Favoráveis e contrários aos rodeios vão à Câmara na 2ª, em Jaú, SP

Favoráveis e contrários aos rodeios vão à Câmara na 2ª, em Jaú, SP
Vaqueiros protestam, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, contra a proibição da vaquejada no País MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

Um dos assuntos mais polêmicos da atual legislatura está de volta à Câmara de Jaú: a proibição da prática de rodeios em exposições e outros eventos no Município. Três anos após a vedação das competições, o Poder Legislativo discute novo projeto, que tenta liberar este tipo de montaria. A matéria pode “lotar” a próxima sessão da Câmara, para a qual já se articulam os dois principais grupos envolvidos: o de entusiastas dos torneios e o de ativistas da causa animal.

A iniciativa é do vereador Fernando Henrique da Silva (PSB), que por enquanto conta com o apoio informal de nove legisladores – que representam a maioria da Casa. Estima-se, contudo, que a pressão em cima dos representantes seja grande até a próxima segunda-feira, o que não dará maioria confortável a nenhum dos lados.

Segundo Fernandão, a volta das provas veio de demanda de segmentos da sociedade que não concordam que há maus-tratos aos animais nestes encontros. “Conheço peões e pessoas que fazem montaria, fui conhecer fazendas e a gente não vê nada de maus-tratos”, afirma o legislador, que é contra outras atividades como a pega do garrote, também proibida em Jaú.

O autor do projeto critica a atuação da Associação Agropecuária da Região de Jaú, responsável pela Expojaú. Em sua avaliação, a principal entidade interessada nas provas se envolveu pouco após a proibição.

O diretor de eventos da associação, Sérgio Amauri Sartori, discorda – ele menciona que procurou os vereadores quando a prática foi proibida, em 2013. Ele é a favor da volta das competições, responsáveis, de acordo com ele, por 60% do público e do faturamento da exposição.

O dirigente lamenta que as discussões não incluam membros da associação, de entidades protetoras e veterinários, que poderiam colaborar com o debate. “Não adianta apenas voltar o rodeio, sem apoio para se realizar o evento”, comenta.

Posicionamento
 
O presidente da Associação Protetora dos Animais de Jaú (Apaja), Fábio Arakaki, afirma que o grupo vai se mobilizar para pedir a derrubada do projeto. “Não dá para dizer que o rodeio é cultura, porque não há cultura em judiar dos bichos”, defende. “A tendência disso é cair por terra.” Arakaki comenta que, se as atrações com bichos fossem protagonistas das exposições, aconteceriam depois dos shows – e não antes, como ocorre na maioria das vezes.

O vereador eleito com mais votos para o próximo mandato, Guto Machado (PHS), voluntário na Apaja, considera a medida um retrocesso. “É possível fazer uma Expo legal com shows e exposições. A gente quer evoluir a cidade, e o rodeio é um retrocesso.”
A reportagem não conseguiu contato com Charles Sartori (PMDB), autor da lei original que proibiu as provas.

Por João Guilherme D’Arcadia

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