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Extermínio de animais em canil municipal revolta moradores de São José do Rio Preto, SP

Por Raul Marques

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A morte de 19.089 animais (16.822 cachorros e 2.267 gatos) no Centro de Controle de Zoonoses de Rio Preto, entre 2006 e 2014, causou comoção entre os leitores. A reportagem sobre o tema foi publicada domingo e motivou acaloradas discussões, debates sobre responsabilidades e teses que apontam soluções para o problema. Até o final da tarde de ontem, 400 pessoas se manifestaram nas redes sociais do Diário Web. Só na página do jornal no Facebook, houve 75 mil visualizações da notícia, cujas informações foram escondidas durante três meses pela Prefeitura. A reportagem foi compartilhada por 405 internautas e curtida por 740.

Embora a quantidade de eutanásias esteja em queda, as estatísticas revelam que ainda existem dois problemas graves: há pessoas que abandonam animais na rua por motivos como doença, velhice e deficiências físicas e também faltam políticas públicas consistentes e infraestrutura, o que poderia ter evitado parte dessas mortes. A internauta Vivi Costa defende que Rio Preto promova ampla campanha para incentivar a tutoria responsável de animais. “Precisa ter um sistema de denúncia de maus-tratos eficiente. Nunca gostei do Zoonoses. Temos de cobrar mais ainda da Prefeitura um novo centro, que seja adequado.”

Já Susana Beatriz diz que não falta verba pública para resolver a questão. “Se a Prefeitura pegasse o dinheiro que gasta para sacrificar os animais indefesos no Zoonoses e fizesse campanhas para castração de graça, acabaria essa desumanidade.” Para Jean Mourão, falta consciência para quem abandona bichos de estimação. “Se as pessoas cuidassem, esse numero (de mortes) seria menor. Eu tirei três cachorros da rua. Cuido como se fossem meus filhos.”

“Ninguém quer adotar, muito menos um vira-lata. Pessoas pagam absurdos por cachorros de raça. Tem gente que solta o animal e não pensa. Espero que cada um que faz isso pague, porque é um pecado muito grande. O problema é o ser humano”, afirma Edilaine Guimarães. A Prefeitura de Rio Preto trata a questão como uma verdadeira caixa-preta. O Diário havia solicitado as informações havia três meses, com base na Lei de Acesso à Informação. Mesmo assim, o município recusava-se a fornecê-las. Os dados só foram repassados após intervenção do Ministério Público, que instaurou um inquérito civil público para apurar suposta improbidade administrativa pelo descumprimento da lei.

A secretária municipal de Saúde, Teresinha Pachá, declarou que a pasta começou a reorganizar o centro de zoonoses em 2009. “Só ocorrem eutanásias hoje em caso de doença, com laudo de veterinário e uso de anestesia.” Ela, no entanto, não autorizou a entrada da reportagem na repartição durante a execução da reportagem na semana passada.

Teresinha afirmou que quer disparar neste mês a licitação para construir o novo Centro de Zoonoses de Rio Preto, no bairro Sete Sul. O espaço terá 745 metros quadrados. Enquanto a obra não sai do papel, pequenas melhorias foram feitas no atual centro de zoonoses. Nada, porém, capaz de resolver o problema de forma definitiva.

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Fonte: Diário Web

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