Imposto ajuda a causa animal no Rio Grande do Sul

Imposto ajuda a causa animal no Rio Grande do Sul
Inclusos no projeto "Parceiros Virtuais", os animais aguardam doações e um novo lar BICHO DE RUA/DIVULGAÇÃO/JC

Somente no Brasil há mais de 30 milhões de animais abandonados. Os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) ilustram a necessidade da luta para promover a qualidade de vida dos animais. Investir recursos e propagar a causa são atitudes primordiais para inserir a comunidade nesse propósito. Seguindo esse ideal, a ONG Bicho de Rua posiciona-se como um grupo para compartilhar e multiplicar o bem-estar, estendendo-se a natureza como um todo.

Desde janeiro de 2018, o programa Nota Fiscal Gaúcha passou a integrar organizações de defesa e proteção dos animais entre as instituições que podem receber recursos do governo. “A inclusão dessas entidades é uma grande vitória para a causa animal”, explica a presidente da ONG Bicho de Rua, Marcia Simch. Essa novidade trouxe ao grupo, formado em 2004, a chance de captar recursos além das doações e das vendas de produtos com a marca da organização. “Esse repasse é uma benção, porque podemos nos planejar com mais sabedoria, aumentando o campo de atuação do Bicho de Rua.”

Os 14 anos de existência da ONG formalizaram as atividades do projeto. Funcionando como uma rede de amparo aos animais, a Bicho de Rua presta serviços de esterilização, doação de ração e auxilia abrigos temporários para animais abandonados ou vítimas de maus-tratos.

Realizando campanhas em escolas e empresas, a organização visa passar a mensagem da proteção animal. Além destas atividades, o projeto realiza ações como o “Barriguinha cheia”, que distribui ração para pequenas protetoras independentes ou ONGs que abrigam os animais. “Buscamos organizações que atendam a alguns requisitos nossos, como limpeza e boas condições de infraestrutura”, conta a presidente.

Além dessa, a ONG viabiliza outras campanhas, como o projeto “Padrinhos virtuais, amigos reais”, no qual a pessoa que pretende ajudar a causa, e não tem condições de adotar, pode escolher os valores e a frequência das “mensalidades”. O valor é destinado para os animais que estão internados em clínicas ou casas de hospedagens que aguardam um novo lar.

Por não se tratar de um abrigo, a organização não recolhe animais, e sim funciona como um facilitador no encontro entre quem quer adotar e quem quer ser adotado. Mensalmente, a ONG disponibiliza anúncios de animais que esperam um novo dono, no qual as pessoas tem a acesso e podem definir um perfil que se adapte ao ambiente que pode ser proporcionado.

Entre as diretrizes da instituição, a preocupação com uma adoção consciente fortalece os pontos-chave para o seguimento da luta e do projeto. A adoção sem preconceitos ressalta a importância de se ultrapassar os preconceitos com raça, idade ou deficiência física: “quando falamos em adoção sem preconceitos, falamos em adotar de coração, independente de características físicas do bichinho”, aponta Marcia. O estímulo à guarda responsável – atendendo às necessidades de alimentação e cuidados veterinários -; a esterilização como forma de controle da população animal – através de parcerias com médicos veterinários, o grupo viabiliza cirurgias pelo custo exclusivo do material utilizado, tornando acessível às classes mais baixas – e programas assistenciais e educacionais para a promoção do bem-estar animal.

A inclusão das entidades de proteção nos repasses da Nota Fiscal Gaúcha viabilizou uma nova fonte de renda para as instituições que trabalham com o tema, sem retirar do montante repassado para as ONGs de outras causas. Até janeiro deste ano, somente organizações voltadas para causa humana eram auxiliadas.

Neste ano, o objetivo do Estado é de repassar R$ 1 milhão para os projetos voltados à causa animal. “Não existia uma categoria para o nosso trabalho, todas eram voltadas para causas humanas”, avalia Marcia. A organização, que foi primeiro lugar entre as ONGs, calcula um repasse de R$ 14 mil por trimestre – periodicidade que acontece o envio da verba.

A proposta é de autoria do deputado Gabriel Souza, apresentada em outubro de 2015. Para o cadastro de novas instituições no programa, deve-se encaminhar o pedido junto à Secretaria do Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos (Sdstjdh), coordenado pela vereadora Lurdes Sprenger. Para auxiliar a ONG com o cadastro na Nota Fiscal Gaúcha, é necessário: acessar o site (www.nfg.sefaz.rs.gov.br), cadastrar o CPF, escolher a entidade e indicar o Bicho de Rua como projeto escolhido e exigir a nota fiscal em todas as compras com o CPF.

Por Eduardo Lesina

Fonte: Jornal do Comércio

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.