Golfinho escapa da caça infame – mas se recusa a deixar sua família

Golfinho escapa da caça infame – mas se recusa a deixar sua família

No dia 20 de janeiro, os caçadores em Taiji, Japão, encontraram a pior surpresa possível: um grupo de cerca de 300 golfinhos. Eles manejaram a família para a enseada mais próxima, jogando uma rede atrás dos animais em pânico, e os deixaram lá para esperarem pelo pior.

Durante os próximos vários dias, eles avaliaram os golfinhos, selecionando os mais jovens e mais bonitos para serem vendidos para cativeiro. Até o dia 23, ao menos 80 golfinhos tinham sido levados para parques marinhos e aquários ao redor do mundo – muitos deles ainda bebês, arrancados de suas mães.

A seleção ainda estava acontecendo no dia 23 à noite. Os golfinhos, que tinham sido deixados nas águas rasas e congelantes para morrerem de fome durante o processo, estavam frenéticos – vários deles tinham morrido de estresse e medo. Mas quando um golfinho sortudo conseguiu escapar desse pesadelo, nem mesmo o terror que ele tinha passado foi suficiente para que ele abandonasse sua família.

No dia 23, o Sea Shepherd, que tem uma equipe de voluntários em Taiji monitorando o massacre, compartilhou uma foto de um golfinho sozinho boiando do lado de fora da rede que separava sua família da liberdade. Ao invés de nadar para longo, ele parecia ficar perto da rede, mantendo sua cabeça perto da superfície da água.

O golfinho solitário do lado de fora da rede

“Nós percebemos que um golfinho tinha escapado da rede externa, sem nenhuma barreira para impedi-lo de nadar para o mar aberto”, o Sea Shepherd escreveu. “Os golfinhos são criaturas com incríveis laços sociais, e não deixam seu grupo para trás”.

“É por isso que cortar as redes não funcionaria, já que sua lealdade para com sua família os impediria de deixar qualquer membro do grupo para trás”, o grupo acrescentou.

Não está claro o que aconteceu com este indivíduo após a foto ter sido tirada, mas infelizmente é somente mais uma trágica história na ladainha de vidas perdidas este ano.

Golfinhos frenéticos sendo selecionados para cativeiro

A cada ano, os caçadores juntam centenas de golfinhos na caça anual aos golfinhos de Taiji. Os mais jovens e mais atraentes são roubados de suas famílias e vendidos para parques marinhos ao redor do mundo. Os caçadores podem ganhar bem mais de USD 100.000 por cada golfinho treinado.

Mas a vasta maioria deles, que são considerados muito velhos ou não atraentes, são mortos pela sua carne. Nos dias após uma caça bem sucedida, a famosa “enseada da morte” se transforma em vermelho brilhante com o sangue dos golfinhos que são torturados e mortos na frente de suas famílias, que assistem e esperam a sua vez.

Uma mãe pode ser vista tentando proteger seu bebê no canto superior direito

Filmagens e fotos do processo de seleção daquele fim de semana mostram os golfinhos se debatendo em terror, se agrupando em pequenos grupos para se confortarem enquanto eles desesperadamente tentam fugir. Em alguns casos, torturados além do seu limite, eles desistiram e morreram.

Apesar de que o Sea Shepherd especulasse se os golfinhos sobreviventes seriam devolvidos à enseada ao invés de serem abatidos, esse dificilmente é um final mais feliz para esses animais sensíveis – que estão incrivelmente traumatizados pela experiência.

“É exatamente como colocar um ser humano em uma posição onde ele está assistindo os membros de sua família serem assassinados”, a Dra. Heather Rally, uma veterinária de mamíferos marinhos que atualmente trabalha com a Fundação PETA, contou ao The Dodo.

“Estes são traumas que duram a vida toda”, ela disse. “Esses animais são altamente autoconscientes, então, assim como você e eu, eles sabem exatamente o que está acontecendo ao seu redor – estes são membros muito próximos de sua família”.

Caçadores capturando um golfinho para cativeiro – sua família pode ser vista se debatendo ao seu redor

Esse trauma pode levar a uma série de problemas fisiológicos – tanto durante a caça como depois. Para esses golfinhos levados para cativeiros, isso pode até mesmo fazer com que eles matem uns aos outros ou ataquem seus treinadores.

“Esta é uma situação com muito risco de vida”, Rally disse. “Isso pode causar problemas de saúde para a vida toda. Pode causar problemas iminentes de saúde e bem-estar… Pode causar úlceras no estômago e comportamentos estereotipados”.

Um golfinho que morreu de medo, parcialmente escondido atrás das lonas

É claro, isso não importa muito para a cidade de Taiji, que indiretamente apoia a caça de golfinhos – o Museu de Baleias de Taiji, um “museu da morte” propriedade da prefeitura que possui uma coleção de parafernália de caça de baleias e seu próprio grupo cativo de golfinhos para apresentações, ajuda a facilitar a venda dos animais capturados.

A água da enseada durante a caça do ano passado (Imagem: DolphinProject.com)

Enquanto muitas pessoas alegam que a caça é uma tradição, a verdade é que ela é uma invenção recente – o massacre massivo nem era possível até o advento moderno do barco motorizado.

Caçadores capturando um golfinho para cativeiro (Imagem: Sea Shepherd)

“O grupo inteiro de cerca de 300 golfinhos foi sujeito a níveis horríveis de crueldade e tortura”, o Sea Shepherd disse. “Isto não é tradição – isto é ganância, pura e simplesmente”.

Uma mãe tentando guiar seu bebê para longe dos barcos (Imagem: Sea Shepherd)

Infelizmente, não há muito que as pessoas em terra possam fazer. A área é altamente policiada, e tentar interferir causaria a prisão imediata pelos policiais japoneses. E, como o golfinho solitário que escapou mostra, não é tão simples como cortar as redes.

Mas o Sea Shepherd espera que, ao compartilhar a história deste grande grupo, as pessoas ao redor do mundo irão perceber o quão cruel a caça realmente é – e fazer o que puderem para acabar com isso.

“Tudo isto é feito em nome do lucro dos parques marinhos”, o Sea Shepherd escreveu. “Aquários, zoológicos e parques marinhos que mantêm animais antes selvagens, todos desempenham um papel nesta caça horrível que ocorre a cada seis meses em Taiji… Diga não aos parques marinhos. Animais atrás de vidros não deram sua liberdade por vontade própria”.

Para ajudar a acabar com a caça de golfinhos do Taiji, você pode enviar cartas para o Primeiro Ministro do Japão e a cidade australiana irmã de Taiji pedindo a eles que tomem uma atitude. Você também pode assinar uma promessa de nunca ir a shows com golfinhos, já que muitos deles financiam a caça em Taiji.

Para ajudar os esforços em terra, você pode fazer uma doação ao Sea Shepherd ou ao The Dolphin Project, ou veja como se voluntariar aqui e aqui.

Por Ameena Schelling / Tradução de Alice Wehrle Gomide

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