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Governo dos EUA aplica multa histórica de US$ 3,5 milhões por maus-tratos em laboratório

O fornecedor de anticorpos Santa Cruz Biotechnology fez um acordo com o governo após denúncias sobre o tratamento das cabras.

Por Sara Reardon / Tradução de Alice Wehrle Gomide

O governo dos EUA multou a empresa Santa Cruz Biotechnology, uma grande fornecedora de anticorpos, em US$ 3,5 milhões pelas supostas violações do Ato pelo Bem-Estar Animal do país. A penalidade emitida pelo Departamento de Agricultura é a maior na história da agência.

A companhia, cuja matriz fica em Dallas, no Texas, irá pagar a multa como parte de um acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). A agência apresentou três denúncias sobre bem-estar animal contra Santa Cruz Biotech, após os inspetores do USDA terem encontrado evidência de que a companhia maltratava as cabras em sua filial na Califórnia.

A Santa Cruz Biotech contestou as denúncias do governo, e o acordo de resolução do dia 19 de maio diz que a companhia “não admite nem nega” que violou as regulações sobre bem-estar animal dos EUA.

O acordo também revogou permanentemente a licença concedida pelo governo para que a Santa Cruz Biotech venda, compre, troque ou importe animais. E exige que a companhia cancele seu registro para operar como uma instalação de pesquisa que usa animais. A companhia extraía anticorpos para pesquisa de animais como cabras e coelhos após injetar neles proteínas que estimulam a produção dos anticorpos.

Nem a Santa Cruz Biotech e nem os representantes da Covington & Burling, uma empresa de advocacia de Washington que representa a companhia, respondeu ao pedido da Nature para comentar sobre o acordo.

Cathy Liss, presidente do Instituto pelo Bem-Estar Animal, um grupo de defesa em Washington, diz que ela está chocada pelo tamanho sem precedentes da multa dada para a Santa Cruz Biotech. A maior multa anterior que o USDA tinha imposto por denúncias sobre bem-estar animal foi de US$ 270.000, aplicada em 2011 contra a Feld Entertainment, que opera os circos Ringling Brothers e Barnum & Bailey.

A investigação acaba

O acordo com a Santa Cruz Biotech marca o fim da longa investigação das práticas de bem-estar animal da companhia. O USDA apresentou três denúncias contra a empresa desde 2007, depois que os inspetores da agência reportaram ter encontrado problemas, como cabras com mordidas de coiote não tratadas e tumores enormes e coelhos sendo abrigados em condições cruéis. Os inspetores do USDA também descobriram que a Santa Cruz estava mantendo 841 cabras em uma instalação escondida.

Em fevereiro, a Nature reportou que mais de 5.000 cabras e coelhos tinham desaparecido das instalações da Santa Cruz antes de uma audiência agendada para verificar as denúncias do USDA. A Santa Cruz não confirmou se os animais tinham sido mortos ou vendidos.

Após as notícias do desaparecimento dos animais terem se tornado públicas, alguns cientistas foram até a mídia social para pedir por um boicote aos produtos da Santa Cruz. Entre eles estava Stephen Floor, um biologista da Universidade da Califórnia, em Berkeley, que diz que seu laboratório já tinha procurado outros fornecedores de anticorpos.

Floor diz que perder a Santa Cruz como um fornecedor de anticorpos criará trabalho extra para os pesquisadores. Pelo fato de que a qualidade e o tipo de anticorpos variam amplamente, laboratórios individuais frequentemente ficam com os produtos de uma única companhia para garantir que seus experimentos sejam replicáveis.

“Dito isso, eu acho que qualquer cientista felizmente fará esse trabalho para garantir que os direitos dos animais sejam uma prioridade”, ele diz.

Fonte: Nature 

Nota do Olhar Animal: Os direitos garantidos por regulamentações da exploração animal (como as normas de bem-estar) não são os direitos dos animais e sim o moralmente indefensável ‘direito’ humano de continuar a explorá-los, desde que obedecidas certas regras. Abolir o uso de animais nos testes científicos é a única forma de garantir e respeitar seus direitos, termo largamente usado de forma equivocada. 

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