FPI desmonta rinha de galos e liberta animais vítimas de maus tratos em São José, AL

O clima bucólico de uma pequena chácara às margens da represa de Paulo Afonso, no povoado de São José, a 35 km do centro do município de Delmiro Gouveia – Sertão alagoano – não foi suficiente para esconder vários crimes ambientais flagrados pela Fiscalização Preventiva Integrada do Rio São Francisco da Tríplice Divisa (FPI). No local, a equipe da Fauna constatou, nesta terça-feira (22), crimes de maus tratos contra animais, construção irregular em solo proibido e funcionamento de estabelecimento poluidor sem licença ou inspeção dos órgãos competentes.

Por todos esses ilícitos ambientais, de acordo com o Ministério Público de Alagoas (MPE), o proprietário da chácara, Flávio Antônio Queiroz, foi multado pelo IMA e pelo Ibama. Somadas, as sanções pecuniárias chegaram a R$ 65 mil reais. Ele também foi autuado por posse ilegal de arma.

A prioridade rural, segundo o MPE, era um disfarce para a criação e treino de galos de briga. A equipe da fauna contabilizou 90 animais trancafiados em pequenas gaiolas. Em pelo menos 54 deles foram constatados maus tratos.

Alguns, inclusive, estavam com as esporas serradas, além das cristas abertas. Falhas de penas pelo corpo evidenciavam os sinais da participação em rinhas. Segundo os técnicos, tais características são típicas de animais que recebem treinamento e, depois, são colocados para brigar.

“Claro que criar galos não é proibido. O que é contrário à lei é maltratar animais, o que foi o caso desta situação. Achamos vários apetrechos utilizados nos treinos de animais levados a rinhas. Muitos galos estão bastante machucados. Vários possuem cicatrizes na face e na crista, faltando penas no corpo. Por isso, estão configurados os maus tratos”, explicou o médico veterinário Isaac Albuquerque.

“Na verdade, tais feridas são provocadas de forma proposital, por meio de uma técnica chamada escarificação, que consiste em machucar o rosto do animal com uma espécie de ralador. Assim, ferindo-o várias vezes, calos começam a surgir, com a face do galo se fortalecendo para as rinhas, o que é uma crueldade”, explicou Isaac Albuquerque.

Rinha foi localizado no interior de sítio que fica no Sertão de Alagoas (Foto: Ministério Público Estadual)
Rinha foi localizado no interior de sítio que fica no Sertão de Alagoas (Foto: Ministério Público Estadual)

Material encontrado

Na chácara, além dos animais e do material utilizado para o treinamento das brigas, também foram encontrados medicamentos veterinários vencidos e acondicionados indevidamente, tudo dentro de uma rinha móvel.

“Eles alegaram que aqui funcionava apenas uma espécie de centro de treinamento, negando que se tratava de uma rinha de galos. Mas, para nós, isso não faz tanta diferença, uma vez que, durante o treino, há brigas. Ou seja, os animais se machucam do mesmo jeito. Portanto, os maus tratos estão configurados”, enfatizou o veterinário, lembrando ainda que o uso dos medicamentos sem o controle de um veterinário, além da utilização do produto já vencido ou mal acondicionado, podem piorar ainda mais a situação dos animais.

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