Gatos ‘adotam’ campus da UFMT como moradia

Gatos ‘adotam’ campus da UFMT como moradia

Segundo estimativa da Reitoria, cerca de mil felinos vivem nos corredores, calçadas, pátios e outros setores da Universidade Federal de Mato Grosso.

Por Alecy Alves

MT cuiaba gatoscampus455397A superpopulação de gatos que “adotou” o campus da UFMT de Cuiabá como moradia se tornou um problema administrativo para a instituição.

A estimativa da Reitoria é de que mil felinos, a maioria abandonados e descendentes dos abandonados, moram nos corredores, calçadas, pátios e outros setores da universidade. A instituição ainda não sabe o que fazer com os que já estão lá, tampouco como evitar a entrada de novos animais.

Em diversos blocos (como são denominadas as divisões de ensino e de gestão), os gatos podem ser vistos em abrigos instalados especificamente para eles, em forma de casinha de madeira, por exemplo. Há, também, recipientes próprios para armazenar alimentos e água espalhados em diferentes pontos.

Há algumas semanas, a UFMT instalou placas e avisos sobre as implicações legais do abandono de animais. Um alerta chama a atenção no bloco da Faculdade de Direito, na entrada do setor onde está sediado o Juizado Especial, órgão do Judiciário Estadual(TJMT).

O aviso apela às pessoas que são contra alimentar os gatos para que ajudem a identificar quem os abandona. Assim, os que cometem maus-tratos contra os animais podem ser denunciados e responsabilizados criminalmente.

O vice-reitor, professor João Carlos de Sousa Maia, explicou que muitas pessoas vão ao campus de carro levando gatos em caixas para abandonar no local. E que para boa parte dos bichos são essas mesmas pessoas que garantem o alimento.

O vice-reitor diz que o abandono e a oferta de alimentação não apropriada, em condições inadequadas de higiene, causam uma série de problemas e colocam em riscos a saúde dos animais e das pessoas.

Até pouco tempo, segundo o professor João Carlos, as pessoas iam até lá levando alimentados comuns aos humanos, como arroz, feijão e carne. Agora, observa, os gatos passaram a ser alimentados com ração. Nas duas situações, lembra, os alimentos apodrecem, criam fungos e bactérias.

Além disso, destaca ele, há registros de gatos mortos por atropelamento nas ruas internas do campus. O vice-reitor observa que o comportamento daqueles que abandonam os animais trazidos de suas casas ou mesmo encontrados nas ruas indica uma visão da universidade como uma “casa pública de recuperação de animais”.

Na tentativa de mudar essa situação, a UFMT criou uma comissão para discutir a adotar medidas legais. O vice-reitor, que coordena o grupo, lembra que além da UFMT outras instituições fazem parte desse trabalho, entre elas a Associação de Proteção dos Animais (AVA).

Inicialmente, diz, estão levando para todos os blocos a campanha de conscientização. Nessa etapa, detalha, estão criando equipes de voluntários, especialmente com alunos do curso de Medicina Veterinárias, para atuar como observadores do abandono e das condições dos animais.

Mas outras propostas estão em discussão, entre as quais, informa, cadastrar os felinos, tratar aqueles que possam estar doentes e depois promover campanhas de adoção com feiras de exposições outras formas.

Castrá-los também é uma possibilidade, mas isso, conforme o vice-reitor, passará por uma discussão do ponto de vista legal.

GATOS NO TJMT – O Tribunal de Justiça do Estado viveu situação similar até o início deste ano. Com uma superpopulação de gato, o órgão acabou no centro de uma polêmica sobre o tratamento dispensado aos pequenos felinos. Depois de proibir os funcionários de alimentá-los, o que gerou críticas, o TJMT decidiu por tratá-los, castrá-los e dispô-los à adoção.

Fonte: Diário de Cuiabá

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