Gatos são mais castrados do que cães

Gatos são mais castrados do que cães
Gato adulto e castrado que, na tarde dessa sexta (10), seguia aguardando um novo lar no Centro de Controle de Zoonoses. (Foto: Samantha Ciuffa)

Já dizia o musical: “Nós, gatos, já nascemos pobres, porém, já nascemos livres”. E é exatamente essa liberdade que tem transformado o gato no animal doméstico mais castrado em Bauru, SP. É o que revelam os números da prefeitura. Entre maio de 2016 e fevereiro deste ano, 701 animais passaram pela esterilização na cidade, por meio do Programa de Castração Municipal. Do total, 414, ou seja, 60% são gatos. E mais um detalhe: a maioria fêmea.

Isso porque, segundo o diretor de vigilância ambiental, que coordena o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Luiz Ricardo Cortez, os felinos conseguem acesso mais facilmente à rua. “Mesmo trancado em casa, eles conseguem dar um jeitinho de escapar. Por natureza, são mais ágeis que os cachorros”, comenta Luiz, explicando a preocupação em castrar os bichanos.

O que não quer dizer que os gatos são, necessariamente, os animais mais abandonados. “A reprodução do gato é mais descontrolada porque a gestação é mais curta. Enquanto ele consegue ter até quatro crias ao ano, o cachorro consegue no máximo duas”.

Fêmeas

Luiz Ricardo Cortez, diretor da Divisão de Vigilância Ambiental. (Foto: Samantha Ciuffa)

Assim como acontece com as cadelas, as gatas também são mais castradas que os machos, mesmo com procedimento cirúrgico considerado mais complicado.

“É algo cultural, estimulado até pelo machismo, talvez. Nos machos, a cirurgia é mais simples, mais barata (cerca de R$ 30,00 a menos) e o pós-operatório mais rápido”, comenta o biólogo da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Daniel Rolim, que é responsável pelo Programa de Castração Municipal.

No CCZ, todos os animais adultos que são recolhidos das ruas são castrados. Já os filhotes passam pelo procedimento conforme a vontade dos adotantes. “Geralmente, as pessoas os levam embora e, depois de um tempo, voltam e pedem a castração. Na maioria das vezes, são fêmeas, que são castradas para evitar sangramentos e prole indesejada”, acrescenta Luiz Cortez.

Serviço

O Programa Municipal de Castração beneficia pets de famílias com renda de até três salários mínimos. A Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) é responsável pelo encaminhamento dos casos à Semma. Mais informações pelo (14) 3227-8624.

Decreto impõe controle populacional de cães e gatos em território nacional

Nesta semana, um projeto de lei, que cria regras para o controle populacional de cães e gatos em território nacional, foi aprovado pela Câmara dos Deputados. A medida estabelece normas para a esterilização em localidades que apontem a existência de superpopulação desses animais. O PL 1376/03 deve seguir, agora, para sanção presidencial.

Em Bauru, a medida, se aprovada, deve ajudar a ampliar o programa de castração já existente. Desde 2003, a proposta tramitava pela Câmara. Pelo texto, a esterilização permanente deve ser feita exclusivamente por veterinário e ocorrerá após estudo sobre a quantidade de animais. Ela só deve ser permitida desde que ofereça ao animal um grau de eficiência, segurança e bem-estar.

O projeto proíbe que os animais sejam eliminados pelos órgãos de controle de zoonoses somente por causa da superpopulação.

O texto prevê ainda que os recursos para implementação do programa serão provenientes da Seguridade Social da União, com contrapartida dos municípios de, pelo menos, 10% dos custos.

O descumprimento das regras da lei sujeitará o infrator às penalidades previstas na Lei de Crimes Ambientais.

Você sabia?

Apesar de posições contrárias, a castração é defendida por vários especialistas. Nas fêmeas, o procedimento reduz o risco de tumores de mama e infecções no útero. Nos machos, afasta problemas na próstata. Aconselha-se a castração antes do primeiro cio, que ocorre entre o quarto e o sexto mês de vida. Além de prevenir doenças, a castração deixa o animal menos agitado e, de quebra, no caso dos machos, faz com que ele deixe de urinar em todos os cantos da casa. O animal castrado pode apresentar maior sedentarismo, mas isso não significa que ele ficará prostrado. Castrado, o cão ou gato não sente necessidade de se acasalar.

Por Marcele Tonelli

Fonte: JCNET


Nota do Olhar Animal: A escolha pela castração de fêmeas possivelmente tem algum lamentável componente cultural, machista, como mencionado na matéria, porém ela se sustenta do ponto de vista técnico. Para exemplificar, vamos considerar a média de 5 filhotes de cães e gatos em cada gestação, que ocorre a cada seis meses, e que a fertilização ocorresse na totalidade das fêmeas. Vamos pensar que em um bairro existem 100 fêmeas e 100 machos.

  • Esterilizando 80 machos teremos 20 machos que poderiam fertilizar as 100 fêmeas, resultando a cada seis meses em 500 filhotes.

  • Esterilizando 80 fêmeas, teremos 100 machos que poderiam fertilizar 20 fêmeas, resultando em 100 filhotes.

  • Esterilizando 80 machos e 80 fêmeas teremos 20 machos que poderiam fertilizar 20 fêmeas, resultando em 100 filhotes.

Conclusão

A – Esterilizar só as fêmeas traz o mesmo resultado que esterilizar machos e fêmeas.

B – Esterilizar só as fêmeas em relação a esterilizar só os machos reduz os nascimentos de 500 para 100

C – Esterilizar machos e fêmeas não se mostra necessário para atingir o objetivo de redução da população e, por consequência, do abandono.

A frieza destes números esconde o benefício que representa para os machos sua castração (leia em Castração, um ato de respeito) apesar do impacto bem menor para o controle populacional. E também não considera reduzir as oportunidades de cruzamento a cada macho castrado, quem sabe reduzindo ainda mais este hipotético número de 100 nascimentos. Porém, por exemplo, diante de um quadro de restrição orçamentária que não permita castrar todos, é mais efetivo para o controle populacional castrar as fêmeas, sim.

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