FDA sob pressão para acabar com as pesquisas de drogas em animais, a começar pelos cachorros

FDA sob pressão para acabar com as pesquisas de drogas em animais, a começar pelos cachorros

Defensores dos direitos dos animais exigem que a FDA –  Food and Drug Administration (Administração de Alimentos e Drogas) pare os testes em cachorros nos protocolos de desenvolvimento de drogas e crie um caminho para os métodos de pesquisa livres de animais.

Mais de 60.000 cães em cerca de 350 laboratórios nos Estados Unidos são usados para testes e pesquisas, mais comumente para produtos como drogas, pesticidas e dispositivos médicos, de acordo com a Humane Society dos Estados Unidos.

Em um painel de discussão no fim do mês passado no Longworth House Office Building, Kathleen Conlee, vice-presidente de questões de pesquisa animal da Humane Society, disse que os animais são geralmente pobres presas da segurança humana e sofrem e passam por testes desnecessários.

“Eu acho que pessoas se preocupam com a saúde humana e animal, e nós não temos que escolher um ou outro”, Srta. Conlee disse. “Nós não deveríamos confiar nos animais e deveríamos em vez disso usar abordagens humanas mais relevantes”.

Ela disse que mais de 90% das drogas testadas em animais acabam por falhar em testes humanos.

“Agora as tecnologias têm se desenvolvido de forma incrível. Ao avançarmos, nos concentramos na substituição. Vamos nos afastar do uso de animais por completo”, Srta. Conlee disse.

Novas drogas devem ser submetidas a uma fase de desenvolvimento não clínico, que às vezes envolve testes em animais, a fim de obter uma aprovação pela FDA.

Elizabeth Baker, diretora do programa de políticas farmacêuticas do Comitê de Médicos para Medicina Responsável, disse que muitos dos testes em animais usados hoje foram desenvolvidos em 1960, antes dos avanços científicos modernos surgirem. Muitos dos testes foram amplamente conduzidos por políticas antiquadas.

O Ato de Bem-estar Animal de 1966 regula a habitação e transporte de animais de pesquisa, mas não os experimentos realizados neles, de acordo com o site educacional sem fins lucrativos ProCon.org. A lei exige que cada instalação de pesquisa crie um comitê com três membros focados nos cuidados e uso dos seus animais.

Várias agências têm anunciado planos para reduzir os testes em animais. A Agência de Proteção Ambiental disse em setembro que irá eliminar gradualmente os testes em animais até 2035. No início deste ano, o Departamento de Agricultura disse que iria parar de usar gatos adultos e filhotes nos experimentos de pesquisas.

Mas os defensores dos direitos dos animais dizem que grandes mudanças no desenvolvimento de drogas e testes em animais não irão acontecer, a menos que as diretrizes da FDA mudem.

Em novembro passado, o então Comissário da FDA, Scott Gottlieb, disse que a agência apoia a diminuição dos testes em animais.

“A FDA americana está comprometida com o bem-estar animal em pesquisas, reduzindo, recolocando e/ou refinando o uso de animais em pesquisas sempre quando for possível”, disse Dr. Gottlieb, ao apontar para um estudo que poderia oferecer um modo para os desenvolvedores de drogas conduzirem certos tipos de pesquisa sem usar cachorros.

O estudo envolve um pequeno número de cães que seriam objeto para “amostragem de sangue minimamente invasivo” e adotados como animais de estimação na conclusão de um teste curto. Isto eliminaria a necessidade de usar cachorros em testes específicos de estudo, alguns em que, de outra forma, seriam eutanasiados.

Entretanto, a FDA disse que os testes em animais ainda são necessários em muitas áreas.

“Os testes sem animais ainda não são uma opção cientificamente válida e disponível”, disse a agência no seu website.

A Srta. Conlee da Humane Society disse que a FDA é a autoridade sobre os testes em animais. Ela disse que o Congresso poderia pressionar a agência, e empresas de drogas poderiam recusar a seguir seus protocolos de testes em animais.

Uma empresa de drogas que está resistindo às diretrizes da FDA sobre pesquisa animal é a Vanda Pharmaceuticals. A empresa se recusou a conduzir um estudo de toxicidade em não roedores, que tipicamente usa filhotes de beagle para testar uma droga que já foi liberada em humanos, disse A.J. Jones II, chefe dos assuntos corporativos e responsável pelas comunicações da Vanda.

“O FDA exige que os estudos em animais, incluindo o estudo de toxicidade de nove meses em não roedores, têm sido considerados rotina na indústria farmacêutica por décadas, a despeito do corpo crescente de evidências que desacreditam o valor científico desses estudos”, disse a Vanda em uma carta aberta para a FDA. “Por esta razão, as empresas de drogas normalmente conduzem os estudos por reflexo, sem desafiar a FDA”.

“A FDA tem contado com a complacência da indústria há muito tempo”, a carta diz. 

A Vanda apresentou uma queixa contra a FDA em fevereiro para pedir a um tribunal para retirar uma suspensão clínica parcial que a agência impôs para proibir a empresa de estudar a nova droga em humanos por mais de 12 semanas sem conduzir os estudos em animais.

A FDA disse que os animais., às vezes, são usados para testes de drogas, vacinas e outros dispositivos biológicos e médicos, principalmente para determinar a segurança de produtos. Para drogas e biológicos, usa-se testes em animais para estudar a natureza da droga, química, efeitos e dano potencial para o corpo.

Para os dispositivos médicos, o foco dos testes em animais é a habilidade do dispositivo de trabalhar com tecido vivo sem prejudicar o mesmo. Mas, muitos dos dispositivos usam materiais tais como cerâmica ou aço inoxidável que não são compatíveis com tecidos humanos e não requerem os testes em animais. 

Por Shen Wu Tan / Tradução de Fátima C G Maciel 

Fonte: The Washington Times


Nota do Olhar Animal: Cães são tão sencientes quanto ratos. Não deveria haver essa prioridade para eles, todos os animais devem ser protegidos contra o massacre promovido pelos que os usam em testes.

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