Foto ilustra a lição que deveríamos ter aprendido sobre orcas em cativeiro em 1980

Foto ilustra a lição que deveríamos ter aprendido sobre orcas em cativeiro em 1980

Por Aisling Maria Cronin / Tradução de Pâmela Miler

Orcas (por vezes referidas como baleias assassinas) são uma das espécies mais incríveis do nosso planeta. Estes animais são famosos por sua grande inteligência e sensibilidade. Eles naturalmente vivem relações matriarcais intimamente ligadas e ficam com seus familiares imediatos por toda a sua vida. Eles são um dos maiores mamíferos do planeta, viajando até  160 quilômetros por dia. A  expectativa típica de vida de uma orca selvagem é de trinta anos para os machos, e cinquenta anos para as fêmeas… embora eles possam ficar muito mais velhos do que isso. Acredita-se que “Granny”, a matriarca da J–Pod (baleias residentes do Sul), tenha 103 anos de idade, após ser descoberta ao largo da costa do Canadá em 2014!

O cérebro de uma orca é quatro vezes maior do que o de um ser humano, enquanto os lóbulos cerebrais que lidam com o processamento de emoções complexas também são muito maiores. Orcas têm evoluído há milhões de anos, enquanto os seres humanos modernos emergiram apenas cerca de 200.000 anos atrás. Quando você leva isso em conta, não parece absurdo que pudéssemos alguma vez imaginar que temos o direito de prender estes animais em pequenos tanques e forçá-los a fazer truques para o nosso entretenimento?

Infelizmente, isto é exatamente o que temos feito com uma das mais complexas e cognitivamente sofisticadas criaturas deste planeta. Uma indústria inteira foi construída em torno do confinamento forçado de orcas e outros animais marinhos… tudo por causa de diversão humana. Parques marinhos como o SeaWorld e Miami Seaquarium nos EUA, bem como o Loro Parque na Espanha (para citar alguns), têm estado sob fogo nos últimos anos por seu tratamento das orcas em cativeiro. Esta indignação foi amplamente alimentada em 2013 pelo documentário “Blackfish”, que explorou a morte no SeaWorld Orlando do treinador Dawn Brancheau nas mãos de uma orca chamada Tilikum. Com números de audiência e margens de lucro caindo rapidamente, há sinais de que o modelo de cativeiro das orcas poderia estar caindo aos pedaços, mas a indústria não vai desistir sem lutar.

Usuário do Facebook, Joel Simka chamou recentemente a atenção para a situação em curso das orcas em cativeiro após postar uma foto da antiga orca Hugo, do Miami Seaquarium, que morreu em 1980.

Canada foto licao orca

A imagem mostra um homem que ficou preso na piscina de Hugo sendo ajudado por alguns treinadores, incluindo Scott Amsel (o homem à direita). Simka disse, “Scott (e sua esposa Kathy, que era uma treinadora de golfinhos) deixou o Miami Seaquarium logo após este incidente, percebendo rapidamente que as relações entre esses prisioneiros e seus opressores humanos não são só felicidades e rosas.” Infelizmente, Hugo se tornou tão traumatizado com o seu tempo em cativeiro que ele estava tentando puxar o homem para o fundo da piscina… assim como a famosa orca do SeaWorld, Tilikum, fez com seu treinador Dawn Brancheau anos mais tarde, em 24 de fevereiro de 2010.

Simka explicou: “Esta é a verdadeira natureza do meu amigo de infância, Hugo, a baleia assassina. O que eu não sabia sobre Hugo, na época, é que ele era um animal selvagem (um residente gentil do Sul), capturado, extraído do mar Salish e coincidentemente, virou psicótico”.

Problemas de saúde mental são frequentes entre as populações de orca em cativeiro, assim como as infecções bacterianas e fúngicas incomuns, crises imprevisíveis de agressão, problemas dentários, colapso nas barbatanas dorsais (em machos) e uma expectativa de vida significativamente mais curta do que eles poderiam ter em estado selvagem.

Infelizmente, a história de Hugo chegou a um fim trágico em 1980, quando ele cometeu suicídio batendo a cabeça repetidamente na parede de seu tanque. Desde então, sua antiga companheira de tanque Lolita foi mantida em confinamento solitário no menor tanque de orca da América do Norte. Surpreendentemente, no entanto, ela ainda se lembra das chamadas e vocalizações que foram feitas por sua família, referida como L25 subpod por observadores de baleias. Ativistas dos direitos dos animais têm sustentado que Lolita deveria ser autorizada a voltar para o oceano e se reunir aos membros de sua família, e até mesmo ter preparado um plano de aposentadoria detalhado que lhe permitiria se readaptar à vida na natureza. No entanto, o Miami Seaquarium não está disposto a liberar seu “astro”.

A maré está se voltando contra o negócio de orca em cativeiro há algum tempo, mas é vital que esta dinâmica seja mantida até que todos os tanques sejam esvaziados por completo, e que possamos ter a certeza de que nenhuma outra orca vai ter de sofrer um destino tão trágico como de Hugo.

Fonte: One Green Planet

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