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França ficará sem foie gras por quatro meses

Por Vel Sid / Tradução de Adriana Shinoda

No período de 02 de maio a 15 de agosto de 2016 estará em vigor uma quarentena nas granjas francesas produtoras de foie gras, pois foi detectada uma cepa muito virulenta do H5N1. A intenção do Governo é erradicar o vírus, por isso durante estes quatro meses 18 regiões do sudoeste francês, afetadas pelo surto da gripe aviária, terão que paralisar a produção.

A França, que é conhecida pela excelência na produção do foie gras, considerou paralisar a produção pois 18 regiões do sudoeste do país estão sofrendo um surto de gripe aviária. Trata-se de uma quarentena sem precedentes que passou a vigorar esta semana e seguirá sem dúvida até o dia 15 de agosto, um grande prejuízo para um dos principais pratos da cozinha francesa.

A causa do problema foi a detecção de uma cepa muito virulenta do H5N1 no mês de novembro em uma granja avícola na Dordonha, região localizada ao sudoeste do país que pertence a nova região de Aquitania-Lemosín-Poitou-Charentes.

A identificação do surto fez com que o órgão de controle francês procedesse uma investigação que concluiu que o vírus estava se propagando, e por esta razão estabeleceu a quarentena de quatro meses. Lembremos que o H5N1 é uma cepa de alta patogenicidade da gripe aviária, muito letal para as aves, e que afeta os seres humanos somente se houver contato com as aves doentes.

A proibição afeta 71% da produção nacional de foie gras, os produtores representados pelo Comitê dos Profissionais do Foie Gras advertem que a medida trará sérios impactos econômicos e trabalhistas, pois se estima uma perda de rendimentos em torno de 130 a 140 mil euros, ainda que o total estimado seja de 270 mil e o fechamento de quatro mil postos de trabalho. O Ministério de Agricultura francês anunciou no mês de janeiro que iria compensar os produtores pelas perdas causadas devido à quarentena.

A França ficará sem foie gras durante quatro meses, mas outros países também terão escassez do produto, uma vez que o fois gras francês contabiliza 75% da oferta mundial. No ano de 2014, a França exportou quase cinco mil toneladas, o que nos dá o alcance da medida para erradicar a gripe aviária. Como sabemos, nunca se agrada a todos, mas algumas organizações ambientais consideram que é uma folga no método de produção que fere os direitos dos animais. Na produção francesa, os animais são alimentados forçadamente até três vezes ao dia durante 21 dias consecutivos, o resultado é que o fígado aumenta até 12 vezes de tamanho, método considerado como tortura cruel e antinatural.

Vale a pena lembrar que existem outros métodos para a produção de foie gras, como o utilizado pela Patería de Sousa, empresa espanhola localizada na comunidade autônoma de Extremadura que ganhou em 2006 o reconhecimento no Salão Internacional de Alimentação de Paris devido à qualidade de seu produto e seus métodos de produção.

É advertido que a longo prazo o setor terá de realizar grandes mudanças, adotando medidas de biossegurança determinadas pelo governo francês, o que aumentará os custos de produção. A quarentena e as medidas de segurança terão consequências no aumento dos preços aos consumidores, especialmente no verão e final de ano, quando já se fala em um incremento no preço por conta da lei da oferta e procura, uma vez que se calcula que haverá menos nove mil aves para abastecer o mercado nacional em 2016. Supõe-se que o mesmo ocorra com as exportações, o que provavelmente fará com que os preços em outros países também aumentem.

Esta situação é uma oportunidade para que outros países produtores de foie gras tenham aumento em suas vendas, porém o Governo da França comenta que será algo pontual e que tudo voltará ao normal em poucos meses. Por outro lado, lança a recomendação para evitar fraudes, aconselhando que os consumidores verifiquem se o produto tem o selo de procedência.

Fonte: A Republica 

Nota do Olhar Animal: A efemeridade da falta de foie gras já indica que o motivo da carência do prato não são os horrores cometidos contra os animais e sim os problemas causados à saúde humana. Os consumidores se importam com os danos que o consumo do prato lhes causa, não hesitando em abrir mão da tradição quando é para salvar a própria pele, mas não estão nem aí para os danos causados por eles próprios por conta desta futilidade.

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