Hospital veterinário de Lavras (MG) faz tratamento a tamanduá-bandeira que sofreu queimaduras em incêndio

Hospital veterinário de Lavras (MG) faz tratamento a tamanduá-bandeira que sofreu queimaduras em incêndio
Tamanduá-bandeira é tratado em hospital veterinário de universidade em Lavras (MG) após queimaduras — Foto: Tarcísio Silva/EPTV

Um tamanduá-bandeira, animal de população vulnerável e em risco de extinção, está em tratamento em Lavras por causa de queimaduras ocasionadas por um incêndio florestal. Veterinários e estudantes da Universidade Federal de Lavras (Ufla) tentam conseguir a longa recuperação do animal que pode até não voltar pra natureza.

Vídeo: Hospital universitário realiza tratamento em animais queimados em Lavras.

A jovem fêmea foi resgatada em Campo do Meio, a 90 quilômetros do hospital veterinário da universidade, onde o animal faz tratamento no ambulatório para animais selvagens.

“Essa tamanduá chegou para nós muito debilitada, estava desidratada, com ferimentos em todas as patas. Havia larvas nas lesões. A calda foi um pouco queimada também, ela está anêmica e muito fraca. A gente consegue manipular ela com um pouco mais de facilidade por ser um animal pequeno e por ela estar com essas lesões nas patas, ela está bem mais calma do que normalmente um tamanduá estaria”, destaca a veterinária e mestranda da Ufla, Maria Eduarda.

A primeira medida foi colocar botas de curativo para cicatrizar as patas que ficaram muito queimadas. A cauda também queimou e precisa de recuperação. Uma as situações mais preocupantes para os especialistas é que a tamanduá-bandeira ferida poderia entrar em idade reprodutiva e fazer a manutenção da espécie, mas ainda não é possível saber se a fêmea vai poder voltar à natureza.

“Como as feridas foram graves, foram queimaduras de terceiro grau, ainda é muito cedo se ela vai conseguir ficar bem e apta a sobreviver na natureza”, disse Maria Eduarda.

Além da tamanduá-bandeira, uma seriema também chegou há duas semanas ao local. A ave, ao fugir de uma queimada em lavras, bateu em um prédio e quebrou a perna.

“Quando esses animais são trazidos não somente pelas lesões de queimadas em si, mas muitas vezes eles conseguem fugir das queimadas, entram em rodovias e ai são atropelados. São animas que chegam para a gente muitas vezes politraumatizados, com fraturas, lesões de coluna, lesões que dificilmente a gente conseguir reverter mesmo com tratamentos e cirurgias”, comentou Samantha Mesquita Favoretto, veterinária do ambulatório de animais selvagens.

Seriema também faz tratamento no hospital da universidade de Lavras (MG) por conta de queimaduras. — Foto: Tarcísio Silva/EPTV

Mais resgates na região
 
Com mais sorte, um lobo-guará foi visto sem ferimentos na área rural de Santa Rita do Sapucaí após queimadas na cidade. Além disso, a Polícia Militar de Meio Ambiente de Alfenas conseguiu também devolver um outro tamanduá-bandeira que fugiu de um incêndio.

“Se a gente não prevenir com diminuição de queimadas e a diminuição do avanço na casa dos animais, eles vão continuar chegando. E infelizmente, a maioria desses animais não vai conseguir ser recuperado”, salientou Samantha Mesquita Favoretto.

Os veterinários do laboratório da Ufla lembram que é preciso ter cuidado com animais silvestres, como o lobo-guará e o tamanduá. Eles apontam ser necessário evitar contato e, caso vê-los pelos bairros, é preciso chamar os bombeiros para fazer o resgate.

Fonte: G1

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