Homem acusado de cortar cordas vocais a cães “para diminuir latidos” em Catalunha, Espanha

Homem acusado de cortar cordas vocais a cães “para diminuir latidos” em Catalunha, Espanha
Fotos: Susana Vera/reuters

Os Moços d’Esquadra, a polícia da Catalunha, acusam um homem de ter submetido alguns dos seus 21 cães a uma operação de remoção das cordas vocais. O acusado alega que o fez para diminuir o som dos latidos.

Ao espanhol “El País”, o indivíduo, identificado como José M. C., admitiu ter submetido vários cães a uma intervenção cirúrgica fora da Catalunha, mas defendeu-se, dizendo não ter feito nada que os prejudicasse e realçando que gosta muito dos animais.

Cortar as cordas vocais – cordectomia – é uma prática antiga, proibida em algumas regiões de Espanha, como a Catalunha, Andaluzia, Valência. Ainda na semana passada, a 16 de março, o Congresso dos Deputados aprovou a adesão do país à Convenção Europeia para a Proteção dos Animais de Companhia, que bane definitivamente este tipo de cirurgia, a não ser que, na sua base, estejam razões terapêuticas do animal.

O veterinário Ignacio Moral, com quem o “El País” falou, adiantou que a cordectomia pode comportar efeitos nefastos para a saúde do animal, servindo de exemplo o aumento da probabilidade de o mesmo ficar em estado vegetativo.

A denúncia contra o acusado, residente em Lliçà d’Amunt (Vallès Oriental), chegou aos Mossos d’Esquadra – que divulgaram o caso esta terça-feira – em novembro de 2016, altura em que deram início à investigação.

As autoridades visitaram, por duas vezes, as instalações onde o homem detinha e detém os cães e detetaram que vários animais não conseguiam ladrar, emitindo apenas ruídos estranhos.

Na segunda visita, os animais foram levados para serem analisados por um veterinário, que confirmou a suspeita inicial de que o indivíduo teria submetido os cães a uma operação ilegal. Os animais mutilados eram usados para procriarem. Além disso, avança o jornal espanhol, o criador não tinha autorização para ter um canil, estava a meio de um procedimento para consegui-la.

Dentro da casa do indivíduo, a polícia detetou ainda alguns instrumentos que poderão ter sido usados para intervir nos animais. “São seringas, gazes, antisséticos…coisas para cuidar deles. Em nenhum caso, encontraram material cirúrgico ou de sedação”, defendeu José M. C.

O caso está agora em tribunal à espera do prosseguimento da investigação. A próxima sessão judicial é em setembro.

Fonte: Jornal de Notícias / mantida a grafia lusitana original

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