Grupo de leitura ‘Filosofia Animal’ nasce de colaboração entre USP e Universidade de Lisboa

Grupo de leitura ‘Filosofia Animal’ nasce de colaboração entre USP e Universidade de Lisboa

O grupo virtual de leitura “Filosofia Animal” nasce da colaboração entre o Grupo Praxis do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa e o Grupo de Investigação Ética e Direitos dos Animais do Diversitas, Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos, FFLCH- Universidade de São Paulo.

Além da preocupação contínua da filosofia com as questões da diferença antropológica, a filosofia dos animais é uma disciplina filosófica relativamente nova. Somente na segunda metade do século XX, com obras fundamentais como ‘Animal Liberation’ (1975), de Peter Singer, pode-se falar de um sentido intenso e cada vez mais aprofundado da filosofia dos animais e do status ético e legal dos animais no contexto acadêmico. O grupo de leitura ‘Filosofia Animal’ tem como objetivo ler e discutir textos clássicos e contemporâneos que trabalhem a questão da animalidade e a questão do lugar ético e legal dos animais no âmbito da ontologia, da política e da atual crise ecológica.

Para o primeiro módulo foi escolhido o filósofo Jacques Derrida, por seu interesse e consideráveis contribuições sobre as questões da animalidade e dos animais. Será realizada a leitura do livro “O animal que logo sou (a seguir)”. Texto da aula proferida durante o terceiro colóquio de Cerisy, em 1997, cujas atas do colóquio resultaram no livro L’animal autobiographique, “O animal que logo sou (a seguir)” apresenta a construção de um novo olhar sobre os animais e o sobre a genealogia distintiva entre humano-animal fundamentada na posição de domínio da visão pelo homem. Derrida faz a sustentação de que os animais tenham os seus próprios pontos de vista, indagando o esquecimento calculado dos animais (não os metaforizados, mas os viventes reais que escapam aos conceitos) e da própria animalidade pela filosofia, colocando assim em questão o “que quer dizer viver, falar, morrer, ser e mundo, como ser-no-mundo ou como-ser-ao-mundo” quando nos aproximamos “do que chamam o animal” (p. 28-29).

O grupo trabalhará com a edição brasileira, traduzida por Fábio Landa pela editora Unesp. A versão original francesa poderá servir como apoio se necessário. Com periodicidade semanal, realizaremos 10 encontros, às sextas-feiras. A programação detalhada será distribuída na primeira sessão, onde se iniciará a leitura a partir da pág. 11 até o início da pág. 21.

A atividade é aberta e não é necessário realizar inscrição. Os encontros serão realizados pela plataforma Zoom, no endereço:

https://videoconf-colibri.zoom.us/j/82783204302?pwd=eVBPUlc1R1N1bVVJam9zSHdCNlI4QT09

Início: 9 de abril | Término: 11 de junho

Horário: 10h00-12h00 (Brasília) | 14h00 – 16h00 (Lisboa – GMT+0)

Organizadores: Luanda Francine Garcia da Costa (DIVERSITAS-USP – [email protected]) & Dirk Michael Hennrich (Praxis-CFUL – [email protected])

Bibliografia

DERRIDA, Jacques. O animal que logo sou. Trad. Fábio Landa. São Paulo: Unesp, 2002.

Bibliografia complementar

BERGER, John. Porquê Olhar os animais? In: Porquê Olhar os animais? Tradução: Jorge Leandro Rosa. Lisboa: Antígona. 2020. (p. 21-60)

DERRIDA, Jacques, ROUDINESCO, Elisabeth. Cap. 5: “Violências contra os Animais”. In: De que amanhã… Diálogos. Trad.: André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004, pp.80-96.

DERRIDA, L’animal que donc je suis, Galilée, Paris, 2006.

Fonte: Diversitas

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.