Grupo requer construção de passagem de fauna na SP-332, em Campinas, SP

Grupo requer construção de passagem de fauna na SP-332, em Campinas, SP
Grupo de manifestantes realiza protesto às margens da SP-332: construção de passagem de fauna garantiria a segurança dos animais e também dos motoristas que trafegam pela rodovia

Um grupo de pessoas se juntou em favor de uma mesma causa: a luta pela segurança dos animais silvestres que atravessam a rodovia Professor Zeferino Vaz (SP-332), na altura do km 118, nas imediações do distrito de Barão Geraldo, em Campinas. Segundo um dos integrantes do coletivo, Manuel Rosa Bueno, o objetivo do grupo é que uma passagem de fauna seja construída naquele ponto, no qual os atropelamentos dos bichos são mais frequentes. “O local onde pedimos para que a obra seja realizada faz parte do caminho natural dos animais. Eles transitam naquela região para passarem de um trecho de preservação ambiental para o outro. Queremos garantir que os animais cheguem aos seus destinos”, explicou.

De acordo com Bueno, no km 118 eram atropelados 33 animais silvestres por mês, em média, antes da pandemia. O grupo cobra da concessionária responsável pela administração da rodovia, a Rota das Bandeiras, a construção de uma passagem de fauna para que o problema seja solucionado. No início de julho, o grupo realizou pela primeira vez um protesto solicitando a obra. “Era para termos feito este ato no ano passado, mas a concessionária nos pediu mais tempo para que a obra tivesse início. Um ano depois, nada aconteceu, por isso decidimos agir”, afirmou.

A passagem pode ser construída de forma elevada, como uma ponte, ou por baixo da rodovia, como um túnel. Desta forma, os animais transitariam por ela, sem correr o risco de atropelamento. O corredor para a travessia dos animais, conforme relatou Bueno, também geraria mais segurança para os motoristas que trafegam pela via, como meio de evitar acidentes. “Algo precisa ser feito com urgência”, clamou. Para o médico veterinário especialista em animais silvestres e também integrante do movimento, Roberto Stevenson, o local com maior incidência de atropelamentos tem início no km 115 e vai até o km 118. Quase todos os animais que são atingidos pelos veículos morrem, segundo ele.

“São raros os casos em que conseguimos resgatar o animal em condições de reabilitação. A velocidade máxima da pista é de 80 km/h. Um bicho atingido por um carro nesse contexto dificilmente sobrevive”, garantiu. Segundo o veterinário, os animais que mais são atingidos na SP-332 são: cachorro do mato, onça, lobo-guará, jaguatirica, capivara, lebre, tatu, ouriço e gambá.

De acordo com a Concessionária Rota das Bandeiras, a implantação de uma passagem de fauna na rodovia Professor Zeferino Vaz está prevista no cronograma de obras da empresa, com início para 2022 e duração de 24 meses. Mas a construção está condicionada à emissão da Licença de Instalação pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

“O projeto que contempla a passagem subterrânea e direcionamento dos animais atende a uma resolução da Fundação José Pedro de Oliveira – Mata de Santa Genebra – e da Secretaria do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Campinas, que está em fase final de estudos e será submetida à secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo”, informou a concessionária, por meio de nota.

A empresa ainda relatou que recebeu uma solicitação do grupo em relação à obra em junho, e que em nenhum momento houve a promessa de uma data para o início da construção. “A afirmação de que 33 animais silvestres são atropelados por mês neste trecho da rodovia está incorreta. Nossos dados apontam uma média mensal de três ocorrências envolvendo animais silvestres entre os km 114 e 148 da Prof. Zeferino Vaz (SP-332), de Campinas a Cosmópolis. Foram 16 ocorrências entre janeiro e maio de 2020 e 17 em igual período deste ano”. Os animais silvestres resgatados com vida, acrescentou a concessionária, são encaminhados para tratamento com veterinários especializados.

Estudo

De acordo com o diretor presidente do Instituto Corredor das Onças, Sérgio Ferreira, é temerário apontar um ponto específico da SP-332 para construir uma passagem de fauna. “Não tem um estudo claro que tenha analisado esse trecho da via, que aponte a quantidade específica de atropelamentos que ocorrem ali. Os levantamentos com esse enfoque são muito precários. Não há base de estudos para afirmar que a passagem iria funcionar”, considerou Ferreira.

Para ele, é necessário analisar melhor a utilidade da passagem antes que ela seja construída, porque mesmo com a existência do caminho, não há certeza de que os animais vão passar por lá. “Na época em que analisamos essa área, não tinha esse volume de atropelamentos, de 33 animais por mês. Tem casos de animais que não utilizam as passagens de fauna, mesmo com essa possibilidade. É necessário entender melhor o comportamento dos bichos, para projetar algo que, de fato, seja útil”, informou. Os atropelamentos, acrescentou, ocorrem em toda a extensão da rodovia.

Por Mariana Camba

Fonte: Correio Popular

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