Exterminador com eficiência letal enfurece ativistas na Holanda

Exterminador com eficiência letal enfurece ativistas na Holanda

Tradução de Alice Wehrle Gomide

Holanda exterminadorgansos

O chiado do gás, liberado por Arie den Hertog na parte de trás de sua van branca, sinaliza o início do massacre. As vítimas, amontoadas dentro de uma selada caixa de madeira no estilo de um caixão, grasnavam enquanto tentavam respirar. Então, após somente dois minutos, elas se calaram.

Olhando o timer em seu celular, Hertog declarou a tarefa cumprida. “Agora está tudo acabado”, ele orgulhosamente disse sobre seu trabalho macabro e eficiente, em um lindo dia de sol abaixo de uma fileira de árvores na margem do rio Lower Rhine.

Descrito como um nazista pelos ativistas de direitos animais, mas considerado um herói pelos fazendeiros holandeses, Hertog, 40 anos de idade, é o inigualável expert holandês na teoria e prática de matar uma grande quantidade de gansos-bravos.

Em seu recente passeio por Wijk bij Duurstede, um vilarejo da região de Utrecht, ao sudeste de Amsterdam, ele matou 570 gansos selvagens em sua câmara de gás portátil, equipada com dois grandes cilindros de dióxido de carbono. Isso elevou seu número de mortes para mais de 7.000 por semana. “Não é agradável, mas deve ser feito”, ele disse sobre seu trabalho.

As autoridades holandesas também insistem que isso deve ser feito. Eles pagam Hertog para impedir a crescente população de gansos de devorarem a grama nos pastos para vacas e voarem em direção dos aviões que decolam do Aeroporto Schiphol, de Amsterdam, um dos principais da Europa. Ele é a desagradável resposta para o que se tornou um problema em grande escala na Holanda.

As populações de gansos dispararam, impulsionadas por uma proibição de caça de 1999; o aumento do uso de fertilizantes ricos em nitrogênio pelos fazendeiros, o que os gansos aparentemente amam; e a expansão das áreas de proteção. Essa combinação, somada a uma abundância de rios e canais, transformou o país em um paraíso para os gansos, disse a Drª Julia Stahl, líder de pesquisa do Sovon, um grupo que monitora a população de aves selvagens na Holanda.

As aves que costumavam retornar ao Ártico russo e a outros lugares no verão estão cada vez mais ficando por lá. A Drª Stahl estima que os gansos-bravos, que estariam morrendo na Holanda nos anos 70, agora fazem parte de 75% da população de aves, que pode chegar a 800.000 no verão e dobrar no inverno.

Contanto que os ativistas não interrompam o uso do gás, Hertog disse, os passageiros do Aeroporto Schiphol não precisam se preocupar se seus pilotos terão as mesmas habilidades que o capitão Chesley B Sullenberger III, da US Airways, que conseguiu aterrissar no rio Hudson em 2009 após gansos destruírem as turbinas do seu avião.

“Se eu posso fazer o meu trabalho, os pilotos não precisam se preocupar com o deles”, Hertog disse.

A ameaça à segurança aérea que os gansos representam garantiu o primeiro grande trabalho de Hertog em 2008, um ano após a aterrisagem no rio Hudson, quando ele conseguiu um contrato com o governo para utilizar sua câmara de gás caseira. Até então, sua companhia de controle de pragas estava focada em tarefas mais convencionais, como livrar as casas e escolas de pombos, toupeiras, raposas e outras pestes.

Sendo excelente para seus negócios, o contrato com o aeroporto também fez com que ativistas prestassem atenção a Hertog, o acusando de reviver métodos nazistas de massacre, e começando uma série de ações judiciais para impedir seu trabalho.
Ativistas do Animal Liberation Front invadiram seu escritório, colocando fogo em um cômodo dos fundos e pichando palavras abusivas em suas paredes. Ninguém foi preso.

Com seu escritório e casa adjacente desde então equipados com câmeras de segurança e uma cerca para afastar os intrusos, Hertog espera que o pior tenha passado, mas ainda se preocupa com as cartas cheias de ódio.

“Você é como os nazistas na guerra”, dizia um e-mail recente e sem assinatura. “Espero que você pegue uma doença fatal e morra lentamente”.

O abuso, ele disse, o chateou, mas foi compensado por “todos os fazendeiros felizes que gostam do que estou fazendo”.
“Eu já fui chamado de tudo quanto é nome”, Hertog disse, vasculhando uma pasta preta cheia de mensagens abusivas. “Sou chamado de nazista quase todos os dias”.

Bart Krol, o vice-governador da região de Utrecht, responsável pela diretiva dos gansos, disse que ele também recebe cartas de ódio pelo seu papel como o “ministro dos gansos” da região. Ele disse, “não gostei de ter dado permissão para matar os gansos, mas eu sou responsável por implementar a diretiva que nossa democracia decidiu para lidar com este problema”.

Drª Stahl, a pesquisadora de aves, disse que não se opõe à redução do número de gansos, mas não acredita que o uso de gás realmente funciona como uma forma de controle populacional.

As comparações com as ações nazistas causaram um “soco emocional” tão forte, que o governo por um tempo parou de apoiar os métodos de Hertog.

Mas o trabalho cresceu muito desde uma decisão de 1º de junho tomada pela Agência Europeia de Produtos Químicos, para formalmente aprovar o uso de dióxido de carbono como biocida, uma norma que terminou com as dúvidas sobre a legalidade do método de Hertog.

“Muitas pessoas são muito emotivas sobre animais”, Hertog disse, zombando do que ele descreveu como atitudes sentimentais moldadas pela vida urbana moderna. “Eles os dão nomes e acham que são humanos. Mas a natureza em si é muito dura. Quando uma ave fica doente, uma raposa a vê e a mata imediatamente. Mas se os humanos a veem, querem levá-la ao hospital”.

Desde que ele começou em 2008, Hertog estima que já matou mais de 25.000 gansos ao redor do Aeroporto Schiphol, e de 50.000 a 60.000 no total. Todas as aves foram doadas para um açougueiro em Amsterdam especialista em ganso.

Após o tumulto inicial sobre seus métodos, Arie den Hertog foi impedido de usar dióxido de carbono e teve que recorrer a outras opções, como tiro, ou, em algumas ocasiões, usando um martelo.

“Foi muito feio, com sangue para todos os lados”, disse Hugo Spitzen, um guarda-florestal de uma área de conservação, que assistiu ao massacre sem o uso do gás.

O uso do gás, Spitzen disse, foi visto como um problema de relações públicas porque “o elo com a Segunda Guerra Mundial é muito difícil”, mas foi “muito melhor porque não teve sangue, não teve pânico e leva só cerca de um minuto”.

A operação completa leva horas. Para garantir que os gansos não voem, Hertog limita suas atividades durante o período de troca de penas, umas poucas semanas durante o ano quando eles trocam as penas velhas de suas asas. Sem poderem voar, eles se juntam na água para se protegerem de predadores.

Em pequenos barcos, Hertog e Spitzen se aproximaram dos gansos que relaxavam em um canal do rio Lower Rhine, em direções opostas, com o objetivo de conduzi-los para a margem do rio, onde Hertog, seu filho e outros ajudantes colocaram uma espécie de funil para canalizar os gansos para a câmara de gás.

Alguns deles, como se sentissem sua condenação, de repente foram tomados por um pânico selvagem, e de alguma forma conseguiram voar, fugindo antes que seja tarde demais com suas asas escassas.

“Eu amo gansos. Eles são muito inteligentes”, Hertog disse, contando que quando garoto era fascinado por capturar animais na zona rural e passou anos aperfeiçoando seu método de extermínio de gansos.

“Eu estou sempre aberto a sugestões sobre como fazer isto melhor”.

Fonte: Today Online

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