Grupo de protetores de animais denuncia maus-tratos em canil de Quatro Barras, PR

Grupo de protetores de animais denuncia maus-tratos em canil de Quatro Barras, PR
Foto: Colaboração

Um grupo de protetores de animais criou um abaixo-assinado em que pedem o afastamento de Pamela Regina de Oliveira, diretora do Departamento de Proteção Animal de Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. A reivindicação ocorre após denúncias de maus-tratos em um canil que está sob responsabilidade do município.

Além do afastamento das atividades, os protetores pedem a abertura de um processo administrativo para apurar a conduta de Pamela. Segundo Adriana, uma das organizadoras do abaixo-assinado, a situação teve início em fevereiro, quando uma protetora de animais foi presa por maus-tratos em Quatro Barras.

“A Pamela era estagiária dessa protetora, na antiga gestão municipal. Depois disso, ela acabou se tornando diretora do setor de proteção animal na nova gestão. A protetora que foi presa à época foi a pessoa que criou esse departamento [de proteção animal] porque não tinha”, explicou Adriana à Banda B, nesta segunda-feira (20).

De acordo com a protetora de animais com quem a Banda B conversou, Pamela, já no cargo de diretora do Departamento de Proteção Animal de Quatro Barras, denunciou a protetora e ex-chefe por maus-tratos, o que culminou na prisão dela.

“Nesse lugar que ela foi presa, a protetora cuidava de animais da prefeitura e dos dela. Lá, ficaram pouco mais de 80 cães, e depois da prisão a prefeitura assumiu a responsabilidade deles e os deixou no mesmo lugar”, continuou.

A mulher destacou que muitos colegas se questionaram o porquê da protetora ter sido presa. Contudo, ela ressalta: “Como que uma prefeitura, naquela ocasião, assume a responsabilidade de mais de 80 animais? Essa prefeitura já respondeu um processo do Ministério Público, em Campina Grande do Sul, por abandono de um outro canil, com mais de 100 animais”.

Para ela, “não faz sentido os animais permanecerem no mesmo local que foi considerado insalubre”.

Foto: Colaboração
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Após a prisão, dezenas de outros animais teriam sido apreendidos pela polícia e levados para um lugar que não teve o endereço divulgado. Adriana disse que o grupo de protetores engajados na causa entraram em contato com a prefeitura para ter acesso ao endereço, porém não houve sucesso.

“A Pamela de Oliveira, que era quem atendia às pessoas que ligavam, sempre contava a mesma história: que os animais seriam disponibilizados para adoção e que o endereço não seria divulgado”, afirmou.

Embora meses tenham se passado, de acordo com Adriana, ninguém conseguiu ter acesso às informações sobre o paradeiro dos animais resgatados. Um advogado teria sido contatado para fazer o intermédio entre o grupo de protetores e a prefeitura.

“A Pamela atendeu esse advogado e disse que nem ela via mais os animais por proibição. Como assim? A Pamela era fiel depositária desses animais, representando a prefeitura”, protestou Adriana.

Segundo a protetora, a diretora do Departamento de Proteção Animal de Quatro Barras deveria “avisar qualquer fuga de animal, doença, comunicar mortes e enviar laudos veterinários à delegacia”. Contudo, ela afirma que Pamela não o fez.

Após o contato do advogado, a prefeitura teria retirado os animais do local que não teve o endereço divulgado, conforme disse Adriana.

“Era um lugar horrível e estranho, com urubus. Retiraram os animais de lá e levaram para o endereço onde a protetora foi presa”, continuou. Alguns bichos teriam desaparecido após essa mudança, segundo ela.

Agora, o grupo conta com a ajuda do abaixo-assinado para afastar Pamela de Oliveira do cargo. “Por que quando ela era estagiária nunca disse nada à polícia?”, questionou.

“Ela precisa responder o povo onde estão esses animais que fugiram”, concluiu.

Outro lado

A Banda B entrou em contato com a Prefeitura de Quatro Barras para obter uma posição sobre o caso. Contudo, a assessoria da administração municipal informou que uma nota oficial será divulgada nos próximos dias. Ainda, adiantou que não há irregularidades em relação ao caso denunciado pelos protetores.

Por Guilherme Lara da Rosa e Sabrina Cardoso

Fonte: Banda B

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