Grupo é suspeito de ameaçar matar e queimar cães abandonados para ‘limpar’ ruas de Goiânia

Grupo é suspeito de ameaçar matar e queimar cães abandonados para ‘limpar’ ruas de Goiânia
Conversas com o suspeito revelam como animais seriam mortos, em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

A Polícia Civil está investigando uma suposta Organização Não-Governamental (ONG) suspeita de ter sido criada para matar e queimar cães abandonados de Goiânia. De acordo com a corporação, prints de posts feitos nas redes sociais descrevem a forma como os animais seriam mortos e o motivo, sob a alegação de que os bichos sofrem com frio e fome e “sujam” a cidade.

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“Cães e gatos de rua precisam ser sacrificados, além de doenças, sujam nossas ruas, avançam em pessoas”, escreve em um dos posts.

Nas postagens, o autor ainda divulga dados bancários para que doações sejam feitas a fim de manter a ONG. Junto ao boletim de ocorrência, foram anexadas conversas por meio de um aplicativo de mensagens, em que o responsável pelos posts explica o que seria feito com os animais depois de mortos.

“Recolher estes animais, depois levamos para um lugar afastado e queimamos. E as cinzas ainda ajudam como fertilizantes do solo. Assim não ficará com mau cheiro, assim nossas vias públicas ficam mais limpas”, afirma na conversa.

Caso de polícia

O boletim de ocorrência foi registrado por defensores de animais, na Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), em Goiânia. Conforme a Polícia Civil, quatro denúncias já foram feitas na corporação. Segundo a delegada que apura o caso, o crime pode envolver, inclusive, estelionato, já que há a oferta de dados bancários supostamente para arrecadar recursos.

“Está tudo muito prematuro para eu poder definir qual crime que será apurado no decorrer das investigações. Qualquer ato de violência e maldade contra os animais é crime, é um ato criminoso”, afirmou a investigadora.

Uma das mulheres que registraram denúncia na polícia não quis ser identificada, mas disse que ficou assustada quando se deparou com a situação nas redes sociais.

“A gente sente repúdio, e fica extremamente horrorizado de saber que nós estamos vivendo em uma sociedade onde a violência é casa vez mais crescente”, afirma.

A veterinária Ingrid Bueno Atayde Machado, secretária-geral do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Goiás, afirma que atitudes como esta revelam traços de transtornos psicológicos que precisam ser tratados.

“Pode chegar a ser psicopatia, ou simplesmente o trânsito para cometer crimes violentos. O animal é uma porta de entrada. Nós precisamos mostrar para a nossa população de todas as faixas etárias o que são comportamentos desejáveis, aceitáveis, construtivos para um mundo melhor”, afirmou.

Fonte: G1

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