Grupo de direitos dos animais diz que macacos são secretamente submetidos a testes científicos danosos na Inglaterra

Grupo de direitos dos animais diz que macacos são secretamente submetidos a testes científicos danosos na Inglaterra

Por Katrina Pascual / Tradução Alice Wehrle Gomide

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Os macacos não estão bem, de acordo com uma importante organização de direitos dos animais.

A Cruelty Free International disse que apesar da “proteção especial” nas leis da União Européia e do Reino Unido, os macacos de laboratório na Inglaterra ainda estão sendo submetidos a “experimentos extremamente estressantes, invasivos e danosos”, de acordo com as recentes descobertas publicadas nas revistas científicas.

Tais práticas continuam principalmente como um segredo em universidades, hospitais, centros terceirizados de testes, e até mesmo instalações do governo ao redor do país, alertou a Cruelty Free International em seu relatório.

A proibição em vigor sobre o uso de Grandes Símios em experimentos não existe para os macacos, apesar de serem muito similares aos símios – “altamente inteligentes e possuem uma capacidade similar ao sofrimento”, a organização acrescentou.

O Reino Unido é o terceiro país que mais usa macacos em laboratórios na União Européia, utilizando mais de 2.000 desses animais – macacos e saguis, inclusive – todos os anos.

Dra. Katy Taylor, diretora de ciência da Cruelty Free International, disse que a maioria dos experimentos está muito longe de levar as pessoas mais próximas às curas para doenças debilitantes humanas.

“A maioria dos experimentos parece ter mínimos benefícios para os humanos e dá a impressão de terem mais a ver com a defesa da continuação do uso dos macacos ou satisfazer a curiosidade dos pesquisadores do que o avanço da ciência médica”, Taylor disse no blog da organização.

Taylor encoraja a busca de métodos alternativos que não envolvam macacos e outros animais, incluindo estudos éticos em voluntários humanos e “experimentos inovadores” que giram em torno de tecidos e células humanas.

Baseado em uma diretiva da União Européia, os testes em macacos devem ser permitidos somente em pesquisas básicas, em problemas de saúde humana debilitante ou com risco de vida, ou bem-estar e preservação das relevantes espécies de primatas.

Muitos dos macacos de laboratório no Reino Unido são submetidos a testes de drogas, estudos que geralmente não são publicados ou não estão disponíveis ao público, alegou a Cruelty Free International. Macacos usados nas pesquisas de HIV/AIDS, Mal de Parkinson, e outras condições, também estão sujeitos ao sofrimento severo como a mutilação de partes do cérebro e do sistema nervoso.

Um porta-voz do Ministério do Interior defendeu os sistemas de bem-estar dos animais do Reino Unido, dizendo que isso garante que os testes em animais são feitos “de forma humana e somente quando necessário”. O porta-voz acrescentou que a proteção especial continua disponível para os primatas não-humanos, os quais são menos de 0,1 por cento de todos os procedimentos animais licenciados.

Uma revisão em 2011 dos experimentos em primatas não-humanos durante mais de 10 anos concluiu que as pesquisas médicas em macacos eram geralmente justificadas e produzindo trabalho principalmente de boa qualidade.

Entretanto, 9% dos 3.000 experimentos em macacos de 1996 a 2006 não causaram impactos científicos ou médicos, sendo que a maioria não produziu um benefício significativo na saúde humana.

Fonte: Tech Times 

Nota do Olhar Animal: A questão principal não é se os testes produzem resultado para a saúde humana ou não. A questão é se é justo submetermos os animais a esta tortura, sofrimento, abuso, em nome seja lá do que for. Que direito tem a espécie humana de massacrar outras? A experimentação animal é um grave erro metodológico, sim, mas mesmo que não fosse, ainda assim não se justificaria eticamente a exploração dos animais não humanos. Sejam macacos, sejam animais de outras espécies. 

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