EUA foto lolita perdeu liberdade

Foto chocante mostra o momento que Lolita, a orca que sofre há tempos, perdeu sua liberdade

Por Aisling Maria Cronin / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Orcas (também conhecidas como baleias assassinas) são seres verdadeiramente magnífico. Na natureza, eles vivem em grupos matriarcais e bem unidos, permanecendo perto dos membros de sua família por toda sua vida. Os laços de amor que estes animais formam são profundos: um caso recente e emocionante de um grupo de orcas que ajudou seu irmão deficiente a sobreviver demonstra isto muito claramente. Os membros da família da orca deficiente forneciam comida a ele, já que ele não era capaz de caçar por conta própria. Em casos onde orcas selvagens foram documentadas interagindo com humanos, elas são surpreendentemente gentis (considerando seu apelido de assassinas), escolhendo nadar pacificamente ao redor deles. Nunca houve um caso documentado de uma orca matando um humano na natureza.

Estes animais podem nadar até 160 km por dia na companhia dos membros de seu grupo. O cérebro de uma orca é quatro vezes maior que o de um humano, enquanto que os lobos cerebrais que lidam com o processamento de emoções complexas também são  maiores nesses animais do que nos humanos. Eles vem evoluindo por milhões de anos, em comparação, os humanos modernos somente apareceram em cena cerca de 200.000 anos atrás, então, é seguro assumir que elas são pelo menos tão avançadas cognitivamente como nós… se não mais!

A situação é bem diferente quando se trata de orcas cativas. A frustação de viver em um tanque pequeno e apertado – que compreende somente 0,001 por cento do território que elas viveriam na natureza – algumas vezes fez com que elas atacassem humanos ou umas às outras. Tilikum, a orca do SeaWorld cuja triste história foi contada no documentário de 2013 Blackfish, está ligada à morte de três humanos. Ele agora contraiu uma infecção bacteriana no SeaWorld Orlando e está gravemente doente por causa disso.

Infecções atípicas – até mesmo ameaçando a vida – são comuns entre orcas cativas. Uma orca fêmea chamada Unna morreu após ter pegado uma infecção por fungos no SeaWorld San Diego em dezembro de 2015, com somente 19 anos. Problemas dentários, barbatanas dorsais caídas (em machos), ataques de pânico, problemas psicológicos e depressão também são comuns entre as populações de orcas cativas, apesar de ser praticamente desconhecido entre as orcas selvagens. Em outubro do ano passado, a história devastadora de uma mãe orca no SeaWorld San Diego, deprimida demais para alimentar seu filhote, veio à tona. Orcas selvagens tem uma expectativa de vida de cerca de 46 anos (para fêmeas) ou 38 anos (para machos), mas orcas cativas tem uma expectativa média de vida de somente 30 anos (para fêmeas) ou 19 anos (para machos).

Cada orca cativa no mundo possui uma história trágica… mas poucas são mais trágicas do que a história da Lolita. Ela foi capturada quando ainda bebê em Puget Sound, na costa do estado de Washington, em agosto de 1970, e passou a maior parte de sua vida no Miami Seaquarium, presa no menor tanque de orcas na América do Norte. Sua captura foi especialmente brutal, envolvendo redes, cordas e explosivos. A família de Lolita lutou muito para salvá-la: pessoas do local disseram que podiam ouvir os gritos terríveis e parecidos com os de humanos vindo das águas. Durante a luta, um adulto e quatro bebês orcas foram mortos. Os homens que desencadearam a captura cortaram as gargantas das vítimas e encheram seus corpos com pedras tentando disfarçar o que eles tinham feito.

O grupo anti-cativeiro Marine Connection recentemente compartilhou uma rara fotografia de Lolita sendo capturada em sua página do Facebook, com a pungente legenda: “Como os donos do Miami Seaquarium conseguem dormir à noite?”

É isto o que arrancar um animal inocente da natureza em nome de nosso trivial entretenimento parece.

Durante 36 anos, Lolita foi mantida em isolamento no Miami Seaquarium… mas ela ainda se lembra de sons e chamados particulares que eram feitos por sua família, conhecida pelos círculos de observação de baleias como o subgrupo L25. Durante anos, os ativistas dos direitos dos animais argumentaram que ela deveria ter sua chance de se reunir com os membros de sua família – particularmente sua mãe – e até mesmo fizeram um plano detalhado de aposentadoria que a ajudaria a se preparar para esta nova vida. Infelizmente, o Miami Seaquarium não deu nenhuma indicação de estar disposto a considerar a soltura da tão sofrida baleia.

A imagem acima mostra a realidade nua e crua do que a geração original de orcas cativas passou para acabar em um tanque, fazendo truques pelo propósito do entretenimento humano. Grupos a favor do cativeiro apontam a reprodução em cativeiro como uma solução mais “humana”, mas reproduzir uma orca que nunca saberá o que é ser livre é bem questionável, no mínimo. Um estudo com orcas nascidas em cativeiro feito pelo Whale and Dolphin Conservation (WDC – Conservação de Baleias e Golfinhos) em 2013 revelou que as 33 orcas nascidas em cativeiro que morreram até aquela época, tiveram uma média de idade de 4,5 anos. O Vancouver Aquarium e o SeaWorld escolheram acabar com seus programas de reprodução  de cetáceos em cativeiro.

Felizmente, existem sinais de que os negócios de cativeiro de cetáceos podem estar começando a desmoronar, conforme os membros do público se tornam cada vez mais educados sobre a verdade, e estão se recusando a pagar por este tipo de “entretenimento”. Até todos os tanques serem esvaziados, entretanto, nós não podermos nos dar ao luxo de parar de erguer nossa voz por Lolita e todas as outras orcas cativas que precisam de nossa voz.

Fonte: One Green Planet

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