Fogo no Pantanal já dura 40 dias e posto é criado para atender animais feridos

Fogo no Pantanal já dura 40 dias e posto é criado para atender animais feridos
O Ministério do Meio Ambiente decidiu suspender o combate a queimadas e ao desmatamento. Foto: Divulgação

As queimadas no Pantanal já duram mais de 40 dias e mais de 500 mil hectares de vegetação já foram destruídos, em Mato Grosso.

Com isso, muitos bichos silvestres estão sofrendo com queimaduras, inalação de fumaça e desidratação.

Diante do cenário, um Posto de Atendimento a Animais Silvestres (Paeas) Pantanal entrou em operação no domingo (30).

O serviço está instalado no Km 17 da rodovia Transpantaneira, que liga Poconé (100 km ao Sul de Cuiabá) a Porto Jofre.

E o primeiro paciente é um tuiuiú (jabiru mycteria), que apresentou dificuldades de voo.

O pássaro recebeu bandagem, vitaminas de suporte e fluidoterapia, ou seja, soro.

Na região não chove há 100 dias e o tempo seco e o vento têm dificultado o controle das chamas, consideradas as mais intensas dos últimos 20 anos.

Os prejuízos ambientais também são imensuráveis, segundo ambientalistas.

O Paeas Pantanal utiliza a infraestrutura do Posto Fiscal da rodovia.

Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a equipe de atendimento é liderada pela médica veterinária Karen Ramos e contará com apoio do Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental, Corpo de Bombeiro Militar, o próprio órgão estadual de meio ambiente e voluntários para o resgate dos animais.

Os recintos para abrigar os bichos foram construídos por recuperandos do Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas, localizado em Várzea Grande.

A força-tarefa para atendimento aos animais reúne esforços de órgãos dos governos de Mato Grosso e federal, entidades de classe, terceiro setor e instituições privadas.

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) também está presente, por meio do Hospital Veterinário, Centro Acadêmico de Medicina Veterinária e Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres.

Desde o início das queimadas no local, mais de 100 animais já foram resgatados.

Entre eles, estão uma onça pintada, que foi transferida para o Instituto de Preservação e Defesa dos Felídeos da Fauna Silvestre do Brasil em Processo de Extinção (NEX), em Corumbá de Goiás (GO).

O tratamento do felino nas quatro patas inclui o uso de anti-inflamatório, analgésicos, antibióticos, curativos e botinhas feitas de ataduras e esparadrapos para que evite aumentar a lesão.

Também será feita a aplicação de células-tronco visando a acelerar ainda mais a recuperação.

Outro bicho foi uma anta, que apresentava ferimentos causados por queimaduras nas quatro patas e na coxa direita.

A fêmea de aproximadamente dois anos, estava dentro de uma fonte de água no quintal de uma residência, em Poconé e foi resgatada para tratamento no último dia 28 de agosto.

Na semana passada, a Sema informou que a captura do animal aconteceu quando a equipe distribuía bebedouros de plástico em locais que estão com escassez ou falta de água.

Segundo o gerente de Fauna Silvestre da Sema, Waldo Troy, a equipe saiu a campo para colocar os bebedouros pela Rodovia Transpantaneira quando um morador os avisou que tinha uma anta em sua propriedade com ferimentos causados por fogo.

Na residência, a anta foi sedada e transportada até uma pousada localizada na Transpantaneira e que presta apoio logístico a equipe. No local, os veterinários lavaram as feridas, aplicaram antibióticos e cicatrizantes.

CHAPADA DOS GUIMARÃES – As queimadas também atingem região de morraria, em Chapada dos Guimarães (67 km ao Norte de Cuiabá).

Um dos locais afetados no último fim de semana foi o Morro dos Ventos.

As últimas informações é de que pelo menos dois mil hectares já foram consumidos pelas chamas na região.

Por lá, os focos já ocorrem há dez dias.

Por Joanice de Deus

Fonte: Diário de Cuiabá 

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