Filhotes de pit bull de 5 e 4 meses são envenenados e um deles morre em Contagem, MG

Filhotes de pit bull de 5 e 4 meses são envenenados e um deles morre em Contagem, MG
Brutus segue internado em clínica da cidade. Foto: Uarlen Valério / O TEMPO

Em um vídeo publicado nas redes sociais, o motociclista Igor Ramon Turler Marques, de 19 anos, chora ao constatar que a pequena Luna, de cinco meses, uma cachorra da raça pit bull, está morta. Em menos de seis meses é o terceiro cão assassinado por envenenamento dentro da casa da família do jovem em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Nesta quinta-feira (16), ele conversou com a reportagem de O TEMPO enquanto visitava Brutus na clínica veterinária. O cão, da mesma raça, também foi envenenado e sobreviveu.

Na última terça-feira (14), ele e a mãe saíram da residência, localizada no bairro Santa Helena, no período da tarde. “Minha mãe foi fazer faxina e eu saí para realizar entregas. Voltei uns 30 minutos depois e percebi que a Luna e o Brutus já estavam recuados em um canto. A Luna começou a vomitar sangue, fezes com sangue, começou a tremer, andava devagar. Nós não temos tanta condição, mas começamos a cuidar dela aqui com carvão ativado. Por volta das 2h, minha mãe a pegou no colo e começou a sair muito sangue do ânus da Luna. Ela já respirava muito devagar, ficou com os olhos parados e, depois de um tempo, faleceu”, explicou.

Já Brutus, que tem quatro meses, também teve vômito e diarreia cerca de 40 minutos depois. Ele foi socorrido e segue internado sem previsão de alta. A família olhou em todo o quintal, mas não localizou nenhum alimento que possa ter sido chocado para os cães. Em fevereiro deste ano, Safira e Bruce, ambos de 5 anos e também da raça pit bull, foram envenenados e morreram. 

“Quando o Bruce morreu, a gente abriu o céu da boca dele e estava tudo corroído, com um buraco na boca. A Safira morreu prenha. Eu falei com minha mãe que não queria mais cachorro porque a gente pega amor como se fosse um filho. Mas minha mãe arrumou mais dois e fizeram isso outra vez. Eu estou torcendo para o Brutus não morrer”, disse Marques, enquanto se emocionava novamente.

Ligação para a Polícia Militar

O motociclista afirma que após a morte de Luna entrou em contato com a Polícia Militar, via 190, para denunciar o envenenamento, mas não resolveu. “Eu liguei para a PM e perguntei o que eu poderia fazer. O atendente me respondeu que se não tivesse prova, eles não poderiam fazer nada. Eu questionei: ‘uai, então vai continuar deixando matar? Se eu tiver mais cachorro vão continuar matando meus animais?’. Ele respondeu novamente que não poderia fazer nada sem prova”, explicou o motociclista.

Marques tem algumas desconfianças, mas não pode apontar nenhum culpado pelos crimes. No entanto, garante que nunca teve problemas com os vizinhos por causa dos cães.

“Nunca reclamaram dos cães, eles não latem, não fazem barulho a não ser em caso de necessidade: alguém aparecer no portão, cachorro na rua. Tirando isso, eles não incomodavam ninguém. Nós temos outros dois cachorros,de outras raças, e não podemos deixar no quintal com medo de envenenamento”, disse.

A reportagem aguarda um posicionamento da Polícia Militar em relação ao atendimento a Marques.

Brutus ainda não se alimenta

Brutus está internado em uma clínica veterinária no centro de Contagem. Segundo a veterinária Raphaela Diniz, o cão se recupera bem. “Ele chegou aqui bem prostrado, vomitando. Exames apontaram insuficiência renal e alteração hepática. Estamos tratando com vitaminas, soro, aminoácidos e outros medicamentos, ele ainda não se alimenta, mas de ontem para hoje apresentou melhora”, explicou a profissional.

Segundo ela, a alimentação vai ser inserida assim que o animal parar de vomitar. A alta médica vai depender de como o organismo dele vai reagir nos próximos dias.

Família apaixonada por animais

A família de Marques é apaixonada por animais e já chegou a ter 15 cachorros em casa. Cães em situação de rua, machucados eram levados para a residência, onde recebiam todos os cuidados necessários. 

“Eu acho que quem é capaz de fazer isso não tem nem amor próprio. Se soubesse como amar alguém, nunca fariam isso. Eu espero que isso seja resolvido, não pode voltar a acontecer”, finalizou. 

Por Carolina Caetano

Fonte: O Tempo

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.