O FUTURO DO GATINHO SERÁ DEFINIDO EM UMA AUDIÊNCIA. (FOTO: REPRODUÇÃO/RICTV)

Gato levado sem permissão de festa vira caso de polícia em Londrina, PR

Um gato que foi levado de dentro de uma casa em Londrina, no norte do Paraná, sem a permissão de seu tutor na noite desta segunda-feira (4) foi parar na delegacia nesta terça-feira (5) junto com os envolvidos no suposto sequestro do animal.

Gato levado da festa

O bichano estava em uma residência -conhecida como república – onde ocorria uma festa quando tudo aconteceu. De acordo com a jovem que levou o animal e não quis se identificar, era a segunda vez que ela havia ido até o local, mas nesse dia, foi surpreendida pela forma com que as pessoas que estavam ali maltratavam o gatinho. “Assim que cheguei lá já haviam várias pessoas no local e o gato estava deitado no sofá, uma das meninas (eu não sei o nome, não conheço) começou a cutucar o gato, muito bruscamente, enquanto as pessoas do lado riram, eu já fiquei meio de olho, mas não me pronunciei, quando vi o gato achei que ele estava dormindo. Porque inclusive quando ela “cutucou o animal” ele não teve reação, ela então pegou ele no colo e chacoalhou muito forte, e disse “eu quero saber se ele ainda está vivo. Daí em diante eu fiquei de olho nele, as pessoas ‘tacavam’ ele de um lado pro outro, assopravam a brasa de narguilé nele, aí, um dos meninos pegou ele, eu falei “me dá aqui o gato”, explica.

A jovem que é cuidadora de animais, junto com seus familiares, conta que só levou ele do local porque considerou que o gato estava sofrendo com os ‘abusos’ e agressividade dos participantes da festa e que, embora ela não tenha visto, ouviu algumas pessoas falando que haviam dado bebida alcoólica para ele.

A JOVEM QUE LEVOU O GATO PARA CASA, TIROU FOTOS PARA MOSTRAR COMO ELE NÃO ESTAVA BEM NA OCASIÃO. (FOTO: REPRODUÇÃO)
A JOVEM QUE LEVOU O GATO PARA CASA, TIROU FOTOS PARA MOSTRAR COMO ELE NÃO ESTAVA BEM NA OCASIÃO. (FOTO: REPRODUÇÃO)

Já o tutor do gato não concorda com o ato, e diz que ele deveria ter sido avisado. “Esse gato é um bichinho de estimação nosso da casa, ele é um gato muito manhoso, muito carinhoso. Onde a gente ‘tá’, ele ‘tá’. E como eu não podia deixar o gato fechado, eu deixei ele solto. Eu não sei em que momento viram ela maltratando o gato. Eu não vi isso. Ela deveria ter me informado, mas o que aconteceu foi o seguinte: ela entrou na minha casa, eu não conheço, convidada por outra pessoa, pegou o gato e levou embora”, afirmou Clayton Muriel Striker.

Ainda conforme a cuidadora, antes de ir embora do local, ela avisou que estava levando o animal. “Chegou uma altura em que eu falei “estou indo embora e vou levar o gato” alguns deram risada, abriram a porta pra mim, e eu saí, chamei um Uber e vim pra a minha casa. Cheguei e falei para minha mãe sobre os maus tratos e falei pra a gente cuidar e no outro dia ver se iríamos ficar com ele ou colocar para doação”, lembra.

Tutor pede o gato de volta

Segundo Clayton, antes de ele ir até a delegacia registrar um boletim de ocorrência, ele entrou em contato com a garota, mas ela se negou a devolver o gato. “A gente entrou em contato com ela, ela confessou que estava com o gato. A gente tentou fazer um pedido formalmente para ela devolver, ela falou que não ia devolver. Eu liguei na Polícia Militar, eles me indicaram para eu ir fazer um boletim de ocorrência, eu fui fazer e eles me falaram que eu poderia ir até a residência dela e pedir o apoio de uma viatura, para eu recuperar o animal que era meu. Chegando lá, ela não quis entregar, falando realmente o bicho estava lá e ela não ia entregar”.

A situação é confirmada pela jovem que afirma que estava protegendo o bicho. “Quando polícia chegou na minha casa a primeira coisa que eu disse foi ‘sim ele está aqui e se quiserem podem entrar pra ver’. Eu avisei que estava trazendo ele, eu não escondi em momento nenhum, eu só disse que eu não iria devolver para maus-tratos. E não o fiz”.

Na delegacia

Já na delegacia, o gato foi encaminhado para uma veterinária enquanto o tutor do bichano e a jovem tiveram que assinar um termo circunstanciado. Ele por maus-tratos de animal e ela por uso arbitrário da força – que não é um crime, mas um ato infracional – porque levou o gato sem permissão.

“Eu não me arrependo do meu ato, faria novamente, não negaria socorro a um animal indefeso, como eu disse em momento nenhum furtei, retirei o animal avisando que eu estava retirando. Não havia motivo para falar de furto, quando eu mesma mandei a foto do gato para que ele visse que o animal estava bem e propus que conversássemos no outro dia”, finaliza a garota.

E o gato?

O gato permanece sob a tutela da veterinária e só será entregue a jovem ou ao seu primeiro tutor depois que ocorrer uma audiência no início de abril.

Fonte: Ric Mais

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