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‘Houve, sim, um equívoco’, diz diretor da TAM sobre sumiço de cachorrinha

Cachorrinha desapareceu antes de embarque em Guarulhos. Tutora da cachorra Mel afirma que funcionário da TAM chegou a oferecer outro cachorro. 

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Pouco antes da decolagem, avó da tutora de Mel, que nem chegou a entrar no avião, foi comunicada do sumiço. Fantástico explica regras de transporte.

Como é ficar separada do bichinho de estimação, à força, por 21 dias, sem notícias? “Uma angústia. Não saber de nada, não saber o que está acontecendo, não saber onde ela está, bate uma tristeza”, conta Amanda.

Amanda, de 17 anos, está com saudades da Mel, a cachorra que ganhou quando era criança. “Superdócil. Deu carinho, pronto, já é sua melhor amiga”, conta Amanda dos Santos, tutora da Mel.

Depois de quase oito anos, a melhor amiga tinha que ir embora. Mel não se adaptou ao apartamento novo da família, em Santo André, na Grande São Paulo. A nova casa seria o sítio da avó, no Nordeste.

“Eu digo: ‘eu vou levar porque lá tem muito espaço e ela vai ficar comigo, é minha companheira, ela vai ficar comigo’”, lembra Francisca dos Santos, avó da Amanda.

“Ela se sentiria melhor, a gente achou, mas não foi isso que aconteceu. Ela não chegou nem lá”, conta Amanda.

Onde está a Mel? O que aconteceu com ela? A Amanda não tem essas respostas. Só sabe que a cachorra sumiu no Aeroporto Internacional de São Paulo e nunca mais foi vista. Mel chegou ao aeroporto rumo a Salvador, Bahia, em 18 de janeiro.

“Ela, dentro da caixa, deu 12,6 quilos”, diz a jovem. Com esse peso, a cachorrinha não podia ir na cabine, com a avó. Segundo as regras da empresa, tinha que ir no bagageiro.

Cachorrinha Mel nem chegou a entrar no avião

O procedimento é este: primeiro o cão passa por um raio-x e, depois, é levado por um funcionário até um compartimento de cargas do avião, separado das malas.

Mel nem chegou a entrar no avião. Pouco antes da decolagem, a avó foi comunicada do sumiço.

“Quando a gente estava lá dentro, veio esse casal me falar que a cachorra escapuliu.”, lembra a avó.

“Eu acho impressionante um cachorro fugir de dentro do aeroporto sem ser notado”, destaca Amanda.

A Amanda já entrou em contato diversas vezes com a companhia aérea, mas ela não tem muitas notícias. E o Fantástico acompanhou mais uma dessas ligações para ver qual resposta é dada.

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Amanda, fanando pelo telefone: Eu gostaria de saber como está o andamento de um protocolo. Você não consegue verificar o número do processo por aí?
Atendimento da companhia aérea: Aguarda só um instantinho aí por gentileza, já retorno aqui com a senhora. Informações atualizadas nesse caso só quem tem como repassar para a senhora é a própria central de bagagens do aeroporto de Guarulhos.

Amanda esperou 40 minutos e não conseguiu nenhuma resposta.

“E é sempre assim.”, conta Amanda.

Empresa diz que só sabe que a Mel fugiu 

O Fantástico procurou a TAM para saber o que aconteceu. A empresa diz que só sabe que a Mel fugiu no pátio, quando ia para o avião.

“Ela se soltou. Mas como, a gente não sabe”, diz o Mário Faustini, diretor de Inovações e Eficiência da TAM.

Fantástico: O funcionário não chegou a notar nada disso quando ele estava levando?
Mário Faustini: Pois é, o que a gente escutou até agora não, mas pra gente ter certeza só fazendo uma revisão dos nossos processos.

Amanda trocou mensagens com um funcionário da TAM. Em uma delas, ele diz que a porta da caixinha se rompeu, mas não deu detalhes de como. A TAM enviou para a Amanda uma foto da caixa, estava com a grade afundada.

Gato escapa após desembarcar em voo da American Airlines

O Alexandre conhece essa angústia. Em setembro de 2014, o gatinho Louis escapou depois que um avião da American Airlines, onde ele estava, pousou em Guarulhos.

“Um funcionário que estava desembarcando as malas colocou a caixa na esteira, sendo que ele devia ter trazido na mão e nisso o gato ficou nervoso, chacoalhou a caixa e caiu. Rachou a caixa e fugiu”, lembra Alexandre Zuntini, tutor do Louis.

Procurada, a American Airlines não quis se pronunciar.

Louis foi encontrado só sete dias depois, foi capturado por armadilhas colocadas para pegar todo tipo de animal que pode estar nos 13 mil metros quadrados da área do Aeroporto de Guarulhos. É colocada comida dentro da gaiola para atrair o bicho e, quando o animal entra para se alimentar, a portinha se fecha e ele fica preso.

Segundo o aeroporto, as armadilhas ficam espalhadas o tempo todo. Até agora, nenhuma delas capturou a cachorra da Amanda, que pagou caro pelo transporte.

“Só a taxa para ela embarcar foi R$ 354. Compramos a caixa, passamos com veterinário, ela tomou as vacinas”, conta Amanda.

Ao todo, foram R$ 704, mais que o dobro da passagem da avó, que saiu por R$ 308.

Quem quer voar com o bicho de estimação tem que prever esses custos. E se preparar.

Veterinário orienta como fazer uma viagem segura

O Fantástico chamou o veterinário Leandro Alves que vai dar orientações importantes para que você faça uma viagem segura com o seu bichinho. Começa escolhendo uma caixa bem resistente. 

“Uma porta bem resistente, que tenha um trinco que seja capaz de travá-la e não seja fácil de abrir. As laterais com uma parte vazada para fornecer ventilação”, orienta o veterinário.

Cada companhia aérea tem suas regras. Algumas deixam gatos e cães de pequeno porte viajarem com o tutor. Mas o animal tem que ficar o tempo todo dentro da caixa e o dono não pode ficar andando pelo avião com ele.

“A caixa tem que proporcionar que o animal consiga virar no próprio eixo dentro da caixa. O uso de calmante não deve ser incentivado.”, explica Leandro.

O transporte de cães e gatos por avião vem aumentando. Em 2014, só a TAM transportou 60 mil animais. Segundo a empresa, seis ocorrências foram registradas. Entre elas, mal estar do bichinho, fuga e extravio. Todos os bichos foram recuperados, diz a Tam.

“Nós somos responsáveis pela Mel. Então, infelizmente no caso da Mel, houve, sim, um equívoco, que não é a prática comum da TAM. É uma exceção”, afirma Mário Faustini, diretor de Inovações e Eficiência da TAM.

Vinte e um dias se passaram e nada. A Amanda diz que um funcionário da TAM chegou a oferecer outro cachorro pra ela.

“Eu posso te garantir que isso não faz parte da política oficial da TAM”, diz Mário Faustini.

“Eu quero que a minha cachorra apareça. Isso é o que eu mais quero. Nunca perdi as esperanças e nem vou perder.”, diz Amanda.

Fonte: G1 

Nota do Olhar Animal: Têm sido recorrentes os casos de mortes e fugas de animais transportados pelas companhias aéreas, não só pela TAM. Sugerimos novamente que o Ministério Público aja sobre a questão. E, às pessoas, que evitem este tipo de transporte para os animais sempre que possível. Os “equívocos” tem custado muito aos animais e aos tutores.

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