Família vegana consome 80 kg de frutas por semana em Ribeirão Preto, SP

Família vegana consome 80 kg de frutas por semana em Ribeirão Preto, SP

Mãe, filhos e genro não comem nenhum alimento de origem animal. No cardápio, há até feijoada adaptada, com ingredientes substituídos.

Por Amanda Pioli

SP ribeiraopreto veganos1 1

Neste sábado (1º) foi celebrado o Dia Mundial do Veganismo, filosofia que defende um estilo de vida totalmente livre da exploração animal. Pessoas que adotam essa prática tiram de sua dieta qualquer comida de origem animal, desde carnes a outros alimentos que, por exemplo, levem em sua composição leite ou ovo. Na família da terapeuta vibracional Inês Telma Tuma Citelli, de Ribeirão Preto (SP), dois de seus três filhos e seu genro optaram pelo veganismo e adaptaram a dieta. Na casa dela, são consumidos mais de 80 quilos de frutas por semana.

Sendo vegetariana há 21 anos e vegana há 10, Telma afirma que nunca se arrependeu do hábito. “Eu trabalho com energia há muitos anos e a alimentação só de vegetais é muito mais pura, muito mais leve, e o resultado é excelente”, diz. Além de vegana, ela não consome açúcar nem farinha branca e segue uma dieta crudívora – que não passa por nenhuma forma de cozimento – e livre de produtos industrializados. O veganismo não se define pela restrição alimentar, mas pela substituição de alimentos. A intenção dos adeptos desse tipo de dieta é melhorar a saúde e o corpo, além de ajudar na preservação do meio ambiente e do bom cuidado dos animais.

Segundo Telma, todos os alimentos excluídos da dieta possuem algum tipo de equivalente no mundo vegetal, permitindo que várias receitas possam ser realizadas de forma adaptada. Esse é o caso do leite de vaca que, normalmente, é substituído pelo leite de castanha de caju. Embora possua um gosto mais forte, ele tem o mesmo efeito em bolos e tortas. “Você acostumou que o que tem leite e ovo é muito mais saboroso. Então é uma mudança no paladar. Mas muda. E você começa a achar tudo mais gostoso”.

SP ribeiraopreto veganos4Feijoada vegana

Na sexta-feira (31), Telma convidou a equipe de reportagem do G1 para acompanhar um jantar na casa dela. No cardápio, vinagrete, salada de folhas, couve, farofa e o principal: feijoada. Em uma receita 100% vegana, o prato foi elaborado com feijão preto, salsicha de soja, proteína de soja, cenoura, além de vários temperos, como alho, cebola e ervas. Livre de gorduras, a feijoada tem quase o mesmo sabor da original, mas é mais saudável.

“No começo eu fazia soja e tinha que jogar tudo fora, nem eu conseguia comer. Agora tudo que eu faço de soja fica um prato gostoso. Eu demorei a acertar uma receita boa. Mas eu fui insistindo. Até que ficou muito legal, como essa feijoada. É questão de capricho”, afirma Telma, que conquistou os outros integrantes da família.

Família

A mãe da família diz que nunca obrigou seus filhos a seguirem a dieta, mas dois deles fizeram a escolha e também adotaram um padrão mais saudável para suas vidas. “Eu não gostava de carne desde criança. Em um aniversário, eu simplesmente me toquei que o que eu estava comendo eram animais. Antes não tinha feito a ligação. Desde então eu nunca mais comi carne. Nessa época só minha mãe tinha parado”, lembra Rafaella, de 26 anos. Já são 15 anos sendo vegetariana e um ano vegana.

Ela confessa que não é fácil adotar esse estilo de vida e que foi preciso incentivo para insistir. “No começo, você não consegue encontrar nada e você não come nada. Porque tudo que tem no supermercado, na padaria, no posto de conveniência tem derivados de animais no meio. Foi superdifícil. É uma transição de mundo. Até eu descobrir onde eu podia comprar foi complicado. Mas agora a gente já tira de letra”, afirma a jovem.

SP ribeiraopreto veganos2A mudança na alimentação também pode pesar no bolso, já que a compra sai mais cara, revela Telma. “Fica mais caro, porque eu gasto muito com fruta e verdura fresca, com castanhas, só que, ao mesmo tempo, não se gasta com pizza, com lanche, comendo fora. Então, no dia a dia fica mais caro, porque todos os dias eu vou fazer compra, mas comer bem para mim vale à pena”.
Miguel Citelli, pai da família, revela que são consumidos 80 quilos de fruta por semana em sua casa. “Toda semana eu compro banana, maça, laranja, mamão. Essas são o nosso arroz e feijão. E nós damos preferências para as frutas da época. Por exemplo, agora é manga”, conta. Já verduras e legumes são comprados todos os dias, para que sempre permaneçam frescos. Além deles, os alimentos mais consumidos na casa são broto de feijão, soja, tofu, grão de bico, brócolis, couve-flor e cabotiá.

Embora seja o “diferente” da família, já que nunca adotou o vegetarianismo nem o veganismo, Citelli garante que se acostumou com a alimentação da família e come carne, normalmente, só aos finais de semana. Renato, o caçula da família, também é carnívoro, embora tenha sido vegetariano por seis anos.

Há um ano, foi a vez do designer Rafael Santaella, 28, namorado de Rafaela, também entrar para o grupo. Desde que adotou o estilo, ele conta que passou a dormir melhor e em apenas cinco meses, emagreceu 14 quilos. “E olha que eu como bem. O melhor também é que eu não sinto falta de nada. Não tenho vontade de voltar à vida de antes”, diz.

Prós e contras

Segundo a nutricionista especialista em metabolismo, Andresa Marques de Mattos, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto (FMRP-USP), a dieta pode trazer benefícios, principalmente ao coração. “Através dos estudos que temos até hoje, a dieta vegana mostra ganhos para a saúde cardiovascular por conta da redução das gorduras saturadas e permite a redução de peso corporal, que elimina a obesidade e o sobrepeso”, explicou.

SP ribeiraopreto veganos3Além disso, pesquisas afirmam que adeptos do veganismo tem menor risco de desenvolver algum tipo de câncer. “Já foi testado que pacientes que são vegetarianos restritos ou veganos, comparado aos pacientes que comem carne, têm um menor risco de desenvolverem qualquer tipo de câncer. E em relação à taxa de mortalidade, causada pelo próprio câncer, foi mostrado também que eles possuem um menor risco de morrer”, relatou Andresa. Isso se deve, principalmente, ao aumento do consumo de frutas, verduras e legumes, que são alimentos ricos em vitaminas antioxidantes e fibras, que combatem as células que possuem alguma alteração e podem desencadear o câncer.

Entretanto, quem segue a dieta pode ficar vulnerável a alguns problemas de saúde, de devido à falta de vitaminas específicas presentes nas carnes, no leite e nos ovos. Um exemplo é a vitamina B12, essencial para o metabolismo normal das células, da medula óssea e do tecido nervoso. Segundo a nutricionista, essa vitamina não é encontrada na dieta de muitos veganos, que acabam sofrendo de anemia megaloblástica, quando as células crescem demais antes do tempo, ou de neuropatia, que é a desmineralização das fibras nervosas.

Fonte: G1 

Nota do Olhar Animal: Incorreto dizer que faltam “vitaminas” (no plural) na alimentação vegana, como indicado na matéria. A única que falta é a citada B12 e pode ser perfeitamente suplementada.

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.