Farristas espancam professor aposentado e dois filhos adolescentes em Florianópolis

Farristas espancam professor aposentado e dois filhos adolescentes em Florianópolis

A Páscoa para o professor de educação física aposentado, César de Medeiros Régis, 63 anos, tinha tudo para ser mais uma comemoração em família, se não fosse a ação de três pessoas. Eles invadiram a casa e agrediram o professor e seus dois filhos, Iago, 14, e Rafaela, 10. Os agressores participavam de uma farra do boi, próximo a casa de Régis, no Pântano do Sul (Sul da Ilha), e cismaram que o professor teria chamado a Polícia Militar. “Um deles levantou Rafaela pelos cabelos e a lançou a uns três metros de distância. O outro meu filho, Iago, também foi brutalmente agredido na cabeça”, denunciou, enquanto mostrava as marcas de agressão no rosto, nos olhos e na cabeça. 

Ontem à tarde, o professor passou na 2ª DP dos Sacos dos Limões e na 6ª DP (Delegacia de Proteção à Mulher, Criança e Adolescente), ambas em Florianópolis, para denunciar os agressores. Régis reclamou para a delegada Ester Fernanda Coelho, da 2ª DP, que a casa localizada na rua José Belarmino da Silva, acesso à praia dos Açores, foi invadida por um grupo de farristas enfurecidos, que teriam entre 23 e 26 anos.

A invasão seguida de espancamento ocorreu na madrugada de sábado. No domingo, Régis procurou as lideranças do bairro e os comerciantes. Ele pedia apoio para denunciar os agressores. “As pessoas têm medo deles. Mas eu vou até o fim. Sou da paz, não quero violência”, afirmou. O professor disse que vai processar os acusados na esfera criminal e civil, com indenização.

Régis lecionou por muitos anos na Escola de Educação Básica Getúlio Vargas, no bairro Saco dos Limões. Ele também foi professor e diretor do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina.

Cozinheira tentou impedir pancadaria

Quando fala nas agressões sofridas pelos filhos, César de Medeiros Régis se emociona. Ele chamou Rafaela e Iago, que moram com a mãe em outro endereço, para passar a Páscoa com ele. “Iago trouxe um amiguinho. Fiz churrasco. Estávamos todos felizes”, disse.

Perto da meia-noite, o professor entrou para assistir tevê, enquanto as crianças pediram para ir à farra do boi, que ocorria num campinho de futebol, a 200 metros dali. Em seguida apareceu a Polícia Militar, que dispersou os farristas.

As crianças retornaram para casa. Régis fechava o portão quando foi interpelado pelos três agressores. Ele contou que nem terminou de falar quando um deles jogou a bebida de uma garrafa nele. “Em seguida atiraram o litro em mim, mas consegui me esquivar”, afirmou.

Na sequência, cerca de 15 homens forçaram o portão e invadiram a propriedade. “A cozinheira de um restaurante tentou impedir a pancadaria. Eu a ouvia pedindo para eles pararem, depois não escutei mais nada. Fui apanhando até a sala”, contou.

Os filhos de Régis tentaram correr, mas não conseguiram. O professor agradece a intervenção da cozinheira que corria atrás dos agressores suplicando para eles pararem. “Se não fosse esta mulher acho que eles teriam me matado”, disse.

FARRA DO BOI: Lei federal proíbe atividade

A farra do boi foi proibida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 1997.

Lei determina pena de um a três anos pela prática de maus-tratos contra os animais.

Três anos depois, a Prefeitura de Governador Celso Ramos fez um projeto de lei tentando regularizar a lei federal, enquadrando-a como patrimônio cultural do município, mas não obteve êxito.

Fonte: Notícias do Dia

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