grande indústria de criação de porcos, mantida por uma corporação multinacional americana em Veracruz, México. Neste local onde os animais são confinados e estressados pela vida miserável que levam, recebem bombas de antibióticos e outros medicamentos até mesmo proibidos por lei, e desenvolvem enfermidades que podem sofrer mutações e ser transmitidas ao homem.

Juntando A+B, quem tem um neurônio que funcione em seu cérebro pode vir a se dar conta de que as condições de todos os criadouros de porcos podem ser as mesmas, senão piores. Que ao consumir esta carne, ou qualquer outra (visto que os animais são criados da mesma forma), estarão contribuindo para um grande número de enfermidades novas e incuráveis. Já sabemos pela AIDS (vírus que surgiu da mutação de um tipo de vírus presente no chimpanzé – notem a coincidência – e até hoje ninguém sabe exatamente em que condições o vírus surgiu, se foi na exploração de animais de laboratório ou pelo contato do animal com humanos) que vírus sofrem constantes mutações e a cura torna-se praticamente impossível.

A grande quantidade de esterco que a suinocultura libera é um número astronômico diário, com o qual os criadores não sabem o que fazer, ou nem mesmo se interessam em fazer algo. O número cresce a cada dia, e a velha ideia de adubar a terra com esterco funciona no quintal, mas essa quantidade infinita de esterco vem sendo responsável pela poluição de mananciais de água, poluição do ar e outras consequências…

A humanidade não quer mudar seus hábitos de maneira alguma, esta é a verdade. E quer iludir-se com a farsa da “cultura”, que na verdade é um mesclado de interesses, um mosaico de arremedos que nada tem a ver com a realidade da população gaúcha.

Amanhã, na frente da Expointer, ocorre a manifestação do Grupo Vanguarda Abolicionista – VAL, que pretende mostrar aos visitantes o outro lado da criação de animais, ligada a muitos males da humanidade como a fome e doenças diversas, incluindo a Gripe Suína, e degradação ambiental, como o aquecimento global, desmatamento, poluição da águae demais tipos de poluição que a pecuária provoca, mas que ninguém divulga com medo das forças que movem este poderoso negócio.

O grupo estará na frente da Expointer das 10 horas até o final da tarde, distribuindo panfletos e materiais cedidos pela entidade da Alemanha Vida Universal que está apoiando este manifesto.

Fonte: ANDA (publicado originalmente em 29/08/2009)


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