Hospital Veterinário passa a cobrar pelos exames das Ongs

Hospital Veterinário passa a cobrar pelos exames das ONGs

Desde o início deste mês o Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina – UEL, no Paraná, passou a cobrar os custos de exames das Ongs que realizam trabalho de atendimento a animais de rua, mantendo a gratuidade dos demais procedimentos que não incidem em despesas diretas como consultas, curativos, internamentos e até cirurgias. A mudança é resultado de decisão do Conselho Diretor do HV, baseado no orçamento disponível e no volume de isenções concedidas, buscando manter a gratuidade de atendimento para a população carente da região. Os exames representam um impacto financeiro direto porque implicam em pagamento de fornecedores a partir da compra de kits, de reagentes e na locação de equipamentos.

A diretora do HV, professora Regina Mitsuka Breganó, explica que as modificações foram esclarecidas às Ongs da região que utilizam diariamente os serviços do hospital, por meio de instrução de serviço e em reunião realizada na UEL, no último dia 28 de fevereiro. Na ocasião os representantes das entidades Amigo Bicho, SOS Vida, AMAR e Defesa Animal tiveram acesso aos números do HV e foram informados sobre os novos procedimentos. Para se ter uma dimensão sobre custos, no ano passado as isenções das Ongs representaram mais de R$ 116 mil aos cofres do hospital, em um momento que as instituições públicas vivenciam desafios para manter os serviços, com orçamentos reduzidos e problemas para reposição de pessoal.

O fato se agrava porque não existe um Centro de Zoonoses que atenda o Norte do Paraná, que deveria assumir o papel de recolher animais abandonados, realizar diagnóstico desses cães e gatos e de fazer o trabalho educativo sobre posse responsável.

Isenção à comunidade

A diretora esclarece que o HV, enquanto serviço 24 horas, concede vários tipos de isenções, beneficiando sobretudo a população carente de Londrina e região. O HV acaba sendo o centro de referência no atendimento a estes animais. Este ano, a isenção, mediante triagem social, cresceu aproximadamente 30% em relação ao mesmo período do ano passado (1º de janeiro a 23 de março). A política de atendimento da unidade prevê desconto total ou de 50%, concedidos conforme análise socioeconômica familiar. Para ter direito ao benefício o proprietário precisa apresentar os boletos de água, de luz e o carnê do IPTU, que são analisados pelo Serviço Social da Universidade.

Além da população carente, o hospital ainda isenta o atendimento aos animais da Polícia Militar, cães doadores de sangue e todos os casos atendidos considerados de interesse didático, ou seja, casos que contribuem para o ensino. Somente no ano passado os custos com a isenções chegaram R$ 624 mil.

Números

Ao mesmo tempo que o volume de atendimento tem aumentado, o HV sofre com a falta de reposição de pessoal, tanto professores como servidores técnico-administrativos. Em 2009 o hospital tinha 45 servidores que foram reduzidos para 35 este ano. Neste período os atendimentos saltaram de 3.970 para 18.201. Em 2018, foram abertos 5.641 prontuários que resultaram em 18.201 consultas. Este descompasso acaba também impactando junto aos serviços prestados, já que são os próprios estudantes e professores plantonistas que reforçam o trabalho de limpeza e higiene.

A diretora do HV esclarece ainda que a unidade é campo de aprendizagem do curso de graduação em Medicina Veterinária, do CCA, considerado entre os mais bem avaliados do país. Existe ainda o programa de Residência em Medicina Veterinária, que abre 34 vagas/ano, para formação em pós-graduação Latu sensu. O curso mantém ainda dois programas de Pós-graduação, entre eles o de Ciência Animal, avaliado com nota 6 pela Coordenação de Pessoal de Nível Superior (CAPES) do MEC, um dos mais produtivos nesta área.

“Nosso trabalho não pode ser medido somente pelo atendimento, é preciso considerar que trabalhamos como hospital-escola ligado à uma graduação, Pós-graduação e geração de conhecimento científico. Nosso foco precisa ser a qualidade da formação desta mão de obra altamente especializada”, explica a diretora do HV.

Por Marcos Zanutto

Fonte: Bonde

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