Grave! Estudo revela que 75% dos matadouros industriais dos EUA violam os limites locais de poluição hídrica

Grave! Estudo revela que 75% dos matadouros industriais dos EUA violam os limites locais de poluição hídrica
Foto: Pixabay

Uma das muitas realidades desagradáveis associadas à matança de animais em matadouros industriais nos EUA é que a enorme quantidade de resíduos que eles produzem tem que ir para algum lugar.  Onde eles são descartados, você pergunta? Bem, a realidade nojenta é que a maior parte do nitrogênio, das bactérias fecais e outros poluentes produzidos nas operações dos matadouros acaba descartada diretamente nos nossos rios, lagos e córregos.

Como se isto não fosse horrível o bastante, a organização EIP – Environmental Integrity Project descobriu recentemente algo que torna este segredinho sujo ainda pior.  Depois de checar os registros da EPA (a agência reguladora ambiental dos EUA) sobre as instalações das 98 maiores indústrias de processamento de carne americanas, que despejaram mais de 950.000 litros de resíduos por dia nos corpos hídricos entre janeiro de 2016 e junho de 2018, a organização encontrou provas de que 74 das unidades haviam ultrapassado seus limites de controle de poluição pelo menos uma vez.

E, como mostraram os dados da EPA, a maioria das instalações excedeu repetidas vezes os limites legais de despejo em corpos hídricos.  De fato, mais da metade delas (50 de 98) teve cinco violações, e aproximadamente um terço (32 de 98) teve pelo menos dez violações. Além disso, várias das fábricas foram responsáveis por infectar corpos hídricos com tanto nitrogênio quanto uma cidade de pequeno porte nos últimos dois anos.

Como o diretor-executivo da EIP, Eric Schaeffer, descreveu suas descobertas desoladoras, “Esta poluição da água é realmente um assunto de justiça ambiental, pois muitos desses matadouros são de propriedade de ricas companhias internacionais, e elas estão contaminando os rios e as reservas de água potável de pequenas comunidades rurais, quase sempre de baixa renda”.

Ele continua, “As agências ambientais governamentais precisam reprimir e penalizar estas violações flagrantes da Clean Water Act (lei federal norte-americana da Água Limpa).  E a EPA precisa interferir e fixar normas nacionais mais duras para a poluição da água das indústrias de processamento de carne’.

Após analisar os dados da EPA e tornar público o tamanho da destruição ambiental que os matadouros dos EUA estão causando, a EIP foi compelida a publicar um relatório intitulado “Water Pollution from Staughterhouses (Poluição Hídrica dos Matadouros)”.

Neste relatório, baseado em pesquisa da organização Earthjustice e em dados da EPA, a EIP classifica os piores poluidores nos EUA em termos de poluição total por nitrogênio, que causa crescimento explosivo de algas e “zonas mortas” com baixo nível de oxigênio, tornando difícil ou impossível a sobrevivência de peixes.

Como mostrado no relatório, o matadouro dos EUA associado à maior poluição por nitrogênio no ano passado foi a fábrica de processamento de carne suína JBS, em Beardstown, no estado de Illinois.  Esta instalação sozinha despejou uma média de 840 kg de nitrogênio todos os dias em um afluente do rio Illinois, quantidade equivalente à encontrada no esgoto de uma cidade de 79.000 pessoas, de acordo com números da EPA.

Para piorar as coisas, esta instalação de processamento de suínos, que anteriormente foi de propriedade da Cargill, a gigante global de carnes e laticínios, mas que agora é controlada pela JBS, uma companhia internacional de comércio de carne com matriz no Brasil, também foi responsável pelo vazamento de 109 milhões de litros de fezes de porcos em março de 2015, um evento devastador que matou quase 65.000 peixes.

Como está detalhado no relatório da EIP, estas operações irresponsáveis na questão ambiental são diretamente responsáveis pela contaminação da água potável, o que causa ampla mortandade de peixes e torna os rios e córregos inseguros para recreação nas comunidades em toda a nação.

E, no entanto, as penalizações a essas fábricas são muito raras, e, nas poucas vezes em que são aplicadas, caem no esquecimento, permitindo assim que as indústrias continuem a quebrar as regras e arriscando a saúde pública, sem nenhuma consequência.

Enquanto aguardamos que os oficiais dos governos estaduais e federal tomem uma posição e comecem a fazer respeitar os limites violados pelas fábricas de processamento de carne, há algo que nós podemos fazer de imediato e que atinge a fonte do problema: comer menos carne e laticínios.

Ao reduzir ou eliminar por completo nosso consumo pessoal de produtos de origem animal, ajudaremos a cortar este sério problema pela raiz por prevenir a produção da poluição em primeiro lugar.

Para aprender mais sobre como, ao optar por alimentar seu corpo com vegetais ao invés de animais, você pode fazer um mundo de diferença para a Terra e todos que nela vivem, cheque o livro Eat For The Planet!

Por Estelle Rayburn / Tradução de Sônia Zainko 

Fonte: One Green Planet


Nota do Olhar Animal: As primeiras vítimas da indústria da morte são bois, vacas, porcos e porcas, aves, etc. Depois, o impacto é sobre os animais da mata, dos rios, lagos e do mar. O consumo de carne provoca uma matança em cadeia que não se restringe ao animal abatido para satisfazer o paladar humano..

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