Gatos enjaulados deixam moradores revoltados

Gatos enjaulados deixam moradores revoltados
Foto Arquivo Jornal do Centro

Alguns munícipes de Viseu, em Portugal, queixam-se que a Câmara está a apanhar gatos de forma indiscriminada, de serem maltratados e de terem um fim “incerto”. Dizem que as jaulas colocadas para capturar os animais abandonados estão também a recolher os que têm tutor. Lamentam que a decisão da autarquia tenha sido feita em “desrespeito pelas pessoas e pelos animais”.

A denúncia chega através das redes sociais e de cartazes colocados em locais públicos. De acordo com os queixosos, a pedido do proprietário de uma vivenda na Rua Nuno Álvares Pereira, a Câmara colocou jaulas para captura de gatos no seu jardim. Acontece, segundo as queixas, que há outros gatos, com dono, que também estão a “desaparecer”. “Se tem gatos que saiam naturalmente à rua tenha atenção, pois o mais certo é que já tenham sido ou sejam enjaulados”, alertam, mostrando a fotografia de um animal dentro de uma das armadilhas, nas quais dizem que alguns chegaram a ficar, “pelo menos, três dias”.

“Na rua ninguém foi avisado. A Câmara limitou-se a meter as armadilhas e nem deu tempo para as pessoas tomarem as medidas para manterem os seus gatos em casa”, sublinha uma moradora que prefere o anonimato porque diz que já está a ser “alvo de represálias”.

Relata, como exemplo, a história de uma gata com dono que foi capturada e ficou na gaiola durante várias horas e ao sol. “Foi revoltante ver o animal horas e horas ali dentro, a bater com a cabeça e a miar desalmadamente. Estava fechada e desesperada porque tinha os filhos para amamentar”.

Além do modo como os gatos são capturados e “mantidos em sofrimento” até que sejam recolhidos pela Câmara, os moradores dizem também estar preocupados quanto ao destino que os animais vão ter que, afirmam, “permanece uma incógnita”. “Segundo as poucas informações que conseguimos, serão depois levados para o Cantinho dos Animais (com quem a autarquia tem um protocolo para a recolha) sofrendo fim incerto. A população já se deslocou ao Cantinho dos Animais e já contactou a PSP, sem obter respostas”, conta uma das moradoras.

Câmara diz que todos os animais são verificados

A Câmara de Viseu emitiu, entretanto, um comunicado onde esclarece que “não procede à recolha de animais com detentores (donos), vacinados, desparasitados e esterilizados”. “Nunca o fez nem é esse o seu entendimento. Sempre que um animal seja sinalizado como errante ou perdido e mesmo que não esteja identificado, é sempre verificado se o animal tem dono para que este possa ser devolvido ao seu lar”, assegura.

Explica ainda que foi solicitada a intervenção dos Serviços Veterinários do Município de Viseu no início de março devido à “invasão diária de gatos num quintal numa habitação, onde estes urinavam e defecavam, tornando-se uma situação de risco para a saúde pública, pois tratam-se de gatos de rua, sem qualquer identificação”.

Segundo a autarquia, “até ao momento, foram recolhidos dois animais, não tendo aparecido ninguém que assumisse que era o detentor nem que o comprovasse”.

No mesmo comunicado, a Câmara lembra também que no “cumprimento da legislação, sempre que seja indispensável, muito em especial por razões de saúde pública, de segurança e de tranquilidade de pessoas e de outros animais, e, ainda, de segurança de bens, o Município de Viseu tem feito um esforço na diminuição dessas situações”.

Contactadas algumas associações de proteção dos animais, e sem querer especificar o caso em concreto, admitiram apenas que há normas que têm de ser cumpridas.

“Poderá estar a haver aqui um procedimento que não está correto. Os gatos que vivem em colónias devem ser capturados, esterilizados e devolvidos ao seu ambiente com a orelha cortada que é o símbolo europeu para se saber que o gato está sinalizado”, esclarecem.

Fonte: Jornal do Centro / mantida a grafia lusitana original

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