Golfinhos estão se ensinando a “implorar” por comida a humanos na Austrália

Golfinhos estão se ensinando a “implorar” por comida a humanos na Austrália
Os golfinhos correm o risco de se tornarem dependentes de peixes doados, que são como junk food para eles. Foto: Dra Léonie Huijser

Um estudo recente da Universidade de Queensland, na Austrália, aponta que golfinhos que vivem na região de Moreton Bay podem estar ensinando uns aos outros a “implorar” por comida de pescadores.

A descoberta foi feita durante o doutorado da pesquisadora Léonie Huijser, que investigou a estrutura social da população de golfinhos do gênero Tursiops em Moreton Bay. Ela descobriu que um grupo desses animais patrulhava consistentemente os barcos ancorados na região, esperando que pescadores amadores jogassem (ilegalmente) iscas ou peixes descartados da pesca. Esse comportamento também foi avistado em outro grupo desses mamíferos na Ilha Bribie e na Ilha North Stradbroke.

“Se esses golfinhos ‘pedintes’ começarem a se associar com golfinhos ‘não pedintes’, o comportamento pode se espalhar rapidamente, tornando-se um problema para toda a população”, Huijser expôs sua preocupação em nota.

“Alguns dos golfinhos que ousam se aproximar dos barcos apresentam evidências de que bateram em hélices e se emaranharam em linhas de pesca”, acrescenta a especialista.

Para o supervisor do projeto de doutorado de Huijser, o professor Michael Noad, o estudo também aponta como os golfinhos Tursiops são adaptáveis, ​​e como isso influencia suas estruturas sociais. “Nem todas as adaptações são positivas, e implorar [por comida] é um exemplo de estratégia adaptativa que pode ter ganhos de curto prazo, mas riscos de longo prazo”, ele comenta.

Segundo Noad, os golfinhos “pedintes” correm o risco de se tornar dependentes de peixes doados – que são como uma comida de “fast-food” para eles. “Ela é rápida e fácil, mas não é saudável”, aponta o especialista. “Isso pode levar a intoxicação alimentar ou desequilíbrios nutricionais.”

Com esse estudo, Noad acredita que é necessário haver maior policiamento nas praias de Moreton Bay, para evitar que pescadores deem comida aos mamíferos na região. “As descobertas da Dra. Huijser devem ser usadas pelos guardas florestais para aumentar a conscientização por meio de um programa de educação pública sobre os potenciais efeitos negativos da alimentação dos golfinhos”, ele conclui.

Fonte: Galileu

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