Galactopoese – A natureza do leite

Curso de Extensão

Implicações éticas, ambientais e nutricionais do consumo de leite bovino abordagem crítica

[Auditório do Centro de Educação UFSC – 24/5/13]

Sinopse da Terceira Sessão – Devastação alimentar e ambiental (17/05/13) – Na sessão anterior tratamos da devastação alimentar e ambiental acarretada pela extração do leite bovino e consumo de laticínios. Quase 80% dos cereais e grãos cultivados ao redor do planeta são destinados à alimentação dos animais criados para abate, extração de leite e coleta de ovos. Entretanto, de cada 100 g de proteína dadas aos animais, os produtos alimentares obtidos deles pela extração do leite ou pelo corte de suas carnes, carreiam muito pouco dessas proteínas para o organismo animal. O leite devolve apenas 22 g de cada 100 g de proteína vegetal dada à vaca, e a carne devolve apenas 4%. Para cada litro de leite é preciso dar à vaca de 5,5 a 8,5 litros de água potável, parte da qual sairá no leite e a outra parte será transformada em urina. Cada litro de leite custou 0,5 kg de alimento sólido (grãos e cereais) e pelo menos 4 kg de forragens. Essa matéria ingerida será devolvida na forma de excrementos, a um planeta que não evoluiu para digerir excrementos e urina nessas proporções assustadoras. No processo de produção, cada litro de leite usado para fazer laticínios consome 868 litros de água. Nossa responsabilidade ambiental passa, portanto, pela defesa dos direitos dos animais, especialmente o direito de não ser usado como máquina galactífera da qual são extraídos dezenas de litros de leite por dia, a um custo que representa a exaustão da vitalidade das vacas, a destruição de águas, do solo e do ar, pela contaminação dos excrementos e do gás metano, e a decadência da saúde humana pela ingestão de um produto que não foi desenhado pelo organismo bovino para ser bem aproveitado pelo organismo humano.

Galactopoese – A natureza do leite

Dr. phil. Sônia T. Felipe

O médico pediatra norte-americano, Dr. Frank A. Oski, pioneiro na divulgação dos malefícios do leite de vaca para a saúde dos bebês humanos e autor do livro Don’t Drink Your Milk! [Não tome seu leite!], esclarece: as fêmeas amamentam seus filhos até eles triplicarem de peso. Em humanos, isso ocorre por volta de um ano de idade. Em nenhuma outra espécie, a não ser na humana e na felina domesticada, “o consumo de leite continua após o desmame”. [Cf. Oski, Apud Felipe, Galactolatria, p. 121]. O éthos mamífero está desenhado para que os novos membros de cada uma dessas espécies demandem apenas o leite da própria mãe. Seguindo o éthos de sua espécie biológica, os bezerros precisam apenas do leite de sua mãe vaca. Seu leite é desenhado para o organismo que ela acabou de gestar e parir.

Os meses de gestação servem para que o organismo da mãe faça o scanner das necessidades nutricionais daquele embrião e feto que está a gestar. Com o nascimento e rompimento do cordão umbilical não se rompe a comunicação metabólica construída ao longo da gestação entre o organismo da mãe e o do bebê.

O leite da mãe secreta quantidades específicas e equilibradas de nutrientes, vitaminas, minerais, gorduras, açúcar e proteínas, poder-se-ia dizer, sob demanda. O embrião e o feto não estão alojados passivamente no útero. Eles demandam nutrientes que estão fixados no corpo da mãe. O corpo da mãe aprende a receber as demandas e continua a fazer a entrega, pelo leite, após o parto. O leite é sangue branco. Cada bebê tem sua característica sanguínea e a progenitora o nutre com o que ele precisa para equilibrar o metabolismo de um organismo em processo de crescimento.

Com a desativação da lactase, a enzima especializada na digestão da lactose, o organismo deixa o estado de dependência galactofágica ao organismo da progenitora para ingressar pouco a pouco na dieta dos adultos de sua espécie, obtida não mais do seio materno, mas do ambiente externo ao qual terá que adaptar-se para seguir vivendo. Segundo Oski, “a natureza jamais pretendeu que alimentos contendo lactose continuassem a ser ingeridos após o desmame”. [Oski, Apud Felipe, Galactolatria, p. 122].

Desmamar, portanto, é tornar-se independente da fonte progenitora de nutrientes. Esse é o éthos mamífero. Com a primeira dentição, o padrão digestório mamífero amadurece sem qualquer anormalidade, sem atrofias. Isso quer dizer que o pequeno animal já pode mastigar alimentos sólidos e deles obter os mesmos nutrientes do leite materno, além de outros, necessários ao prosseguimento do desenvolvimento até sua completa maturidade. Normalmente, escreve Joseph Keon,

[…] o corpo humano para gradualmente de produzir a lactase por volta dos quatro anos, embora possa continuar a produzi-la em pequenas quantidades. As pessoas capazes de digerir a lactose são conhecidas como ‘persistentes na lactase’ e daquelas que não são mais capazes de digerir o açúcar se diz que são ‘adultos hipolactásicos’. [Keon, Apud Felipe, Galactolatria, p. 122].

O leite materno existe, no entender de Oski, com este propósito: “possibilitar ao bebê a nutrição, inclusive de hormônios que conduzirão e regularão seu crescimento.” Essa tarefa não é pouca. Humanos “dobram de peso em apenas três meses”, mas levam até um ano para triplicarem o peso que tinham ao nascer. Os bovinos o quadruplicam em apenas seis meses [Oski, Apud Felipe, Galactolatria, p. 123], uma proporção de crescimento duas vezes maior que a dos humanos. Cada leite materno transfere os hormônios de crescimento típico de sua espécie para o organismo dos recém-nascidos.

A transferência de hormônios do leite materno para o corpo dos bebês é algo necessário e desejável para que eles se desenvolvam com saúde. Mas a transferência dos hormônios de crescimento bovino para o organismo de um humano adulto através do leite animal, não. “Bebedores de leite”, escreve Oski,

[…] inundam seu sistema com o líquido branco contendo gordura, colesterol e hormônios. Seus processos celulares tornam-se regulados pelo poderoso hormônio de crescimento. Em adultos, esses hormônios são incapazes de estimular o tipo de crescimento celular que o organismo dos bebês experimenta. Ao invés disso, em adultos esses hormônios podem originar um verdadeiro horror. [Oski, Apud Felipe, Galactolatria, p. 123].

As suspeitas de Oski, levantadas na década de 70 do século passado com base em dados obtidos em seu consultório de pediatria, estão de acordo com a realidade do consumo de leite bovino por humanos ao redor do mundo. De fato, confirma o cirurgião de mamas Dr. Robert Kradjian numa carta endereçada a uma paciente que lhe perguntou se deveria continuar a consumir laticínios: “entre os mamíferos, apenas os humanos e, entre esses, apenas os caucasianos podem seguir tomando leite após desmamarem”. [Kradjian, Apud Felipe, Galactolatria, p. 123]. Complementando sua explicação sobre a razão pela qual não se deve ingerir leite após o desmame, Kradjian se refere à nossa herança ancestral. Ela não incluía a ingestão de leite em idade pós-amamentação natural. A abstenção do leite não impediu que nossos ancestrais paleolíticos tivessem ossos fortes e bem desenvolvidos:

Não há dúvida quanto aos esqueletos encontrados de que refletem muita força, musculatura e completa ausência de osteoporose. E, se você acha que esse grupo não é importante para nosso estudo, considere que hoje nossos genes programam nossos corpos quase do mesmo modo como o fizeram com nossos ancestrais há 50 e 100 mil anos atrás. [Kradjian, Apud Felipe, Galactolatria, p. 124].

Não temos necessidade alguma “de obter cálcio a partir do leite de vaca”, escreve, por sua vez, Joseph Keon no livro Whitewash, afirmando que isso, aliás, é contraproducente. Nossos ancestrais, enfatiza o autor, “obtinham cálcio de raízes, tubérculos, nozes e folhas verdes”, dieta que lhes facultou “atender à necessidade de cálcio”. [Keon, Apud Felipe, Galactolatria, p. 124].

Cohen chama a atenção para o fato de que “a maior parte das pessoas reage com repugnância à sugestão de tomar leite humano” ou mesmo o leite de sua gata de estimação. Tal reação apenas confirma a intuição que temos de que cada espécie tem seu próprio leite e ele existe para ser ingerido somente num determinado período da vida, não em outros. Mesmo assim, continuamos a tomar leite de vacas.

Ao tomar um copo de leite, comer um sanduíche de queijo, uma torta, um sorvete, chocolates, continua Cohen, “o fazemos sem consciência de estar consumindo hormônios poderosos de crescimento, quantidades enormes de colesterol, gordura saturada, proteínas alergênicas, inseticidas, antibióticos, vírus e bactérias.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 128]. Corroborando a tese de Oski, Cohen afirma: “leite de vaca deve ser consumido por bezerros, não por humanos. Leite de gatas, por gatinhos, não por cãezinhos. Cada espécie mamífera desenvolveu uma fórmula natural perfeita para seus próprios filhotes.” [Cohen, Apud Felipe, Galactolatria, p. 128].

O leite de cada fêmea mamífera é composto para possibilitar que os rebentos se desenvolvam dentro da expectativa daquela espécie, com habilidades animais específicas, inteligência específica, massa corporal específica. Nesse sentido, o médico Dr. Robert Kradjian, escreve:

[O] leite de vaca é muito mais rico em proteínas do que o leite humano. Três a quatro vezes mais. Ele contém de cinco a sete vezes mais minerais. No entanto, é notadamente deficiente em ácidos graxos essenciais, [enquanto] o leite da mulher tem de seis a dez vezes mais desses ácidos, especialmente o linoleico. [Apud Felipe, Galactolatria, p. 128].

A espécie humana não evoluiu para ganhar enorme massa corporal, como a dos bovinos, elefantes, girafas e rinocerontes (todos herbívoros), nem para dobrar o tamanho dos ossos em seis meses. Se assim o fosse, um bebê nascido com cinquenta centímetros teria um metro e meio de altura em seu primeiro aniversário. Considerando-se a altura dos bebês humanos ao nascerem, eles crescem, em média, em torno de 60% a 80% ao longo dos dois primeiros anos. Segundo Kradjian, o que tipifica o organismo animal humano é “o desenvolvimento neurológico avançado e um controle neuromuscular refinado”. Nesse sentido, alerta o cirurgião, recém-nascidos humanos “necessitam de material importante para seus cérebros, coluna vertebral e nervos.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 129].

Tornando mais palpável a tese da diferença na composição dos leites de cada espécie, Keon compara os percentuais de calorias e proteínas do leite de sete fêmeas de diferentes espécies, com o número de dias necessários para que seus respectivos recém-nascidos dobrem de peso. Quanto mais alto o teor de calorias proteicas no leite, mais rápido o crescimento do animal, a saber:

O leite da mulher contém 5% de calorias em forma de proteínas; bebês humanos levam 180 dias para dobrar o peso. O leite da égua contém 11% de calorias em forma de proteínas; potrinhos levam 60 dias para dobrar o peso. O leite da vaca contém 15% de calorias em forma de proteína; bezerros levam 47 dias para dobrar o peso. O leite da cabra contém 17% de calorias em forma de proteínas; cabritos levam 19 dias para dobrar o peso. O leite das cadelas contém 30% de calorias em forma de proteína; cãezinhos levam 8 dias para dobrar o peso. O leite da gata contém 40% de calorias em forma de proteínas; gatinhos levam 7 dias para dobrar o peso. O leite da ratazana contém 49% de calorias em forma de proteína; ratinhos levam 4 dias para dobrar o peso. [Keon, Apud Felipe, Galactolatria, p. 130]. Quanto maior o teor de calorias em forma proteica, mais acelerado é o metabolismo de crescimento mamífero.

Espécie de Leite

% Calorias Proteicas

Dias para Dobrar o Peso

Mulher

5

180

Égua

11

60

Vaca

15

47

Cabra

17

19

Cadela

30

8

Gata

40

7

Ratazana

49

4

Keon apresenta a média dos nutrientes presentes no leite da mulher e no da vaca: um copo de 250 ml de leite de mulher contém 1,1 g de proteína, enquanto o de vaca contém 4g. Na mesma medida de leite da mulher, há 4 g de gordura, enquanto no da vaca há 3,5 g. O leite da mulher contém 9 g de carboidratos, quase o dobro, comparado ao da vaca que contém 4,9 g. Quanto aos minerais, no copo de 250 ml de leite de mulher há 18 mg de fósforo, enquanto no de vaca há 97 mg. A quantidade de sódio no leite de mulher é de 16 mg em 250 ml, enquanto no da vaca é de 50 mg. A de cálcio, no leite da mulher, é de 33 mg, enquanto no da vaca é de 118 mg. [Cf. Felipe, Galactolatria, p. 130]. Nas Sessões 5 e 6 trataremos dos malefícios para a saúde humana do excesso de cálcio presente no leite de vaca.

250 ml leite

Proteína

Gordura

Carboidrato

Fósforo

Sódio

Mulher

1,1 g

4 g

9 g

18 mg

16 mg

Vaca

4 g

3,5 g

4,5 g

97 mg

118 mg

O nível de proteína no leite da mulher, esclarece Keith Woodford, é de 1,6% nos primeiros dias após o nascimento do bebê, caindo em seguida para 0,9%. O leite bovino, prossegue o autor, contém 3% a 4% de proteína, podendo variar em função do cruzamento e também de cada vaca. A qualidade e a quantidade das proteínas dos leites de mulher e de vaca também diferem. O de vaca contém 80% da caseína na gordura e 20% no soro. A caseína do leite de mulher concentra-se mais no soro (80%) do que na gordura (20%). [Cf. Felipe, Galactolatria, p. 130.].

Keith Woodford, no livro Devil in the Milk [O diabo no leite], compara diferentes leites e apresenta-os em sua especificidade: o leite das vacas contém apenas 13% de matéria sólida, enquanto o das ursas polares chega a 43% de sólido, e o das focas cinzentas, a quase 68%. No aspecto da porcentagem de matéria sólida presente nos diferentes leites, o da mulher tem característica semelhante ao das vacas, algo em torno dos 13%. [Apud Felipe, Galactolatria, p. 131]. Contudo, a semelhança acaba aqui. Os componentes desses dois tipos de leite diferem enormemente.

O leite de mulher tem um índice maior de lactose, um índice similar de gordura, mas um índice bem menor de proteína, comparado ao de vaca. Também os minerais – cálcio, sódio e potássio -, conforme Woodford, estão presentes em menor escala no leite de mulher, quando comparados aos índices desses minerais no de vaca. Se examinada com mais acuidade a proteína desses dois tipos de leite, o de mulher apresenta níveis que variam de 1,6% nos primeiros dias após o nascimento, baixando para menos de 1% nos dias seguintes. O índice de proteína do leite de vaca é de 3% a 4%. Nesse leite, quase 80% da proteína é formada pela caseína, enquanto a proteína do leite de mulher é formada basicamente por soro. [Cf. Felipe, Galactolatria, p. 132].

Oski é enfático em sua tese sobre o malefício do leite bovino na dieta humana. Ele critica o fato de se falar apenas da intolerância ao leite e de se fazer silêncio completo sobre as evidências dos benefícios do leite bovino para humanos serem míseros, seu gosto nem sempre ser agradável e haver risco de contaminação por bactérias e outros elementos danosos para a saúde humana.

Corroborando a tese de Oski, o pediatra norte-americano conhecido mundialmente por defender o aleitamento bovino de bebês, o Dr. Benjamin Spock, após meio século garantindo às mães “que o leite bovino era um alimento quase perfeito, […] deu uma virada de 180º” ao criticar o leite de vaca e “anunciar que ele é inapropriado para crianças com menos de um ano de idade, porque elas reagem negativamente aos hormônios bovinos”. Cohen afirma que a virada dada por Spock, alguns anos antes de morrer, levou a American Academy of Pediatrics [Academia Americana de Pediatria] a “reexaminar as questões do leite e a retirar seu apoio ao leite integral para bebês, com base no fato de que o ferro do leite não pode ser devidamente absorvido.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 134].

O Dr. Neal Barnard, fundador do Comitê dos Médicos por uma Medicina Responsável, que agrega mais de 6.000 médicos, curando doenças agudas e crônicas usando apenas alimentos de origem vegetal ou a dieta vegana composta de não refinados e não processados, em vez de remédios, e associando exercícios e meditação ao tratamento, enfatiza as conclusões de relatórios de pesquisa sobre “os riscos para a saúde, da ingestão de leite e derivados”, por conta da “proteína, do açúcar, da gordura e dos contaminantes” presentes nele, e sua inadequação enquanto alimento de bebês.

A Academia Americana de Pediatria “recomenda que bebês com menos de um ano de idade não recebam leite de vaca nem seus derivados. O leite de vaca é muito pobre em ferro. Para atingir os 15 mg de ferro recomendados pelo U. S. Recommended Daily Allowance, um bebê teria que tomar 31 litros de leite bovino por dia. O leite pode causar perda de sangue no trato intestinal. No decorrer do tempo, ainda que mínima, tal perda reduz os estoques de ferro. Pesquisadores desconfiam que a perda de sangue “pode ser uma reação às proteínas presentes no leite.” [Cohen, Apud Felipe, Galactolatria, p. 135]. Uma explicação para a reação às proteínas pode ser encontrada no fato de que “o leite bloqueia a acidez no estômago e permite que proteínas simples resistam à digestão”, como ocorre com o aspartame, explica Cohen. Com o teor mais alcalino, o estômago perde força, realizando malmente a digestão da proteína contida no leite. [Apud Felipe, Galactolatria, p. 135].

Cientes da composição do leite bovino e dos males que origina no organismo humano desde a infância, o Comitê dos Médicos por uma Medicina Responsável encaminhou em 12 de julho de 2012 uma petição ao governo norte-americano, liderado pelo Partido Democrata e Barak Obama, para que retire todos os leites e os produtos lácteos da merenda escolar de todas as escolas norte-americanas. Esses médicos também encaminharam uma petição ao congresso norte-americano para que retire da emenda à constituição que rege a merenda escolar a conhecida frase, imitada no Brasil: “o leite é um alimento essencial à saúde das crianças”. Além disso, eles encaminharam ao Congresso uma advertência, no sentido de considerar a saúde das crianças prioritária em relação aos interesses do agronegócio.

Também em 2012 os Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard refizeram a pirâmide alimentar saudável, e deram às carnes, leite e laticínios a percentagem de 0 na constituição das refeições humanas, uma virada de 180º para o resto do mundo que segue o padrão norte-americano estabelecido na década de 80 do século passado, no qual as carnes e os laticínios ocupam a parte central do prato desenhado pelos médicos, a saber: 70% carnes e laticínios, 20% carboidratos, 5% vegetais, 5% frutas e hidratação feita com leite. A nova pirâmide alimentar saudável proposta pelo Dr. John McDougall, do Comitê dos Médicos por uma medicina responsável, ficou constituída na seguinte proporção: 70% carboidratos integrais, 20% vegetais, 10% frutas, 0% carnes e laticínios. A hidratação complementar deve ser feita com água [Cf. The Starch Solution, p. 5].

Alguém viu estas duas notícias nos noticiários brasileiros, sejam eles televisionados, radiodifundidos ou impressos nos jornais de grande e pequena circulação? Por que seria que somos bombardeados com notícias vindas dos Estados Unidos, desde que elas sejam favoráveis aos negócios da carne e do leite, mas não nos transmitem notícias que poderiam ajudar a redefinir nossos padrões dietéticos para uma virada saudável?

Ingredientes naturais do leite bovino

De acordo com Oski, pioneiro na condenação do leite bovino para bebês humanos, o leite possui os três ingredientes básicos usados para fortalecer sua propaganda medicinal: açúcar, gordura e proteínas. Esses ingredientes apresentam-se suspensos em água que contém uma variedade de vitaminas e minerais, destacando-se o cálcio, garoto propaganda do agronegócio infiltrado na comunidade médica não informada dos malefícios dos laticínios para o organismo humano [Apud Felipe, Galactolatria, p. 135].

Na verdade, um litro de leite é composto por 850 ml a 880 ml de água e 120 ml a 150 ml de matéria não líquida. Exatamente as matérias em menor quantidade no leite – açúcar, gordura e proteínas –, têm sido investigadas pela pesquisa médica nas duas últimas décadas por estarem associadas às doenças mais devastadoras do organismo humano no ocidente: câncer, aterosclerose, diabetes, artrite e inflamações do sistema digestório, para citar algumas delas, bastante comuns.

A lactose é um carboidrato dissacarídeo formado exclusivamente nas glândulas mamárias em lactação. Segundo Oski, entre as fêmeas mamíferas, apenas três espécies aquáticas não a secretam: focas, leoas marinhas e morsas [Apud Felipe, Galactolatria, p. 135]. Além do mais, explica Oski, “nenhum outro alimento, exceto o leite, contém lactose”. [Apud Felipe, Galactolatria, p. 135].

O leite da mulher apresenta algo em torno de 75 g de lactose por litro. Em contrapartida, o da vaca apresenta 45 g. O mesmo litro de leite de vaca contém em torno de 35 g de gorduras, das quais 21 g (60%) são saturadas. Se alguém consome um litro de leite ou seu equivalente, por dia, por exemplo, uns 50 a 60 g de queijo, ingere mais de um terço do total diário de gordura considerado necessário, segundo recomendação da Associação Americana do Coração e do Painel da Casa Branca sobre Alimentos, Nutrição e Saúde [Apud Felipe, Galactolatria, p. 135]. Para preservar sua saúde, conclui Oski, o comedor não tem outra saída a não ser abster-se completamente de ingerir leite e laticínios, a única forma de não ingerir gorduras saturadas em excesso [Apud Felipe, Galactolatria, p. 136]. Sua ingestão limita a liberdade de ingestão de outros alimentos. Mas quantos galactômanos sabem disso?

Cálcio

O cálcio está presente no leite de vaca na ordem de 1,2 g por litro, um teor bastante elevado [Oski, Apud Felipe, Galactolatria, p. 137]. Não há consenso, nos países que estabelecem doses mínimas para ingestão diária de cálcio, sobre a quantidade necessária a ser ingerida por humanos. Curiosamente, quanto mais leite de vaca um país extrai, mais elevada é a recomendação de ingestão diária do cálcio. No Canadá e na Inglaterra, seguindo a Organização Mundial de Saúde, a recomendação não passa de 500 mg por dia [Cf. Felipe, Galactolatria, p. 137]. Nos Estados Unidos a ingestão mínima recomendada é de 800 mg diários, podendo chegar a 1.200 mg [Apud Felipe, Galactolatria, p. 137].

Comparado ao leite da mulher, o da vaca apresenta de três a quatro vezes mais cálcio. À primeira vista, parece razoável concluir que é melhor, então, dar leite de vaca para bebês humanos, do que deixá-los serem amamentados por suas mães. Entretanto, um bebê humano não precisa de todo aquele cálcio para fortalecer seus ossos. O leite da vaca contém até 1.200 miligramas de cálcio por litro, enquanto o da mulher contém 300 miligramas. E basta. Se o leite da mulher fosse dado ao bezerro, ele, sim, sofreria deficiência de cálcio. Dar o leite da mãe ao bebê humano não o torna deficiente em cálcio, a menos que essa mãe esteja descompensada.

O cálcio em menor quantidade no leite da mulher é absorvido de modo eficiente pelo organismo do bebê, enquanto o do leite da vaca não o é, devido à quantidade de fósforo presente no leite da vaca. No processo de digestão do leite, explica Oski, essa quantidade de fósforo acaba por ligar-se ao cálcio, impedindo que seja absorvido pelo intestino. Isso leva “muitos nutricionistas a crerem que somente os alimentos com uma proporção de dois para um, ou menos, entre cálcio e fósforo deveriam ser usados como fontes primárias de cálcio.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 138].

Um copo de leite de vaca tem 210mg de cálcio e 167 mg de fósforo, 30% a mais do que o desejável para que o cálcio possa ser bem absorvido. O ideal para essa quantidade de cálcio seria 105 mg de fósforo, no máximo.

Para que o cálcio presente na dieta possa ser bem utilizado pelo organismo humano é preciso que haja equilíbrio entre ele e o magnésio. O leite da vaca, mais uma vez, apresenta uma relação desproporcional, da ordem de oito para um, entre cálcio e magnésio [Cf. Felipe, Galactolatria, p. 138], fazendo com que o cálcio não possa ser assimilado nessa quantidade.

Sabendo-se que 75% do cálcio contido no leite de vaca não pode ser assimilado pelo organismo humano, pode-se concluir que seria melhor desonerar nosso sistema digestório das tarefas que ele não consegue realizar com eficiência, abolindo o leite e seus derivados da dieta. Em vez de buscar no leite bovino a fonte de cálcio para nosso organismo, podemos buscar em alimentos vegetais o cálcio necessário para a manutenção de nossas células e ossos. Uma comparação, feita por Cohen, mostra-nos que é possível fazer certas escolhas mais saudáveis quando se trata de alimentação.

Em uma xícara de leite de vaca temos algo em torno de 291 mg de cálcio, enquanto uma xícara de couve cozida contém 290 mg de cálcio [Apud Felipe, Galactolatria, p. 138]. Todavia, dos 291 mg de cálcio contidos no leite, 218 mg (75%) circularão livremente, causando os danos acima referidos, caso haja carência do magnésio, fundamental para sua fixação.

De fato, segundo o que os autores afirmam, não há razão alguma para ingerir cálcio de origem animal, se temos à nossa disposição a mesma quantidade de cálcio de origem vegetal. “Se for levado em conta”, escreve Cohen, “que apenas um quarto do cálcio do leite é utilizado pelo corpo, por conta da falta de magnésio e da superabundância de proteína, então o cálcio disponível em uma xícara de couve cozida é igual ao de cinco copos de leite! Há cálcio sobrando no leite, mas ele não é facilmente absorvido.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 139].

Não é apenas o cálcio que excede no leite de vaca, considerando-se o que seria razoável ou recomendável para o organismo humano. Também o sódio e a vitamina D podem estar presentes em quantidades ameaçadoras à saúde humana. Entre os efeitos colaterais do excesso de vitamina D, esclarece Keon, estão “a formação de cálculos nos rins, a hipercolesterolemia (colesterol ruim alto), a hipercalcemia, o retardo mental e danos aos olhos, ao sistema cardíaco e circulatório.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 139].

Numa pesquisa feita nos Estados Unidos para medir a quantidade de sódio do leite vendido, foi constatado que ele podia variar de 25 a 40 miligramas acima do indicado na embalagem, por litro [Apud Felipe, Galactolatria, p. 139]. A falta de vigilância também ocorre em relação aos níveis de vitamina D, adicionada ao leite industrializado. O médico Neal Barnard alerta para o fato de que a vitamina D,

[…] tem sido regulada de forma precária. Testes […] de 42 marcas de leite [norte-americanos] confirmaram que apenas 12% estavam dentro dos parâmetros esperados do nível de vitamina D. O teste de 10 amostras de preparados para recém-nascidos revelou que sete continham mais do que o dobro de vitamina D indicada nos rótulos, uma delas continha mais de quatro vezes o teor indicado no rótulo. A vitamina D é tóxica em overdose. [Apud Felipe, Galactolatria, p. 139].

Dado que 75% do cálcio presente no leite de vaca não pode ser aproveitado pelo organismo humano, seja pela falta de magnésio, pelo excesso de fósforo ou pela carência de vitamina D, os empresários descobriram um modo de convencer os consumidores de que é possível, sim, aproveitar o cálcio do leite bovino, bastando para isso acrescentar-lhe vitamina D sintética. Com isso, o número de pessoas sofrendo risco de doenças causadas pela vitamina D aumenta, correspondendo ao aumento do consumo de produtos derivados do leite aditivado com ela. O excesso de cálcio leva o cérebro a interromper os comandos que envia ao fígado para processar a vitamina D.

Conforme explicado, o leite de todas as fêmeas contém duas concentrações diferentes de proteínas: a do soro e a da coalhada. A coalhada é formada por uma “variedade de proteínas chamadas caseínas, enquanto o soro contém as proteínas lactoferrina, alfa-lacto-globulina, beta-lacto-globulina, albumina, lisozima e imunoglobulinas.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 140]. A fermentação do leite por enzimas ou por ácidos segrega a coalhada, restando, então, o “soro do leite” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 140]. A composição do leite da mulher difere da composição do leite de vaca também no que diz respeito à proporção entre soro e coalhada.

Relembrando o que já foi esclarecido anteriormente, as proteínas do leite da mulher se constituem de “aproximadamente 80% de soro e 20% de coalhada ou caseína”, enquanto as do leite da vaca praticamente invertem essa proporção. Ele contém mais de 80% de caseína e o restante de soro” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 140]. Além dessa proporção inversa, a natureza das proteínas desses dois tipos de leite também difere. As proteínas do soro, contidas em maior quantidade no leite da mulher, são tidas como “superiores”, do ponto de vista nutricional [Apud Felipe, Galactolatria, p. 140].

Da perspectiva da saúde mental humana, a gordura do leite da vaca é pobre, especialmente para a formação e a manutenção das funções cognitivas. O leite da mulher, segundo Keon, “tem até dez vezes mais ácidos graxos do que o leite da vaca.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 140]. As proteínas contidas no leite da mulher respondem por apenas 5% das calorias ingeridas pelo bebê humano. Em contrapartida, para atender às necessidades do desenvolvimento do bezerro, o leite de vaca tem três vezes mais esse teor. Não apenas o cálcio do leite da vaca é excessivo para o organismo do bebê humano. Também o são as proteínas, o sódio e o fósforo contidos nele [Apud Felipe, Galactolatria, p. 140].

Se medirmos os teores de gordura, colesterol, sódio e proteína, contidos em 1½ litros de leite tabelado com 3,5% de gordura, ingerimos: “942 calorias, 53 g de gordura, 210 mg de colesterol (o limite diário é de 300 mg), 714 mg de sódio e 48 g de proteína” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 141]. O Dr. Joseph Keon, autoridade em nutrição, bem-estar e saúde pública, nos Estados Unidos, declara: “Tais ‘Decisões Deliciosas’ podem ser a prescrição perfeita para a futura osteoporose, doença cardíaca, hipertensão, obesidade e elevado risco de câncer, segundo um número cada vez maior de resultados de pesquisa.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 141].

Woodford lista três tipos de caseína contidos no leite: alfa-, beta-, e kappacaseína [Apud Felipe, Galactolatria, p. 141]. Um litro de leite bovino, dependendo da raça da vaca, pode conter algo entre 9a 12 g, quase duas colheres de chá de betacaseína (A1 e A2), a proteína do leite associada à maior parte das doenças que afetam um grande número de pacientes, especialmente no ocidente: diabetes, cardiopatias, aterosclerose e outras de ordem neurológica e mental, incluindo a esquizofrenia e o autismo [Apud Felipe, Galactolatria, p. 141].

No leite bovino homogeneizado está presente a xantina oxidase, uma enzima que pode entrar na corrente sanguínea humana. Essa enzima contribui para a destruição das paredes internas das artérias e oxidação da gordura e das proteínas mal digeridas do leite em seu interior. A xantina oxidase pode ser o fator que eleva o número de pessoas com doenças cardíacas nos países onde o leite homogeneizado é mais consumido [Apud Felipe, Galactolatria, p. 141]. Associada ao excesso de cálcio circulando pelo interior das artérias, essa enzima ajuda a formar as placas em seu interior, causando sua estenose.

A quantidade de gordura de leite e derivados, ingerida por um comedor que segue a dieta padrão norte-americana, ultrapassa de longe os níveis considerados saudáveis, mesmo pelos defensores da dieta onívora. Para dar uma ideia mais precisa do teor de gordura e proteína escondidas no leite da vaca, Cohen apresenta a seguinte comparação:

Se você come [laticínios] na mesma quantidade diária do cidadão médio americano, você come o equivalente em gordura a 11 fatias de bacon, o equivalente em colesterol ao que 53 fatias de bacon contêm, e hormônios suficientes para dar início ao mesmo processo de ruptura do controle que seu sistema imunológico produz quando há câncer. [Apud Felipe, Galactolatria, p. 142].

Esses dados continuam ignorados pela maior parte dos profissionais da medicina e da nutrição e dos consumidores de leite e laticínios, não apenas nos Estados Unidos, mas também no Brasil.

O fator de crescimento insulínico – IGF-I

O fator de crescimento insulínico (IGF-I) não é a causa do câncer, explica Cohen [Cf. Felipe, Galactolatria, p. 142]. Mas ele fomenta o crescimento desordenado das células que formam os tumores cancerígenos. Sem ele, “não há câncer”. Em pesquisas mais recentes, os cientistas concluíram que o IGF-I fomenta os tumores, pois,

[…] acelera nitidamente o crescimento de células malignas e sua habilidade de se espalharem para outros órgãos (metástase). Quanto mais IGF-I presente neles, mais agressivos parecem ser os tumores. Isso pode acontecer, não apenas pelo fato de que o IGF-I é mitogênico (estimula a divisão celular), mas também por ser antiapoptótico, quer dizer, impede a morte programada das células – uma característica central de células cancerígenas. [Cohen, Apud Felipe, Galactolatria, p. 142].

O que parece ter sido criado para dar aos consumidores de leite e laticínios a impressão de estarem se servindo de algo seguro e saudável, a homogeneização, explica Cohen [Apud Felipe, Galactolatria, p. 142], é justamente o que torna o fator de crescimento insulínico IGF-I um perigoso coadjuvante no crescimento dos tumores cancerígenos. Ao sofrer a pressão que o processo de homogeneização produz sobre o leite, suas moléculas de gordura são fracionadas em partículas tão pequenas que não podem ser alcançadas pelos ácidos digestivos. Desse modo, elas entram na corrente sanguínea sem terem sido devidamente digeridas, seguindo livremente até o interior de cada célula do corpo humano. Para agravar ainda mais o quadro, a caseína oferece uma espécie de proteção contra a digestão apropriada das moléculas de gordura presentes no leite. As moléculas de gordura láctea não digeridas “passam do estômago para os intestinos, entram na corrente sanguínea e circulam pelo corpo humano, desencadeando poderosos efeitos de crescimento.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 142-143].

O leite magro, ao contrário do que a maior parte dos consumidores pensa, não está livre de gorduras. “Três fatias de bacon contêm menos gordura do que um copo de leite magro” [Cohen, Apud Felipe, Galactolatria, p. 143].

Ingredientes maléficos do leite bovino

Lactose, gordura, proteínas, vitaminas e minerais são constituintes naturais do leite, variando sua presença em função da espécie mamífera e até mesmo da raça ou indivíduo. Estudos atualizados enfatizam cada vez mais a associação entre o consumo de leite bovino e o risco de certas doenças. Os malefícios causados pelo leite bovino à saúde humana não decorrem apenas do fato de que a lactose, o colesterol, a gordura, a proteína e o cálcio, quando consumidos além da conta necessária para manter o funcionamento normal de nossas células, causam doenças. Outros ingredientes fazem parte daquela matéria que ainda chamamos leite. Entre eles, hormônios, pesticidas, antibióticos, pus, formol, formaldeído, ureia, nitratos, nitritos, metais pesados e organoclorados.

Curiosamente, quando ocorreu o escândalo do leite vendido no Brasil, por conter água oxigenada e soda cáustica, não se falou do pus nem de qualquer outro contaminante. Só se tratou de apavorar o consumidor por conta da soda cáustica e da água oxigenada. Quando ocorreu o escândalo do formol, não se falou em pus, nem em qualquer outro veneno presente naquelas caixinhas e saquinhos levados inocentemente pelo galactômano. Nenhum jornalista independente até hoje investigou o que uma caixinha de leite contém. Nenhuma ONG levou o leite aos laboratórios de bioquímica para escanear sua composição e contar as células somáticas e os resíduos de todos os contaminantes presentes no leite. Mas, no Mato Grosso, uma estudante fez sua dissertação de Mestrado sobre os contaminantes no leite de mulheres. Sua amostragem deu 100% de contaminação com organoclorados. De 62 mulheres, apenas uma trabalhava em contato direto com as sacas de soja e milho colhidos na cidade. Todas as mães estavam em contato com os venenos pelos alimentos consumidos e pelo ar respirado.

Os consumidores, ignorando que possa haver muito mais coisas no interior daquelas caixinhas, incluindo coliformes fecais, encontrados há três semanas em 18 de 25 marcas de queijo mineiro vendidas no Brasil, também não pressionam os cientistas das universidades brasileiras a fazerem uma investigação independente para revelar o que escorre escondido nos leites vendidos pelo país afora, e o que é vendido compactado no produtos laticínios: queijo, iogurte, nata, creme e manteiga.

Considerando-se que mais de 30% do leite consumido no Brasil não passa por qualquer inspeção [Cf. Felipe, Galactolatria, p. 144], podemos imaginar o que pode estar escorrendo nesse líquido branco do qual o galactólatra se serve e serve a seus filhos. O escândalo mais recente da adulteração do leite no Brasil (maio de 2013) confirma a deficiência de fiscalização para dar conta do parque galactífero. Formol, formaldeído, ureia e água de poço foram ingredientes aditivados aos do leite em mais de 100 milhões de litros nos últimos anos, sem que ninguém suspeitasse de nada. Todos esses elementos foram ingeridos por humanos, por anos a fio, sem que suspeitassem que o que tomavam como leite fosse apenas um líquido branco adulterado.

A mastite e o pus

Níveis de pus no leite são tabelados pelos Estados, pelo menos nos Estados Unidos. Para quem nunca ouviu falar disso, o tema pode parecer não apenas estranho, mas também repugnante. Segundo Schmid, a contagem de células somáticas é monitorada “para assegurar o cumprimento dos padrões federais de qualidade, e o que tais padrões revelam é a qualidade abismadora da maioria dos leites produzidos hoje.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 145].

O número de células somáticas não pode ser superior a 750.000 por ml de leite, para estar de acordo com a State and Federal Pasteurized Milk Ordinance – PMO (Regulamento Estadual e Federal da Pasteurização do Leite) nos Estados Unidos. Se esse nível legal de pus for ultrapassado, o leite não pode ser comercializado. Mas onde estão os fiscais para fazer o controle diuturnamente? Nem aqui nem lá existem pessoas em número suficiente para efetivo controle. Esse controle é feito por acaso, para constar. Mas ele não é suficiente para cercar todas as hipóteses de contaminação possíveis no leite tirado de um animal violentado em seu éthos pelo manejo galactocrático.

Conforme citado por Schmid, o mesmo artigo que estabelece os níveis legais de células somáticas no leite afirma que “em geral”, esse nível não passa de 200.000 por ml e, ainda, pode ser inferior a 100.000 “na primeira lactação, ou em rebanhos bem manejados”. A Comunidade Europeia estipulou o limite de 400.000 células somáticas por ml de leite. No Brasil o limite é de 1.000.000 de células somáticas para cada ml. Segundo Schmid, se os níveis passam de 250.000 os indícios são de “infecção bacteriana causando inflamação do úbere”. Como é que uma inflamação no úbere consegue deixar o leite livre de pus?

Há, pois, uma discrepância entre os níveis de pus que indicam inflamação do úbere causada por bactéria e os níveis do pus legalizados pelo lobby leiteiro, nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil. Mas a discrepância torna-se ainda mais espantosa quando comparamos os níveis de células somáticas e células brancas do sangue, tolerados há 50 anos com os altos níveis atuais.

Àquela época, os textos se referiam ao assunto, nestes termos: “O leite de úberes normais normalmente contém menos de 50.000 células por ml, enquanto o de úberes infectados quase sempre contém mais de 100.000 por ml.” [Cf. Felipe, Galactolatria, p. 145]. Comparado ao nível de meio século atrás, quando os limites normais ficavam em torno de 50.000 células somáticas por ml, hoje esse limite é de 750.000 por ml.

O consumo de pus no leite e laticínios está hoje 15 vezes mais alto do que então. Quanto às células brancas do sangue, que atingem a metade ou mais das células somáticas contadas, não há informação divulgada. Quem deu autoridade a quem para induzir os galactômanos à ingestão de tal índice delas? Em que sentido elas são nutritivas para o organismo humano?

A contagem de células somáticas é um procedimento para medir a quantidade de células epiteliais e brancas do sangue presentes por ml de leite. Essa contagem, segundo Keon, serve também para premiar os produtores que mantêm as vacas sem processos inflamatórios infecciosos nas glândulas mamárias.

Em 2005, nos Estados Unidos, escreve Keon, “o prêmio de honra foi concedido a um rebanho que teve o número de até 70.000 células somáticas por ml de leite, e o segundo lugar ficou com um rebanho cuja contagem não ultrapassou 98.000 por ml.” Keon conclui sua exposição com uma frase absolutamente elucidativa:

É perfeitamente legal vender leite de vacas doentes, desde que a contagem de células somáticas não exceda 750.000 por ml. Desse modo, você pode gratificar-se legalmente com seu copo de 250 ml de leite contendo dezenas de milhões de células brancas do sangue. [Apud Felipe, Galactolatria, p. 146].

A questão, no entanto, não se resume apenas ao estabelecimento legal de níveis de pus num alimento largamente consumido por humanos, como o leite. A questão é a da fiscalização desses níveis, publicamente silenciada, se é que há. Como estar seguro, no Brasil, de que os galactômanos não estejam ingerindo níveis muito mais bombásticos de pus nos laticínios, se os níveis de células somáticas tolerados aqui são de 1.000.000 por ml de leite? De cada 100 litros de leite processados em nosso país, 40 litros não sofrem qualquer tipo de inspeção.

Assim como os antibióticos, cujos resíduos não podem ser inteiramente tirados do leite no processamento final, também não podem ser retirados os resíduos de pus dos leites processados e de derivados deles. O pus, escreve Cohen, é tratado em termos tão dissimuladores que levam a maior parte dos consumidores a não entender do que se trata. “Células somáticas” são termos polissêmicos que designam células epiteliais tanto quanto células brancas do sangue. O pus, embora desagradável de ouvir e ler, é servido e sorvido sem ser percebido pela visão, palato e olfato dos galactômanos humanos que ingerem leite e laticínios.

O leite [escreve Cohen] está repleto de células mortas dissolvidas como substância proteica em nome da culinária. Está cheio de pus de vacas com mastite, tratadas com antibióticos; abarrotado de pesticidas, contém bactérias que, apesar das inúmeras drogas miraculosas com que as vacas são tratadas, não são inteiramente destruídas. Gordura e colesterol? Nenhum outro alimento contém tanto. O leite contém o hormônio geneticamente modificado, do equivalente ao hormônio humano IGF-I, poderoso fator de crescimento. […] Como foi que tivemos tanto êxito em tirar da cabeça todo e qualquer conceito da origem do produto contido naquelas embalagens dos supermercados? Imaginando vacas felizes pastando em belos campos, representadas com grande habilidade nas mesmas embalagens. [Apud Felipe, Galactolatria, p. 147].

Hormônios

Muitos dos hormônios e fatores de crescimento presentes no leite bovino, senão todos, estão presentes também no leite humano. A função deles parece bem clara: levar os bebês humanos a se desenvolverem fisicamente para poderem seguir vivos e adquirir pouco a pouco as características típicas de sua espécie. Esses mesmos hormônios e fatores de crescimento bovino não são desativados quando ingeridos por humanos adultos.

Segundo o pesquisador Klagsburn, um dos pioneiros no estudo dos fatores de crescimento presentes no leite, “hormônios de crescimento, tanto no leite de vaca quanto no humano, estimulam o crescimento celular.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 148]. Para realizar o crescimento celular o organismo produz essa série de hormônios ou fatores de crescimento. A ingestão de uma carga extra deles leva a um crescimento celular fora do padrão daquele organismo. Em médio ou longo prazo é de se pensar que leve também, em muitos casos, à reprodução anormal de células no corpo humano.

O hormônio IGF-I [fator de crescimento insulínico] está presente no corpo humano, podendo ser detectado tanto no sangue quanto na saliva. Ele se liga “a proteínas e receptores, é um componente da formação do tecido celular […]. Os níveis normais de IGF-I livre são relativamente baixos. Medindo-os, recentemente, Frystyk descobriu que os níveis humanos são inversamente proporcionais à idade, variando de 950 ng/L [nanogramas por litro], entre 20-30 anos de idade, a 410ng/L acima dos 60 anos de idade”, diferente dos níveis de IGF-II, que não variam com a idade [Cf. Felipe, Galactolatria, p. 149].

O médico Samuel Epstein, professor de Medicina Ambiental na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Illinois e Diretor da Coalizão para Prevenção do Câncer, explica o risco para a saúde humana do consumo de leite de vaca tratada com o hormônio recombinante. Nesse leite, esclarece o médico, “o nível de IGF-I chega a ser dez vezes maior do que o normal.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 150]. A preocupação do cientista deve-se ao fato de que a exposição ao IGF-I “aumenta o risco de câncer gastrointestinal e de mama”, conclusão à qual também chegaram outros cientistas, conforme artigo publicado em Cancer Research [Pesquisa do Câncer], no qual afirmam: ‘”a possibilidade existe, de que o aumento dos níveis de IGF-I circulando possa contribuir para o crescimento do tumor mamário’.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 150].

A Cruz Vermelha realizou uma pesquisa usando amostras de sangue de cordão umbilical, revelando “níveis de contaminação nunca antes imaginados”. Em média, as amostras apresentaram “287 contaminantes diferentes, incluindo pesticidas, retardantes de chamas, o químico PFOA, Teflon e mercúrio”. Segundo relatório dos pesquisadores, citado por Keon, “180 desses químicos são cancerígenos em humanos e animais, 217 são tóxicos para o cérebro e sistema nervoso central e 208 causam má formação fetal e desenvolvimento anormal em animais submetidos a testes.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 151]. Muitos desses químicos, confirma Keon, são lipofílicos, quer dizer, grudam-se às moléculas de gordura dos tecidos do organismo animal, e nelas ficam depositados. Ao ingerirem alimentos de origem animal os humanos oferecem seus organismos como alojamento dessas toxinas. Neles, as lipossolúveis voltam a fixar-se nos tecidos gordurosos, razão pela qual muitos cânceres têm origem na “gordura” e podem ser curados com abstenção total de alimentos de origem animal, conforme o prescrevem os médicos do Comitê dos Médicos por uma Medicina Responsável, nos Estados Unidos, entre eles, Neal Barnard, Caldwell B. Esselstyn, John McDougall e T. Colin Campbell.

Patógenos no leite

Além dos hormônios, fatores de crescimento, pus, antibióticos, bactérias resistentes a esses, pesticidas e teores desproporcionais de nutrientes, quando comparado ao leite da mulher, o leite bovino é um carreador de microorganismos poderosos que resistem até mesmo ao mais avançado processo de esterilização UHT.

Segundo Keon, a paratuberculose, doença bovina causada “pela infecção da Mycobacterium avium subespécie paratuberculosis, conhecida pela sigla MAP, similar à que causa tuberculose e lepra em humanos, foi descrita há quase um século pela primeira vez na Alemanha. Ela produz os mesmos sintomas no gado que a doença de Crohn produz em humanos, incluindo a perda de peso e a diarreia crônica”, com intervalos de remissão [Apud Felipe, Galactolatria, p. 151].

Segundo Schmid, a doença de Crohn é tida pela maior parte dos estudiosos como autoimune. Mas, balançando as convicções correntes, há pesquisas que avolumam evidências da “vinculação entre a doença de Johne e a de Crohn” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 152]. Schmid reporta a afirmação do Dr. John Hermon-Taylor, Diretor do Departamento de Cirurgia do Hospital da Universidade de St. George, em Londres, especialista internacionalmente reconhecido por seus estudos da doença de Crohn.

Segundo Taylor, quando ”se considera a evidência, é difícil afirmar que o organismo não esteja envolvido. É certo que a M. paratuberculosis pode ser patogênica em humanos e é bem possível que ela cause uma proporção significativa – mesmo substancial – da doença de Crohn em humanos.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 152]. A pasteurização, ao contrário do que o Food and Drug Administration – FDA anuncia, não elimina a Mycobacterium avium paratuberculosis – MAP, afirma Schmid [Apud Felipe, Galactolatria, p. 152].

Keon, por sua vez, escreve: “tem sido sugerido que pessoas que tomam leite de vaca podem estar a ingerir […] a bactéria, aumentando a chance de desenvolver a forma humana da doença.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 152]. O cirurgião John Hermon-Taylor “detectou a micobactéria em 92% das amostras de tecido colhidas dos intestinos removidos de pacientes com a doença de Crohn. Num grupo de controle, apenas 26% tinham a bactéria” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 152], razão pela qual o médico afirma: a “vinculação entre o leite de vaca e a doença de Crohn ‘constitui um desastre de proporções trágicas na saúde pública’.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 152].

Segundo Keon, uma investigação realizada pelo Ministério da Agricultura norte-americano – USDA revelou o seguinte: “de cada cem caixinhas de leite vendidas em supermercados, três apresentam bactérias MAP em crescimento!” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 152]. Na Suíça, considerada uma das mais refinadas na produção industrial do leite bovino, 20% de 1.384 tanques de leite espalhados pelo país, analisados pela Universidade de Zurique, apresentaram resultados positivos para a MAP.

Podemos imaginar o que está sendo carreado pelo leite servido ao redor do planeta nos países onde o controle sanitário não é considerado fundamental. A micobactéria da paratuberculose também foi detectada em 2% do leite vendido no varejo na República Checa. Keon admite que os índices desse tipo de contaminação podem ser muito maiores, porque essa micobactéria é difícil de ser reproduzida em cultura[Apud Felipe, Galactolatria, p. 153]. Assim, para se ter certeza de que ela não está presente nos leites pasteurizados, seria necessário examinar cada litro vendido no varejo. “Sabemos”, escreve Keon, “que a MAP causa a doença de Johne no gado bovino e que essa doença apresenta os mesmos sintomas da doença de Crohn em humanos” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 153]. As vacas infectadas secretam essas micobactérias no leite. O método relâmpago de pasteurização (72 ºC por 15 segundos) não as mata.

Um surto de tuberculose atacou nos últimos anos a população bovina leiteira de Dharamsalah, na Índia, afetando 60% das vacas. Ao mesmo tempo, a tuberculose recrudesceu na população humana que, segundo os especialistas, consome leite infectado não pasteurizado [Apud Felipe, Galactolatria, p. 153].

O bacilo da tuberculose pode passar para o corpo humano, tanto através do leite quanto dos queijos, além de infectar os trabalhadores que cuidam do gado afetado. Apenas na Inglaterra, esclarece Keon, algo em torno de 20 mil cabeças de gado foram abatidas entre 2000 e 2010, “num esforço para deter o surto de TB que continua a espalhar-se e a infectar mais de 40 pessoas por ano.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 153].

Não há vacina contra a tuberculose bovina, que pode ser transmitida internamente ao rebanho e passar para a pessoa que tiver “contato com animais infectados, tomar leite sem ferver ou cortar a carcaça dos bovinos doentes”, segundo o Jornal Diário Catarinense, na redação da notícia sobre a execução de 91% de um rebanho tuberculoso, “em sua maioria vacas leiteiras”, na cidade de Herval d’Oeste, em Santa Catarina. No mesmo texto, o jornal divulga o número de 300 animais diagnosticados com tuberculose no estado catarinense nos três primeiros meses de 2012 [Apud Felipe, Galactolatria, p. 153]. Quantos outros foram detectados ao longo desse mesmo ano e até a metade de 2013? Não se fala mais do assunto.

O New England Journal of Medicine anunciou a descoberta de um novo tipo de Salmonella resistente a cinco antibióticos diferentes e o aumento em trinta vezes dos casos de humanos com infecção contraída por conta dessa nova cepa da bactéria nos últimos quinze anos. Segundo Keon, a resistência da bactéria Campylobacter alcançou 13% no espaço de seis anos, quando antes era 0% [Apud Felipe, Galactolatria, p. 153].

Por mais que a propaganda laticínica tenha convencido um terço da população mundial de que beber leite de vaca é uma decisão não apenas deliciosa, mas também saudável, nos meios científicos independentes, isto é, formados por médicos que não se tornaram consultores nem assessores ou sacerdotes da galactocracia, não há qualquer convicção de que o consumo de leite bovino seja recomendável para humanos.

Numa metapesquisa, realizada em mais de 500 artigos médicos, o cirurgião de mamas Dr. Robert Kradjian, opositor da ingestão de leite em qualquer idade, com exceção do leite da própria progenitora na primeira infância, não encontrou um artigo sequer que defendesse o consumo de leite bovino por humanos.

Em primeiro lugar [escreve Kradjian], nenhum dos autores fala do leite de vaca como um alimento excelente, livre de efeitos colaterais. O foco principal dos artigos publicados parece ser as cólicas intestinais, a irritação intestinal, o sangramento intestinal e a anemia, as reações alérgicas em bebês e crianças, assim como infecções, tais quais as causadas por Salmonella’. “Em adultos [continua o Dr. Kradjian], os problemas parecem mais centrados nas doenças cardíacas, artrite, alergia, sinusite e em questões mais sérias como a leucemia, o linfoma e o câncer. [Apud Felipe, Galactolatria, p. 154].

Segundo Fox, o Comitê de Nutrição da Academia Americana de Pediatria, no artigo, “The use of whole cow’s milk in infancy”, alerta as mães e cuidadores para não darem “leite de vaca aos bebês com menos de um ano de idade, porque pode causar anemia ferropriva. Isso não é por causa de o leite conter pouco ferro, mas porque a albumina bovina no leite pode causar uma reação imunológica no trato intestinal que o leva a perder sangue.” [Fox, Apud Felipe, Galactolatria, p. 154].

A infecção por Salmonella spp., por sua vez, não é algo simples, passível de ser controlado com o mero emprego de antibióticos. Em pelo menos 15% dos afetados, segundo pesquisas médicas, ela pode provocar o surgimento de artrite, doença que se arrasta por um longo período, no qual a pessoa perde a qualidade de vida, seja devido à dificuldade de movimentos, seja devido à dor, ou mesmo devido à ingestão de remédios para superar essas duas dificuldades. A contaminação por Salmonella spp., escreve Keon, “tornou-se algo comum e, mais do que nunca, envolve produtos derivados do leite de vaca.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 154].

Além dos hormônios, o leite contém pesticidas, antibióticos e metais pesados não passíveis de digestão nem excreção. Eles circulam livremente pelo sangue e chegam às células do cérebro. Alguns, o alumínio, por exemplo, têm sido associados ao Mal de Alzheimer e a outras doenças neurológicas degenerativas irreversíveis. Níveis elevados e perigosos de alumínio foram encontrados no leite de vaca, em queijos, cremes e fórmulas instantâneas para bebês. Segundo um estudo publicado pela Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition [Revista de Gastroenterologia Pediátrica e Nutrição], a versão fortificada de fórmulas para bebês contém 160 mcg de alumínio, enquanto a versão com caseína hidrolisada chega a 773 mcg”[Apud Felipe, Galactolatria, p. 155].

A matéria graxa exerce grande força de atração sobre a dioxina. Alimentos contendo dioxina contêm moléculas de gordura animal, tais quais o leite, a carne bovina e o peixe, fontes que respondem por até 95% da contaminação alimentar humana com dioxina, segundo relatórios de saúde publicados nos Estados Unidos [Apud Felipe, Galactolatria, p. 155].

O risco de contaminação por dioxina através dos alimentos que contêm gordura saturada é tão elevado que, em seu boletim Nutrition Action Health Letter [Carta sobre Nutrição, Ação e Saúde] o Center for Science in the Public Interest [Centro para a Ciência de Interesse Público], também dos Estados Unidos, recomenda: ”Sem dúvida alguma, um modo de minimizar sua exposição à dioxina é evitar alimentos de origem animal, incluindo os derivados do leite.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 156].

O próprio processo de produção do leite em pó desnatado libera nitratos, conforme vimos antes. Esse processo leva à “oxidação do colesterol no leite”. Embora, segundo Schmid, o colesterol não seja o grande inimigo da saúde humana (quando tem origem em fontes graxas vegetais) e até seja um “nutriente importante, especialmente para crianças em fase de crescimento”, o colesterol oxidado tem sido apontado como causador de danos e formador de placas ateroscleróticas nas artérias. Desse modo, conclui Schmid, “o consumidor que bebe leite desnatado, a fim de evitar doenças cardíacas e câncer, de fato, aumenta seu consumo de substâncias que causam doenças cardíacas e câncer.” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 156].

Ao consumir apenas leite desnatado, na esperança de manter a saúde, o consumidor corre ainda outro risco, o de ter esgotado o estoque de vitamina A, armazenada no fígado. Segundo Schmid, a vitamina A é necessária para a assimilação proveitosa das proteínas. Não há gordura no leite desnatado na quantidade necessária para a assimilação das proteínas contidas nele. Justamente esse tipo de leite recebe uma dose alta de leite em pó, contendo proteínas não gordurosas em sua composição. Os riscos corridos pelo consumidor, de ter exaurido o estoque de vitamina A armazenada no fígado, vão das doenças autoimunes ao câncer. E, em crianças, alerta Schmid, “dietas ricas em proteínas e pobres em gordura resultam em crescimento rápido da espinha, postura ruim, atonia muscular e visão fraca […]. Isso é exatamente o que estamos vendo na América, hoje, onde governo e indústria se juntam para promover o consumo infantil de leites ‘ricos em proteína’ e pobres em gordura” [Apud Felipe, Galactolatria, p. 156], conclui o Autor.

Para citar:

FELIPE, Sônia T. Galactopoese: a natureza do leite. Palestra apresentada no Curso de Extensão Implicações éticas, ambientais e nutricionais do consumo de leite bovino – uma abordagem crítica. Florianópolis: UFSC, Auditório do Centro de Ciências da Educação, 24 maio 2013, das 18:45 às 21:30.

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