Governo do RS proíbe corridas de cachorros galgos

Governo do RS proíbe corridas de cachorros galgos
Reportagem revelou os bastidores das carreiras, como são chamadas as corridas de galgos. — Foto: Reprodução/RBS TV

O governador Eduardo Leite assinou, nesta quarta-feira (10), um decreto que proíbe a realização de corridas de cachorros galgos no Rio Grande do Sul. Além da medida, o Palácio Piratini enviou um projeto semelhante à Assembleia Legislativa, para conferir maior segurança jurídica à decisão.

O texto prevê punição em caso de descumprimento da ordem. As sanções possíveis são advertência, multa, apreensão dos animais ou de objetos, embargo de obra ou atividade, demolição de obra e suspensão parcial ou total de atividades.

VÍDEO: Proibidas na Argentina e no Uruguai, as corridas de cachorros agora acontecem no sul do Brasil – e até com uso de dinheiro público. O repórter Giovani Grizotti esteve em uma delas e registrou tudo.

O decreto também proíbe extermínio, maus-tratos, mutilação e manutenção de animais domésticos de estimação em cativeiros.

A prática foi denunciada pela RBS TV, em reportagem exibida pelo Fantástico, da Globo, no dia 17 de janeiro. A equipe flagrou cães em situação de maus-tratos e abandono em canchas de cidades da Região da Fronteira.

No ato em que assinou o decreto, Leite destacou a rápida resposta do poder público após a repercussão do caso.

“Meu cumprimento a todos que se envolvem e se envolveram ao longo deste processo, para que a gente pudesse, rapidamente, dar uma resposta ao tema, que gerou intensa repercussão na sociedade”, afirmou.

Autoridades e ativistas da causa animal participaram da cerimônia.

A coordenadora do grupo Galgo Livre Brasil classificou as corridas como uma “crueldade bizarra”. Juscelita Noetzold afirmou que o próximo passo é a proibição das competições nacionalmente.

“Nós estamos, através deste marco histórico, estabelecendo o fim dessas corridas no nosso país. Continuaremos lutando para que a aprovação da lei federal se faça”, destacou.

Atuante em ações de proteção aos animais, a secretária de Trabalho e Assistência Social, Regina Becker, saudou a iniciativa e pediu que o governo também analise a questão dos cavalos utilizados em carroças.

Denúncia e mobilização

A reportagem mostrou que os cães, que costumam ser dóceis, passavam a se comportar de forma violenta depois de receber medicamentos energéticos antes das competições.

Além de promover apostas em dinheiro e maus-tratos, os eventos desrespeitavam as medidas de segurança contra a disseminação do coronavírus.

Sem saber que estava sendo gravado, um homem admitiu as sequelas sofridas pelos animais.

“Quebra uma mão, quebra uma perna. Esses dias, correndo lá em Bagé, quebrou o garrão (pata)”, ele disse.

A venda de drogas aplicadas nos cães, sem registro no Ministério da Agricultura, foi identificada pela investigação da RBS TV em agropecuárias uruguaias.

Na cidade de Bagé, uma das pista de corridas estava sendo construída com recursos de emenda parlamentar, destinada pelo deputado federal Dionilso Marcon (PT). A prefeitura do município disse ter tentado a realocação da verba para outra obra, mas que o pedido foi negado pelo Ministério do Turismo.

Fonte: G1


Nota do Olhar Animal: Parabéns à Juscelita e demais integrantes do grupo Galgo Livre BR, que demonstrando uma grande capacidade de articulação, foram os principais responsáveis pela proibição desta prática criminosa no Rio Grande do Sul, atuação que aliás repercutiu também no Rio de Janeiro, onde as provas igualmente foram banidas por decreto, abrindo caminho para que, quiçá, a proibição se dê em nível nacional. O grupo mobilizou autoridades e imprensa, além de ativistas e simpatizantes do RS e de outras regiões do país, para dar um fim a esta prática tão danosa para os animais e que, se isto não bastasse, está comumente associada a outras práticas criminosas. Agora aparecem muitos rostos celebrando, mas se o fim das chamadas “carreiras” de galgos tem uma cara (e alma), é a do grupo Galgo Livre BR, lembrando também do apoio de grupos similares que lutam nos vizinhos Uruguai e Argentina. Resta agora ter toda a atenção para que as corridas clandestinas sejam denunciadas e os participantes e organizadores sejam punidos. A luta é permanente.

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