Gaema contabiliza mais de 1.300 animais mortos por atropelamentos em Presidente Prudente, SP

Gaema contabiliza mais de 1.300 animais mortos por atropelamentos em Presidente Prudente, SP
Barreira de concreto divide as pistas da Rodovia Raposo Tavares (SP-270). (Foto: Wellington Roberto/G1)

A Rodovia Raposo Tavares (SP-270), com as obras de duplicação, recebeu barreiras de concreto do tipo New Jersey e, conforme apontou o Ministério Público Estadual (MPE), por meio do Grupo de Atuação Especial em Defesa do Meio Ambiente (Gaema), em ação civil ambiental, o fato contribuiu para o aumento de atropelamentos de animais. De 2010 a 2015, foram registradas 1.427 ocorrências no trecho entre Rancharia e Presidente Epitácio e, destes, 1.391 morreram, segundo a Promotoria de Justiça.
Foi apurado que, segundo o MPE, desde que a Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart) assumiu a concessão da estrada, até março de 2015, foi registrado o total de 1.427 animais atropelados. Desses, 33 foram resgatados com vida, o que totalizou 1.391 animais mortos. Porém, o Gaema ainda soma o fato do dia 31 de agosto de 2015, data em que ocorreu o atropelamento que resultou na morte de 15 capivaras, nas proximidades no km 609, em Piquerobi, sendo 11 adultos e quatro filhotes.

Com a duplicação da SP-270 e com a implantação das barreiras, o número de atropelamentos com óbitos de animais, silvestres ou não, “sofreu sensível aumento”. Conforme colocou o Gaema, a Cart informou que, entre 2010 e 2011, foram computados 561 atropelamentos de animais domésticos e 343 de animais silvestres, e que os quilômetros 560, 570, 571, 576 e 592 são os pontos de maior incidência de ocorrências, no horário das 5h15. Isso considerando um trecho de 143 quilômetros, com início nas proximidades de Iepê até Presidente Epitácio.

Entre as mortes, estão onze capivaras adultas e quatro filhotes. (Foto: Marcos Moreira de Almeida/Cedida)
Entre as mortes, estão onze capivaras adultas e quatro filhotes. (Foto: Marcos Moreira de Almeida/Cedida)

De acordo com dados coletados com mais detalhes para um inquérito civil do MPE, no trecho entre Rancharia e Presidente Epitácio, no período de 2011, 2012, 2013 até abril de 2014, foram contabilizadas 173 mortes de animais silvestres na rodovia, das mais variadas e importantes espécies.

Em uma relação mais recente de atropelamentos e de óbitos, segundo apontou o Gaema, ficou constatado que, até março de 2015, no trecho apontado, foram registrados 1.391 animais mortos, silvestres ou não. Os óbitos destacados são: oito onças-pardas, 11 veados/cervos, quatro tamanduás-bandeira, quatro antas, raposas e quatro lobos-guará, “animais silvestres de extrema importância na fauna e ameaçados de extinção”, conforme salientou o MPE.

No entanto, o Gaema apontou que o valor “está desatualizado”, devido ao transcurso de prazo entre a constatação e, ainda, a ocorrência de duas outras mortes recentes, sendo o atropelamento e óbito de uma onça jaguatirica, denominada Leopardus pardalis, e o atropelamento e morte de uma onça da espécie suçuarana ou parda.

“Tanto é assim que em recente episódio ocorreu mais uma morte do espécime conhecido como onça jaguatirica – denominada Leopardus pardalis, ocorrida no dia 5 de julho de 2016, na Rodovia Raposo Tavares, km 525,50, conforme informação da Polícia Ambiental”, atualizou o MPE.

Os atropelamentos não só matam, como também deixam animais silvestres com lesões na rodovia. Foi constatado que, ao longo do trecho da rodovia em questão, até abril de 2014, 142 animais silvestres e 23 animais domésticos foram atropelados e recolhidos com vida. Sobre eles, a Cart, primeiramente informou que “foram destinados para tratamento nos seguintes locais: a Polícia Ambiental, Ibama, bombeiros, APASS, Zoológico de Bauru, Unoeste, Cembas Botucatu, Empresa Nature, Clínicas veterinárias e Zoonoses Bauru”.

Entretanto, a Cart não apresentou nenhum comprovante dos referidos atendimentos, muito menos comprovou o destino dado aos animais, após o tratamento, conforme o MPE.

Barreira de concreto é apontada como a causa do aumento no número de atropelamentos na SP-270. (Foto: Wellington Roberto/G1)
Barreira de concreto é apontada como a causa do aumento no número de atropelamentos na SP-270. (Foto: Wellington Roberto/G1)

Por Stephanie Fonseca

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