Falta de habitat leva animais silvestres à zona urbana de Uberlândia, MG

Falta de habitat leva animais silvestres à zona urbana de Uberlândia, MG

Segundo PM, em 2015 foram feitas 414 capturas; em 2016 mais de 249. Veterinário diz que algumas espécies do cerrado estão em extinção.

Por Lais Vieira

A intervenção e a ocupação humana na zona rural, aliadas à expansão da agricultura e pecuária, afetam diretamente a biodiversidade, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Tais ações têm reflexos em cidades como Uberlândia, que tem como característica o cerrado.

De acordo com a Polícia Militar de Meio Ambiente, no município, diariamente, animais silvestres são recolhidos na zona urbana e apreendidos de cativeiros. Conforme os registros, em 2015 foram recolhidos 414 animais em Uberlândia, entre aves, mamíferos e répteis. Até junho de 2016 foram recolhidos 249 animais.

Em relação à apreensão de animais em cativeiros, a PMMA informou que no ano de 2015, cerca de 444 animais, entre aves, mamíferos e répteis, foram capturados pelos militares. Já no primeiro semestre de 2016, foram 49 animais.

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Segundo o veterinário André Luiz Quagliatto, coordenador do Laboratório de Ensino em Animais Silvestres (Lapas) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), isso é reflexo principalmente da falta de alimentos nos ambientes naturais.

Ele aponta que o cerrado é o bioma que tem a maior diversidade animal, mas várias espécies emblemáticas como o tamanduá-bandeira e o lobo-guará estão extremamente ameaçadas de extinção. “Uma das causas disso, é a falta de suporte que os animais passam nos ambientes em que vivem, devido ao avanço das fronteiras agrícolas agropecuárias”, afirmou.

Para o ambientalista Eduardo Bevilaqua, a escassez de área de vegetação nativa e preservação permanente faz com que os animais acabem saindo de seus ambientes naturais em busca de alimento e abrigo. Nos últimos meses, por exemplo, o G1 mostrou o resgate de um ouriço-cacheiro, uma capvara no Bairro Roosevelt, um tamanduá-bandeira em quintal de uma casa, além de uma raposa, um ouriço e uma ave jandaia. Um vídeo também foi feito mostrando o trabalho da polícia durante a captura de tamanduá-mirim na TV Integração.

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Em casos assim, a PMMA é acionada juntamente à equipe do Lapas para fazer o resgate e, posteriormente, devolver o animal à seu ambiente natural.

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Conforme Quagliatto, um ponto importante a ser discutido a respeito do tema é o processo de extinção de algumas espécies de pequeno porte, principalmente invertebrados que fazem parte da alimentação de animais de grande porte, como por exemplo, do tamanduá-bandeira e do tamanduá-mirim. Esse processo de extinção que é causado principalmente por desmatamentos e queimadas, prejudica a cadeia de sustentabilidade da vida do cerrado.

“A gente perde essa população toda de invertebrados que são a base da cadeia alimentar de sustentação desses animais. O que eles vão fazer sem alimento ali? Vão migrar para outros lugares. Existe uma cadeia alimentar e uma cadeia de sustentação dessa fauna toda silvestre do cerrado e a gente tem que observar isso”, explicou.

Possível solução

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Ainda de acordo com o veterinário Quagliatto, na tentativa de recuperar parte da fauna do cerrado, algumas iniciativas de preservação e de recomposição são feitas, como por exemplo, a recuperação da mata ciliar ao longo dos cursos d’água, que segundo o veterinário, são importantes para que a fauna volte aos ambientes naturais.

“Na natureza existe um fenômeno muito interessante, desde que algumas matérias não estejam extintas e desaparece definitivamente, você recompõe e retorna a ocupação Desse ambiente, não aquele original”, disse Quagliatto.

O ambientalista Bevilaqua também explica que a criação de corredores ecológicos como formas de conexão entre reservas, ajudaria na preservação deste animais no ambiente natural. Ele diz ainda que áreas de preservação permanentes também podem atuar nesse sentido.

Fonte: G1

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