Gatos em coma etílico, cães queimados com alvejante: não desinfetem seus animais contra o coronavírus, alertam os veterinários

Gatos em coma etílico, cães queimados com alvejante: não desinfetem seus animais contra o coronavírus, alertam os veterinários

Alguns tutores de animais domésticos, receosos de uma propagação do coronavírus, os “desinfetam”. Isso pode provocar queimaduras graves.

Em pleno período da epidemia do coronavírus, passear com seu cão é uma das raras ocasiões de escapar do confinamento. Entretanto, o medo do contágio causa um comportamento inadequado em alguns tutores de animais, que “desinfetam” os bichinhos ao retornarem de passeios, conforme constatou a rede de rádio France Bleu Pays de Savoie.

Por conta disso, os veterinários de Alta Saboia receberam, por exemplo, “gatos em coma etílico após serem lavados com álcool em gel”. Eles também constataram “envenenamento e queimaduras na pele pelo uso de desinfetantes em cães e gatos”. “Nos perguntam: como desinfetar meu animal quando volto para casa? O que devo passar na sua língua pois ele lambeu todos os lugares no chão? O que devo passar nas suas patas? Ou até mesmo, com o que posso limpá-lo totalmente?”, conta, atônita, a Dra. Charlotte Piquet, veterinária de Sciez (Alta Saboia), à rede France Bleu.

Água e sabão são suficientes

“Na maioria das vezes”, continua ela, “as pessoas pensam em água sanitária ou solução hidroalcóolica. O primeiro perigo são as queimaduras, seja pelo contato ou depois quando o animal lambe a pelagem. E ainda existem casos raros de coma alcoólico, com um animal completamente bêbado depois de ter ingerido álcool”.

Ao ser contatada pela France Bleu Pays de Savoie, a veterinária lançou esse grito de alerta: “Não lavem seus animais com produtos corrosivos!”. Os veterinários lembram em suas páginas do Facebook que é “inútil limpar seu cão depois de voltar de uma caminhada” ou então usar simplesmente água e sabão é suficiente.

A Agência Francesa de Alimentos, Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho (ANSES) e a Organização Mundial para a Saúde Animal (OIE) consideram a transmissão do vírus através de animais como pouco provável. No entanto, a Academia de Ciências recomenda que os tutores lavem as mãos regularmente sempre que cuidarem de seus animais e que não deixem “que eles lambam o rosto”.

Tradução de Marli Vaz de Lima

Fonte: Franceinfo

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