Idaf e MP fecham matadouro que abatia animais a marretadas no Acre

Idaf e MP fecham matadouro que abatia animais a marretadas no Acre
Matadouro de Manoel Urbano foi fechado após irregularidades (Foto: Marcio Levy/Arquivo Pessoal)

O matadouro municipal de Manoel Urbano, no interior do Acre, foi fechado nesta terça-feira (21) após um relatório do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) que apontava várias irregularidades no local. O órgão, afirma que os animais eram mortos a marretadas, além de não haver câmara fria para guardar a carne. Por isso, o Idaf cassou a Guia de Trânsito Animal (GTA) do matadouro que não deve voltar a operar.

Ao G1, o prefeito da cidade, Ale Anute, disse que o matadouro é municipal, mas funcionava com trabalhadores terceirizados, pois não havia condições para contratação de provisórios. As melhorias, segundo ele, custariam em torno de R$ 300 mil. “Desde quando assumi o cargo o local já foi fechado algumas vezes e reaberto. Lá era para abater, mas não é frigorífico e agora são necessários equipamentos. Infelizmente chegou nesse ponto”, lamenta.

O diretor-presidente do Idaf, Ronaldo Queiróz, diz que o relatório técnico foi solicitado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) após várias denúncias. Ele explica que o matadouro existe há mais de 30 anos e está fora dos parâmetros de higiene sanitária que são exigidos. Outro problema, segundo ele, é que há casas localizadas a menos de 80 metros do local.

“Como perderam a emissão de GTA, eles não podem mais levar o animal para o abate. Não existe condições de funcionamento mesmo que haja uma reforma, pois é preciso tirar todas as casas próximas. As pessoas que consumiam aquela carne não tinham noção dos perigos que corriam, os animais eram mortos com marretadas na cabeça. Isso não se faz, é muito ultrapassado e a situação era muito séria”, destaca Queiróz.

Matadouro tinha problemas no piso e sangue ficava empoçado, segundo promotor (Foto: Divulgação/Idaf-AC)
Matadouro tinha problemas no piso e sangue
ficava empoçado, segundo promotor
(Foto: Divulgação/Idaf-AC)

“Desumano”, diz promotor

O promotor de justiça Carlos Pescador conta que foi até o matadouro e que a situação no local era “desumana”. Segundo ele, ainda não há uma ação judicial do MP-AC devido ao recesso. Porém, o relatório do Idaf-AC já foi encaminhado ao órgão e uma ação deve ser ajuizada para interditar o local judicialmente.

“Era tudo bem feio, desumano. Não há câmara fria, o piso tinha problemas, então, o sangue ficava empoçado. O matadouro estava em uma área que era longe das casas, mas isso mudou. Já existe um acordo com MP-AC com a prefeitura feito em 2013 para fazer melhorias no local, mas chegamos a conclusão de que isso não pode mais ser feito naquele lugar específico”, explica.

Com o fechamento, um frigorífico de Sena Madureira deve abastecer a cidade com carne. Porém, o promotor destaca que o pequeno produtor, que abatia duas ou três cabeças de gado por mês, vai ser prejudicado.

“Se há muito gado para abater, o frigorífico de Sena Madureira envia um caminhão para buscar, mas o pequeno produtor não conta com essa estrutura. Deve ser feita uma reunião com representantes do município para ver de que forma podem ajudar essas pessoas. Em relação aos consumidores, também vamos conversar para que não haja aumento no preço”, finaliza.

Por Quésia Melo

Fonte: G1


Nota do Olhar Animal: É óbvio que qualquer método de abate viola o direito moral mais elementar do animal, que é o direito à vida. Mas o chamado abate humanitário é uma vergonhosa ficção. Seja porque o método não cumpre aquilo que promete, seja porque grande parte da carne consumida, talvez a maior, venha de abatedouros clandestinos. Mas criar na mente das pessoas a ideia de que podem continuar a consumir carne porque o “animais são bem tratados” é ótimo para as empresas (as vendas aumentam), e é excelente para as ONGs que se intitulam “de proteção animal” e que recebem um bom dinheiro das empresas por seus cursos de bem-estar.

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