Após resgate de bagageiro de ônibus, filhote de macaco-prego se recupera em centro de referência em Assis (Foto: Arquivo Pessoal)

Filhotes de macacos resgatados em bagageiro de ônibus são levados para ONG

Depois de serem resgatados de um bagageiro de um ônibus na Rodovia Transbrasiliana (BR-153), em Ourinhos (SP), neste domingo (5) os quatro filhotes de macaco-prego foram transferidos para o centro de referência em recuperação animal da Associção Protetora dos Animais Silvestres (Apass), em Assis.

Segundo a diretora responsável pela unidade, Natalia Tomaz Inácio de Godoy, três dos macacos são recém-nascidos, com menos de um mês de vida. O outro filhote tem cerca de três meses de idade. A reintrodução desses animais à natureza é lenta e complexa, por conta da pouca idade.

Retirados da mãe, macacos-pregos resgatados em Ourinhos se apegaram a bicho de pelúcia (Foto: Arquivo Pessoal)
Retirados da mãe, macacos-pregos resgatados em Ourinhos se apegaram a bicho de pelúcia (Foto: Arquivo Pessoal)

“Os filhotes dessa espécie foram retirados da mãe muito cedo. Geralmente, os bebês são exclusivamente dependentes das mães até os seis meses. Então, eles vão precisar de muitos cuidados”, relata Natália.

Os animais já estão se alimentando por mamadeiras e até se apegaram a um bicho de pelúcia. A diretora explica que é a quarta vez que a Apass recebe ocorrências do tipo neste ano.

Macaco-prego resgatado de ônibus se recupera em centro de referência em Assis e só devem ser devolvidos à natureza mais velhos (Foto: Arquivo Pessoal)
Macaco-prego resgatado de ônibus se recupera em centro de referência em Assis e só devem ser devolvidos à natureza mais velhos (Foto: Arquivo Pessoal)

“Possivelmente, os animais iriam parar nas mãos de criadores. O tráfico de animais silvestres infelizmente ainda é muito comum. Também recebemos bastante aves”. Neste sentido, Natália alerta sobre os riscos de comprar um animal silvestre.

“Os macacos são não animais adequados para serem criados em casa. Além dos riscos de doenças — no caso de animais comprados de forma ilegal — os macacos tendem a ficar mais agressivos quando mais velhos, simplesmente porque não são pets de estimação, foram feitos para a vida selvagem”, explica a diretora.

Com menos de um mês de vida, filhotes de macaco-prego se apegaram a bicho de pelúcia na falta da mãe. Animais se recuperam em Assis (Foto: Arquivo Pessoal)
Com menos de um mês de vida, filhotes de macaco-prego se apegaram a bicho de pelúcia na falta da mãe. Animais se recuperam em Assis (Foto: Arquivo Pessoal)

O processo de devolver os macacos-pregos ao habitat natural deve levar cerca de dois anos, ainda de acordo com Natália. “O macaco não pode ser devolvido sozinho. É um animal que vive em bando e seguem um macho dominante. A gente já conseguiu formar um bando em cativeiro, com cerca de seis macacos”, diz.

De acordo com a Polícia Rodoviária, o suspeito relatou em depoimento que receberia R$ 500 de um desconhecido para levar os animais de Londrina (PR) até São Bernardo do Campo (SP), onde entregaria a uma pessoa na rodoviária local. Uma denúncia anônima levou os policiais até o suspeito.

Os filhotes de macaco-prego foram encaminhados à Polícia Ambiental de Ourinhos (SP) (Foto: Polícia Rodoviária Federal/Divulgação)
Os filhotes de macaco-prego foram encaminhados à Polícia Ambiental de Ourinhos (SP) (Foto: Polícia Rodoviária Federal/Divulgação)

A Apass atualmente atende 30 de macacos de varias espécies, como o bugio-preto, macacos-pregos e saguis-de-tufo-preto e saguis-de-tufo-branco.

Por Tiago de Moraes

Fonte: G1

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