Fechamento do Ibama prejudica resgate de animais em Pouso Alegre, MG

Fechamento do Ibama prejudica resgate de animais em Pouso Alegre, MG

Serviços na unidade estão suspensos desde junho, segundo o instituto. Escritório era referência para 99 cidades do Sul de Minas.

A unidade Pouso Alegre (MG) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) está fechada desde junho. O órgão era referência para outras 98 cidades na região há 22 anos, que agora encontram dificuldades na hora de resgatar e encaminhar animais silvestres para seu habitat natural.

“[O Ibama é necessário] Principalmente na captura dos animais e na destinação desses animais. Agora a gente vai ter que buscar algumas parcerias público-privadas para os animais que precisam de algum tipo de encaminhamento de saúde até o encaminhamento final para sede [do Ibama] mais próxima, em Lavras [MG], ou para os centros em Belo Horizonte [MG]”, explica tenente da Polícia Ambiental de Pouso Alegre, Carlos Henrique Alves.

Segundo o tenente, sem o auxílio do Ibama, a polícia não conseguiria cuidar sozinha da captura de uma animal como a onça suçuarana, resgatada em um bairro de Borda da Mata (MG) no dia 30 de junho. O atendimento foi mais rápido porque funcionários do instituto, que ainda estão na cidade resolvendo questões administrativas, se dispuseram a colaborar com a polícia.

“É uma perda para o município, para a região que tem uma grande variedade de animais ainda. Então era importante ter uma representatividade federal aqui”, afirma Alves.

Apoio técnico

O veterinário José Roberto da Silva observa que o órgão tem equipamento e pessoal treinado para lidar com diversas situações para proteção dos animais e das pessoas.
“O Ibama tem pessoas competentes e armadilhas para pegar esse tipo de animal, sabendo que esse animal pode trazer alguma doença para a gente”, diz, mostrando o gambá que está em sua clínica se recuperando de uma cirurgia.

O gambá foi atropelado há 10 dias e resgatado por protetores. Além de não terem podido contar com o suporte técnico do instituto na hora de socorrer o animal, os responsáveis por encaminhá-lo à clínica terão que cuidar do destino dele.

“O protetor que trouxe esse animal, que arcou com a cirurgia, com todos os custos, vai ter que soltar no local onde ele estava. Mas a gente fica preocupado. Será que esse animal vai se adaptar à reserva onde ele estava?”, questiona.

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Obtenção de documentos

Outro problema enfrentado pelos moradores da região com o encerramento das atividades do Ibama em Pouso Alegre está na obtenção de documentos que só o órgão pode gerar. Como a unidade mais próxima da cidade fica em Lavras, são pelo menos 180 km extras para conseguir atendimento.

Essa é a situação do comerciante José Dimas Rodrigues. Dono de um criadouro com mais de 100 passarinhos, ele precisa passar pelo instituto cada vez que negocia uma venda.

“Qualquer tipo de papel, eu tenho que ir até Lavras, então gera um custo, risco estrada. De forma que foi muito prejudicial para o meu criadouro”, pondera Rodrigues.

Contenção de recursos

Segundo o Ibama, a unidade foi fechada devido a uma contenção de recursos feita pelo órgão. Em Minas Gerais, além de Pouso Alegre, uma unidade em Pirapora (MG), na região Norte, foi fechada. Em todo o país já são 64 unidades com os serviços suspensos.

Fonte: G1

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