Golfinhos do SeaWorld sofrem de infecções e marcas de mordida, revela veterinário

Golfinhos do SeaWorld sofrem de infecções e marcas de mordida, revela veterinário

Por Ameena Schelling / Tradução Alda Lima

As orcas do SeaWorld estão sofrendo de distúrbios psicológicos — e suas morsas e golfinhos também não estão se saindo muito melhor.

No início desta semana, Heather Rally, uma veterinária que trabalha com a PETA, divulgou os resultados de uma recente viagem que ela fez ao SeaWorld de San Antonio. Agora ela voltou seu foco para o SeaWorld Orlando e os resultados também são preocupantes.

Como no SeaWorld San Antonio, Rally viu sinais de trauma dental severo e lutas internas entre orcas do SeaWorld de Orlando. As baleias tinham dentes gastos por mastigarem seus tanques e perfurados pelos veterinários do SeaWorld. Elas também tinham numerosas marcas de briga em suas costas que mostrava que as orcas brigavam em seus pequenos e lotados tanques.

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Mas Rally também viu algo ainda mais triste: sinais de sofrimento psíquico grave.

Uma orca, chamada Trua, um macho de 9 anos de idade, parecia particularmente estressado. “Ele estava sendo mantido, enquanto eu estava lá, isolado, completamente sozinho em um tanque de retenção nos fundos”, revelou Rally ao site The Dodo. “Eu não sei o motivo.”

Desprovido de estimulação, Trua recorreu a um comportamento estereotipado, um sinal de estresse do cativeiro em que um animal repete padrões de comportamento sem sentido quase compulsivamente.

“Ele se aproximava da parede, e em seguida esfregava a cabeça contra ela enquanto descia mais profundo”, disse Rally. Enquanto ela observava, Trua voltava para o outro lado do tanque, para então nadar de volta e fazer aquilo novamente, repetindo essas voltas estranhas sem parar.

Trua, como muitas das orcas do SeaWorld, também flutuava de forma apática no tanque — o que não é um comportamento natural para orcas selvagens, constantemente em movimento.

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“É muito característico de cativeiro; e muito, muito raro na natureza”, disse Rally, ainda sobre tal comportamento. “Acredita-se que seja o resultado de estresse crônico, tédio e inibição de comportamentos naturais, algo que resulta de condições de vida inadequadas em lugares como SeaWorld.”

“A única vez que você veria uma orca flutuando na natureza é se ela estivesse encalhada”, disse ela. “E eu não chamaria isso de flutuar.”

Infelizmente, os habitats das orcas do SeaWorld deixam as baleias com poucas outras opções. Orcas podem facilmente nadar 120 quilômetros por dia em estado selvagem; no SeaWorld, elas são limitados a algumas centenas de metros. E enquanto as orcas têm uma estrutura social complexa com base em laços familiares ao longo da vida, as orcas do SeaWorld, como Trua, muitas vezes são mantidas em isolamento ou com outras baleias com quem não iriam interagir na natureza selvagem.

“Elas não têm muito mais para fazer do que isso”, disse Rally.

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Mas não eram apenas as orcas que estavam sofrendo. O SeaWorld de Orlando mantém duas morsas adultas em um recinto totalmente coberto que, de acordo com Rally, é demasiado pequeno para o tamanho de seus corpos.

Privadas da luz solar e muito mais, as morsas, como as orcas, recorriam a um comportamento estereotipado ao nadar para passar o tempo, contou Rally.

Durante a visita de Rally a elas, uma das morsas exibiu um “padrão irracional de natação”, onde ficava nadando para frente e para trás em seu pequeno recinto vezes e mais vezes — e com os olhos fechados, porque já tinha memorizado o seu tanque.

“O mesmo padrão exato, repetidamente, durante os 20 minutos em que estive lá”, explicou Rally. “As morsas exibiam uma variedade de comportamentos anormais que resultam de estresse crônico, tédio e privações.”

Rally disse que o comportamento das morsas a lembrou do de Obie, uma morsa no SeaWorld San Diego, que exibia um comportamento de regurgitação repetitivo quando ela o visitou no ano passado. Obie faleceu em junho.

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Os golfinhos do SeaWorld Orlando não estão se saindo muito melhor. O parque abriga uma lagoa de golfinhos onde os visitantes podem interagir com eles e algumas partes não têm supervisão, permitindo que os visitantes mergulhem suas mãos na água e tentem acariciar os golfinhos.

Rally disse que um “número preocupante” de golfinhos que ela viu tinham lesões cutâneas compatíveis com uma doença infecciosa. Ela observou que alguns dos golfinhos poderiam estar sofrendo de poxviridae, um pouco comum em golfinhos com sistemas imunológicos comprometidos ou estressores ambientais, mas outras lesões não pareciam ser relacionadas ao vírus.

“Elas eram consistentes com lesões de origem infecciosa”, disse ela. “Não eram normais.”

Enquanto parte de seus problemas de pele possa ser devido à exposição ao sol, uma vez que não havia sombra em sua piscina, Rally disse que as lesões eram provavelmente devido à tensão de serem mantidos em cativeiro.

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“Não só estes golfinhos provavelmente estão estressados e, portanto, imunocomprometidos, eles também estão sendo expostos a uma quantidade muito maior de bactérias (do que golfinhos selvagens) porque estão sendo expostos a pessoas que não lavaram suas mãos”, explicou ela.

E embora tais lesões possam ocorrer em golfinhos selvagens, a frequência de lesões no SeaWorld Orlando foi desconcertante. “A grande maioria deles tinha algum tipo de lesão”, afirmou ela, bem como marcas que indicam brigas entre os animais.

O SeaWorld não é nenhum estranho às preocupações referentes à proteção dos animais — ex-treinadores têm revelado que a empresa dá drogas às baleias para mantê-las calmas, usa privação de alimentos para controlá-las, e separa mães e bebês em uma idade anormalmente jovem.

O público tomou conhecimento disso: o recente relatório trimestral do SeaWorld, divulgado na semana passada, mostrou uma queda de 84 por cento no lucro líquido e uma queda contínua de público.

Infelizmente, isso ainda não afetou os animais do SeaWorld — que ainda estão definhando isolados em seus tanques.

Fonte: The Dodo

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