Preguiça de três meses de idade ganhou urso de pelúcia para amenizar a perda da mãe. — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Filhote de preguiça ‘chora’ após perder a mãe

Um filhote de bicho-preguiça, de aproximadamente três meses de idade, está recebendo tratamento para voltar à vida silvestre em Ariquemes (RO), no Vale do Jamari, após a mãe não resistir a um grave ferimento no braço. As veterinárias voluntárias disseram que o filhote se recupera depois de passar horas chorando pela perda de mãe.

Era mais um dia comum no Parque Botânico do município, quando os visitantes se depararam com uma preguiça caindo de uma árvore com o filhote no colo.

Mãe da preguiça morreu em decorrência de um ferimento generalizado no braço. — Foto: Arquivo pessoal
Mãe da preguiça morreu em decorrência de um ferimento generalizado no braço. — Foto: Arquivo pessoal

Ambos foram resgatados pelo vigilante do parque, que verificou o ferimento na preguiça e comunicou a veterinária Luana Farias, que comunicou outros veterinários e foram ao local.

“Chegando lá se deparamos com a mãe extremamente debilitada, fraca e muito desidratada. Quando trouxemos à clínica para sedá-la e avaliá-la melhor, verificamos uma lesão muito extensa no braço direito, que já tinham larvas. Toda a musculatura estava necrosada e já dava pra ver o osso, era bem crítica a situação dela”, explicou a médica.

Filhotes de preguiça vivem grudados às mães até os seis meses de idade. — Foto: Rede Amazônica/Reprodução
Filhotes de preguiça vivem grudados às mães até os seis meses de idade. — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Segundo a voluntária, as preguiças vivem em média de 30 a 40 anos, e aquela, já estava em idade bem avançada. Devido todos os fatores, a mãe não resistiu ao ferimento na última terça-feira (14).

Foi então que surgiu um novo dilema, o que fazer e como cuidar do filhote órfã? Pois conforme as veterinárias, os filhotes de preguiça vivem grudados à mãe, no mínimo até os seis meses de idade, quando começam a ficar independentes.

Filhote de preguiça ‘chora’ após perder a mãe e recebe tratamento para voltar à vida silvestre — Foto: Arquivo pessoal
Filhote de preguiça ‘chora’ após perder a mãe e recebe tratamento para voltar à vida silvestre — Foto: Arquivo pessoal

A veterinária Layane Teixeira disse que foram momentos difíceis em ver a pequena preguiça sentindo a falta da mãe, até que ela teve a ideia para tentar substituir a figura materna e amenizar o sofrimento do filhote.

“Ela sentiu muito a falta da mãe no início, tanto que chorou bastante e a gente tentou fazer uma adaptação. Peguei um ursinho de pelúcia e coloquei junto dela, pra se agarrar e abraçar, pois na vida real o filho fica exclusivamente no colo, costas e barriga, porque a mãe o carrega para todo local”, explicou.

Veterinárias voluntárias que fazem o tratamento de adaptação da preguiça; Layane (à direita) e Luana (à esquerda). — Foto: Rede Amazônica/Reprodução
Veterinárias voluntárias que fazem o tratamento de adaptação da preguiça; Layane (à direita) e Luana (à esquerda). — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Com a liberação do órgão responsável, o filhote recebe o tratamento na clínica veterinária, e está em um cercado, onde possui um galho de árvore para se locomover e o urso de pelúcia, a nova mãe.

As veterinárias contam que a preguiça está na fase de amamentação e que ela precisa ser alimentada a cada duas horas. Com uma dieta na vida adulta composta basicamente por folhas, talos e brotos, o filhote também tem se alimentado com folhas e frutas.

“Agora a gente perceber que ela já está muito mais animada. Ela tem se alimentado bem e parou de chorar, o que é muito gratificante pra gente ver”, disse Layane Teixeira.

Preguiça deve ficar em cativeiro até completar a idade segura para ser levada novamente à vida selvagem. — Foto: Rede Amazônica/Reprodução
Preguiça deve ficar em cativeiro até completar a idade segura para ser levada novamente à vida selvagem. — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

A preguiça deve ser tratada em cativeiro até ela ficar fora de risco, para poder ser introduzida no habitat silvestre, que deve acontecer em três ou quatro meses. Para as voluntárias, o momento da despedida será de muita dificuldade, por todo o vínculo criado com o filhote.

“No momento da despedida ficaremos um pouco tristes, porque a gente já criou um elo de preocupação, pois toda hora queremos ver como ela está. Mas também ficaremos muito felizes por termos conseguido introduzi-la novamente ao habitat dela com saúde, para ter uma boa vida no futuro”, concluiu Layane Teixeira.

Fonte: G1

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